DGS admite dupla contagem de casos de covid-19 no Porto

O concelho do Porto destacou-se ao registar um aumento de 524 casos de covid-19 entre domingo e segunda-feira, elevando o total para 941 infetados. Números que podem estar errados, admite a DGS.

O número de infetados pelo novo coronavírus do Porto disparou, segundo dados da Direção-Geral da Saúde, divulgados na segunda-feira. O concelho registou um aumento de 524 casos em 24 horas, passando de 417 para 941 infetados. Estes dados podem, no entanto, estar errados, avançou o JN e confirmou o DN. Isto porque o aumento ultrapassaria não só o total da região norte, como aquele que foi registado em 24 horas em todo o país: mais 446 casos.

É a própria DGS que admite a possibilidade de estar errada a contagem do número de infetados no Porto. Ao JN e ao DN, a DGS explicou que está a ser utilizada uma "metodologia mista", que recolhe dados reportados pelas administrações regionais de saúde e pela plataforma Sinave (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), na qual os médicos inserem a informação sobre os doentes. "O universo pode ser indevidamente maior do que o número de casos por dupla contagem", adianta fonte da DGS.

A autoridade de saúde nacional referiu ao jornal a partir de desta terça-feira serão utilizados apenas os dados do Sinave, deixando de ser tidos em conta os dados reportados pelas autarquias. Mas desta forma podem ser reportados apenas 70 a 75% do total de casos no país.

Após a divulgação do boletim diário com a atualização da situação em Portugal, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas reconheceu a possibilidade de criar um cordão sanitário no Grande Porto, nos municípios mais afetados como Gaia, Maia e Gondomar. Uma hipótese que foi mal recebida pelos autarcas.

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, considerou que um "cerco sanitário que seria extemporâneo". Em comunicado, a autarquia faz saber que foi "surpreendida por uma inopinada e extemporânea referência por parte da senhora Diretora Geral da Saúde de que estaria a ser equacionado um cerco sanitário ao Porto".

A medida é considerada "absurda" e é afirmado que "não foi pedida pela Câmara do Porto, não foi pedida pela Proteção Civil do Porto e não foi pedida pela Proteção Civil Distrital" e que "nenhuma destas instituições e nenhum dos seus responsáveis, incluindo o presidente da Câmara do Porto foi contactado, avisado ou consultado pela Direção Geral da Saúde".

Rui Moreira está contra o cerco sanitário uma vez que este "tornaria impossível o funcionamento de serviços básicos da cidade, como a limpeza urbana (cuja maior parte dos trabalhadores não reside na cidade), como a recolha de resíduos (cuja LIPOR fica fora da cidade), como o abastecimento e acessos a dois hospitais centrais (Santo António e São João)", lê-se ainda no comunicado.

Depois do Porto, é o concelho de Lisboa que tem mais notificações no país, ao registar 633 casos positivos de covid-19, segundo dos dados do boletim da DGS, divulgado na segunda-feira. Lisboa somou mais 39 casos do que no domingo (594), dia em que era o concelho com mais infetados no país.

O surto do novo coronavírus já fez ​​​​​​​140 mortos em Portugal e 6408 estão infetadas, sendo que 13% do total são profissionais de saúde.

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