Mais 849 mortes em Espanha no pior dia da epidemia. Total é de 8189 óbitos

Nas últimas 24 horas Espanha teve o pior dia da crise do coronavírus com 849 mortes. No país, agora em "hibernação económica", as tensões políticas agudizam-se e os espanhóis temem o desemprego em massa.

Mais um dia trágico em Espanha com mais 849 mortes em 24 horas, o que representa o pior registo desde que a pandemia se instalou no país. O total de mortes no país é agora de 8.189, uma cifra só superada pela Itália. A taxa de letalidade é de 8,6%. Segundo o Ministério da Saúde espanhol, os casos de covid-19 atingem hoje o número de 94.417 contra os 85.195 do dia anterior, um aumento de 9222 novos casos. Nas unidades de cuidados intensivos estão 5607 pessoas (mais 376). No sentido inverso, os recuperados são agora 19.259 (mais 2.479).

No país a situação muito tensa, com o problema sanitário a ser muito grave e com a questão económica a tornar-se preocupante para os cidadãos e empresas. Para mais as divisões agudizam-se com a polarização política. A capacidade do sistema de saúde está nos limites e apela-se à solidariedade entre regiões.

"Não é por não queremos, é que não podemos". É assim que um alto responsável de uma região espanhola descreve ao jornal El Pais a situação de falta de cooperação entre as regiões autonómicas espanholas. A possibilidade de transferir doentes que precisam de cuidados intensivos está a ser complicada, comas mais sobrecarregadas e à beira do colapso a não conseguirem efetuar mudanças por não encontrarem quem receba os pacientes.

Pelo meio juntam-se as divisões políticas e a eventual falta de coordenação. "Não houve conversas oficiais entre os serviços da saúde, nem uma orientação clara ou mediação governamental que a incentive, como confirmado por várias fontes", escreve o diário de Madrid, relatando que "cada região está a travar a guerra contra o coronavírus a partir das suas próprias trincheiras. E com os seus próprios soldados: a transferência de pessoal entre os diferentes serviços de saúde é um emaranhado burocrático no qual, neste momento, nenhuma comunidade se deseja atolar".

Não há muitos exemplos significativos de cooperação. São os casos da entrega de ventiladores da Galiza à capital ou a transferência de 200 camas para um hospital na Comunidade de Madrid efetuado por Castilla-La Mancha na semana passada. Em todas as regiões os casos de internamento hospitalar estão em números muito elevados mas ainda há quem se disponibilize para receber infetados graves de outras zonas, como é exemplo a Andaluzia, onde hotéis e pavilhões funciona já como unidades de saúde, que se mostra pronta a acolher doentes: "A comunidade andaluza é solidária e todos somos espanhóis", disse o responsável regional pela área da Saúde.

Espanhóis temem desemprego

A cumprir o segundo de quarentena quase total, com todas as atividades não essenciais paradas até à Páscoa, a sociedade espanhola dá sinais de temer muito pelo futuro. A perda de emprego já é uma preocupação maior que a infeção por coronavírus, revela uma sondagem publicada hoje pelo jornal digital El Espanol. No topo das maiores preocupações, a infeção (45,1%) é superada pela falência dos negócios ou pela perda do emprego atual (50,2%).

Ainda assim, segundo o estudo de opinião, o contágio de familiares encabeça a lista de medos, com 79,2% dos espanhóis colocando-o como o maior receio. A recessão económica vem a seguir com 76,9%.

A polarização política não ajuda. Com um governo em que PSOE e Podemos têm as suas próprias divisões, as medidas tomadas estão a gerar uma forte reação crítica da oposição (PP e Vox) e das organizações patronais, insatisfeitas com o decreto que determinou a suspensão de muitas atividades produtivas. O governo de Pedro Sanchez procura acorrer a todas as situações de crise económica, com moratórias a serem preparadas para inquilinos e PME, entre outras medidas.

Lidando com o segundo pior surto na Europa depois da Itália, o governo espanhol avançou com as novas medidas mais restritivas para evitar o colapso na saúde. A paragem na atividade económica afeta especialmente os setores de construção e manufatura, como a Airbus, que foi forçada a parar a produção na Espanha.

A ministra do Orçamento, Maria Jesus Montero, disse que esta "hibernação" económica é necessária para combater a pandemia mas o principal grupo de lobby empresarial da Espanha, o CEOE, alertou imediatamente para um "impacto sem precedentes na economia espanhola". Há estimativas de que o desemprego pode chegar aos 35% e as falências serem superiores a 900 mil. O banco BBVA prevê uma quebra de 4% na atividade económica.

Mais de 12 mil médicos e enfermeiros infetados

Entre os profissionais de saúde a situação é dramática. Procuram fazer o seu trabalho com falta de meios e um contágio impressionante: são mais de 12 mil os médicos, enfermeiros e assistentes que foram infetados com covid-19. Há quem os defina como kamikazes, prontos a dar vida pelos outros como acontece de resto em vários países da Europa.

Precisam de boas notícias que tardam mas com alguns indicadores a serem positivos, como a curva de novos contágios. O número de novos casos tem reduzido e é uma lufada de esperança de que a crise sanitária pode entrar numa nova fase. Mas as próximas semanas vão ser ainda de muita pressão e muita dor, com um previsível elevado número de mortes nas semanas que se avizinham.

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