Coronavírus. Momentos chave para perceber a epidemia

COVID-19

Coronavírus. Momentos chave para perceber a epidemia

Do paciente zero no mundo até ao primeiro caso português, passando pela chegada do vírus à Europa ou pela declaração de emergência global. Estes são alguns dos momentos chaves da epidemia.

Começou na China e está a dar a volta ao mundo a uma velocidade difícil de deter. Apesar de os últimos dias terem revelado uma redução do contágio no epicentro da epidemia (a província chinesa de Hubei), na Europa - onde se espalhou por mais de metade dos países - surgem novos focos. Portugal confirmou, esta segunda-feira, os primeiros dois casos positivos: um médico de 60 anos que regressou do norte de Itália e um homem de 33, que trabalha em Valência (Espanha). Passaram dois meses desde que se começou a ouvir falar no novo coronavírus que recebeu o nome de Covid-19.

Paciente zero, início do surto: opiniões dividem-se

As autoridades chinesas situam temporalmente o primeiro caso de coronavírus a 31 de dezembro de 2019. A Organização Mundial de Saúde da China revelou ter detetado duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, na província de Hubei. No primeiro dia do novo ano (2020) é encerrado o mercado de marisco suspeito de estar na origem da contaminação, uma vez que todos os doentes tinham ligação ao local. A 4 de janeiro de 2020, eram já 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida.

No entanto, um estudo realizado por investigadores chineses e publicado na revista médica Lancet, avança que a primeira pessoa a ser diagnosticada com Covid-19 - o nome que a doença recebeu - aconteceu a 1 de dezembro de 2019 e que essa pessoa "não teve contacto" com o mercado de Wuhan.

Wu Wenjuan, médico no Hospital Jinyintan de Wuhan e um dos autores do estudo, disse à BBC que o paciente era um homem idoso que sofria de Alzheimer. "Morava a quatro ou cinco estações [de autocarro] do mercado de marisco e, como estava doente, basicamente não saiu [de casa]", revelou Wenjuan.

O médico disse ainda que três outras pessoas desenvolveram sintomas nos dias seguintes - duas delas nunca tinham estado no mercado de marisco. Os investigadores também descobriram que 27 pessoas de uma amostra de 41 pacientes internados no hospital nos estágios iniciais do surto tinham estado no mercado. A hipótese de que o surto tenha começado nesse local e que possa ter sido transmitida de um animal vivo para um hospedeiro humano antes de se espalhar de humano para humano ainda é considerada a mais provável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Vírus salta fronteiras. Primeiro Tailândia, depois Japão

Quatro dias depois, a 13 de janeiro, é registado o primeiro caso confirmado fora da China, na Tailândia. As autoridades japonesas admitem também que um japonês que viajou para Wuhan está infetado com o vírus. Na mesma semana, as autoridades de saúde chinesas confirmam que uma segunda pessoa morreu no país e os Estado Unidos começam a monitorizar os sintomas de passageiros à chegada aos aeroportos de São Francisco, Nova Iorque e Los Angeles.

Esta é a altura em que as autoridades confirmam que há transmissão do vírus entre seres humanos. O primeiro caso acontece na Coreia do Sul, a 20 de janeiro. As contas ainda são rápidas de fazer: 282 infetados, 278 na China, dois na Tailândia e um no Japão. No dia seguinte, é detetado o primeiro caso nos Estados Unidos, num doente em Washington que tinha regressado da cidade de Wuhan.

O coronavírus começa a ser detetado em mais países. Macau confirma o primeiro caso da doença e Wuhan prepara-se para se isolar do mundo: ninguém sai da cidade, ninguém está autorizado a entrar. Os transportes param.

Na penúltima semana de janeiro, Portugal anuncia que acionou os dispositivos de saúde pública e que o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, serão os hospitais de referência para onde serão encaminhados todos os pacientes suspeitos de estarem infetados pelo Covid-19. Rede é entretanto alargada.

Chegada à Europa por França

O Covid-19 chegou à Europa por França. A 24 de janeiro são registados os três primeiros casos, de acordo com o boletim informativo diário da OMS. Os três cidadãos franceses (um de Bordéus e dois de Paris) tinham estado na China e a contaminação aconteceu entre familiares. Foram remetidos de imediato a uma situação de isolamento e o ministério da saúde abriu uma investigação.

Um dia depois, é confirmado, pela Direção-Geral da Saúde, o primeiro caso suspeito em Portugal, cujas análises deram negativo. Seguiram-se outros 84 testes suspeitos até hoje, nas contas da autoridade de saúde portuguesa, mas até esta segunda-feira nenhum se tinha revelado positivo.

O Mecanismo Europeu de Proteção Civil foi ativado na mesma semana, a pedido de França, para repatriamento dos cidadãos franceses que estavam em Wuhan, o epicentro do vírus.

OMS declara emergência global

O desenvolvimento de casos fora da China levou a Organização Mundial de Saúde a declarar o estado de emergência global, a 30 de janeiro. Na altura, o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, admitiu maior preocupação com a possível velocidade de propagação em "países com sistemas de saúde frágeis e que não estão preparados para lidar com isto", apelando ao desenvolvimento de vacinas, terapias e diagnósticos. Embora tenha deixado logo claro que se opunha a restrições de viagens e trocas comerciais.

Um mês depois - a 28 de fevereiro - subia-se mais um patamar na escada da propagação do vírus. A OMS aumentou o nível de alerta para "muito elevado", numa altura em que já havia casos em mais 50 países no mundo, resguardando, por enquanto, a palavra mais temida: pandemia. Na última década, a OMS só avançou uma vez um alerta pandémico: durante a gripe A (2009). Depois disso, quer o Ébola (2013), o ressurgimento da Polio (2014) ou o Zika (2016) foram caracterizados como emergências internacionais.

O diretor dos programas de emergência da OMS, Michael Ryan, esclareceu que a pandemia é uma situação em que "todos os cidadãos estão expostos". A infeção por SARS-CoV-2 não está nesta fase.

Itália torna-se o epicentro do vírus na Europa

O paciente 0, em Itália, é uma incógnita e pode nunca vir a ser descoberto. Já o 1 é conhecido: Mattia, 38 anos. Jantou com os amigos, participou numa maratona, jogou futebol e o vírus encontrou assim o caminho para se espalhar por pelo menos 16 pessoas desde 21 de fevereiro, incluindo os profissionais de saúde com quem estabeleceu o primeiro contacto. Itália reagiu colocando de imediato em quarentena mais de 50 mil pessoas, isolando uma dezena de cidades e reagendado eventos desportivos e culturais. Até o emblemático carnaval de Veneza foi cancelado, deixando milhares de turistas desiludidos. Mas a semente já tinha sido lançada e Itália passou quase de imediato a ser o primeiro foco do surto na Europa e o quarto no mundo.

Em menos de 24 horas, a Itália anunciou a morte de duas pessoas: um homem de 78 anos e uma mulher de 75. As regiões mais afetadas eram a Lombardia e Veneto. No entanto, o último balanço aponta já para 52 mortes, praticamente todos idosos ou com doenças graves, e o número de infetados alcançou os 2 036, 350 nas últimas 24 horas.

A Europa optou por não encerrar as fronteiras e combater o vírus com informação. A Direção-Geral da Saúde anunciou a distribuição de folhetos informativos sobre o novo coronavírus aos voos que cheguem a Portugal provenientes de Itália.

Portugal resistiu até não poder mais

Foi um dos últimos países a confirmar casos de Covid-19, mas o inevitável chegou esta segunda-feira. O primeiro caso é de um médico de 60 anos, internado no Hospital de Santo António, que esteve de férias no norte de Itália e que sentiu os primeiros sintomas a 29 de fevereiro. O segundo paciente é um homem de 33 anos, internado no Hospital de São João, que manifestou os primeiros sintomas a 26 de fevereiro e tem ligação a Valência, Espanha. O estado de saúde de ambos é "estável", informaram a ministra e a diretora-geral da Saúde.

São o terceiro e o quarto cidadãos portugueses infetados com o vírus, uma vez que havia dois portugueses a bordo de um navio no Japão contaminados. Marta Temido - a ministra da Saúde - afirmou queos contactos destes dois pacientes "vão ser colocados em vigilância", indicando também que as Administrações Regionais de Saúde estão a trabalhar para a "identificação" destas pessoas e a avaliar o seu "grau de exposição" ao novo coronavírus.

Todas as autoridades de saúde admitem como provável um aumento dos casos nos próximos dias e insistem na necessidade de apostar na prevenção (lavar bem as mãos, manter uma distância social e contactar a linha SNS24 - 808 24 24 24 - em caso de suspeita).

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