China "fecha" a cidade de Wuhan. Risco "moderado" de vírus chegar à Europa

Autoridades chinesas param transportes na cidade onde surgiu o surto da nova pneumonia, O Centro Europeu de Controlo de Doenças considera "moderada" a probabilidade de o novo vírus chegar à Europa e pede aos serviços de saúde medidas de prevenção.

Com o número de casos a aumentar exponencialmente nos últimos dias na China - a contabilidade nesta quarta-feira estava em 548, 17 dos quais mortais, e com o primeiro doente já confirmado em Hong Kong e também em Macau - o Centro Europeu de Controlo de Doenças (CECD) considerou moderada a probabilidade de a nova pneumonia chegar ao espaço europeu.

Na China, no entanto, onde já dezenas de casos identificados em diferentes cidades, incluindo a capital, Pequim, e a moderna Xangai, o tom das autoridades de saúde aparenta mais apreensão acerca da dispersão da doença, até pelo contexto das celebrações do ano novo lunar, no próximo fim-de-semana, que são a grande ocasião para a reunião familiar.

Por causa disso, há, nesta altura, uma grande deslocação de pessoas - é maior anualmente, no planeta com 400 milhões de viajantes no país, mas também para dentro e fora dele -, e as autoridades temem que isso possa levar ao descontrolo na dispersão do vírus e a uma epidemia global.

Para tentar evitar que isso aconteça, a Comissão Nacional de Saúde da China encerraram estações de comboios e aeroportos da cidade de Wuhan, onde o surto emergiu no final de 2019, há menos de um mês, e apelou a que ninguém viaje de ou para a cidade. Está ainda montado um sistema de vigilância nos aeroportos, estações de comboios e autocarros, com monitorização da temperatura para identificar possíveis doentes.

Já o Centro Europeu de Controlo de Doenças frisou, por seu turno, a necessidade de os serviços de saúde dos respetivos países aplicarem medidas de prevenção e controlo adequadas à situação.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) informou esta quarta-feira que Portugal já fez acionar os dispositivos de saúde pública devido ao coronavírus proveniente da China e tem alerta o alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa.

Em conferência de imprensa, Graça Freitas, a diretora-geral de Saúde, apresentou os números mais recentes desta pneumonia vírica e face ao crescimento do número de infetados na China há "uma grande necessidade" de confirmar todos os casos reportados, porque para além do coronavírus há ainda vírus da gripe, que é menos grave, e por isso existe alguma discrepância nos números.

Em Portugal foram ativados os protocolos estabelecidos para situações do género, reforçando no Serviço Nacional de Saúde a linha Saúde 24, através do número 800242424, e a linha de apoio médico, para triagem e evitar que em caso de eventual contágio as pessoas não encham os centros de saúde e as urgências dos hospitais.

Graça Freitas adiantou que "não há casos suspeitos em Portugal" de infeções com o coronavírus, não existindo uma situação de alarme, mas por precaução está "com mais atenção" aos sete casos exportados fora da China.

Neste momento estão identificados casos da nova pneumonia na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Estados Unidos, que para já são casos únicos, à exceção da Tailândia, que registou dois, além Hong Kong, e de várias cidades na China.

A Comissão Nacional de Saúde da China, através do seu vice-ministro, Li Ben, afirmou esta quarta-feira que o repentino número elevado de casos no país, nos últimos dias, se deve a uma maior eficácia do diagnóstico e confirmou que um total de 2197 pessoas que estiveram em contacto direto com pessoas infetadas estão a ser rastreadas e que 1394 destas estão sob observação médica, o que faz supor que número de doentes pode ainda aumentar muito nos próximos dias.

Um novo vírus de origem desconhecida

A pneumonia viral que emergiu em Wuhan no final do ano passado é provocada por um novo coronavírus, anteriormente desconhecido da ciência, que os cientistas batizaram como 2019-nCoV, e que é aparentado daquele que em 2002 e 2003 causou uma epidemia global de um síndrome respiratório agudo (SARS, na sigla em inglês) com um saldo global de 774 vítimas mortais, em mais de oito mil casos.

Os coronavírus são um tipo de vírus que vivem noutros animais, como aves morcegos ou pequenos mamíferos e que no ser humano normalmente causam doenças respiratórias, desde uma constipação banal até aos casos mais graves de pneumonias. A maioria deles, porém, não infeta as pessoas. Entre os milhares de coronavírus que existem, apenas se conheciam até agora seis estirpes, o da SARS incluído, que passaram a barreira de espécies e infetam as pessoas - este novo é o sétimo.

O problema é que, pelo menos para já, pouco mais se sabe sobre o 2019-nCoV. O surto, isso é conhecido, emergiu num mercado de Wuhan, onde são comercializados muitos tipos diferentes animais vivos - o mercado foi encerrado e sujeito a desinfeção nos primeiros dias de janeiro - mas a fonte original do coronavírus é desconhecida. Poderão ser aves de capoeira, coelhos, cobras ou até morcegos, mas não há nenhuma certeza - os estudos decorrem ainda.

Esta quarta-feira, o diretor do gabinete de prevenção e controlo de doenças da China, Gao Fu, apontou que a fonte original mais provável do vírus serão animais selvagens que eram vendidos no mercado, à semelhança do que ocorreu na epidemia de SARS, em que a fonte original, como depois se verificou eram as civetas, um tipo de gato selvagem, também comercializadas em mercados da China.

Gao Fu, que foi citado no site noticioso da cadeia de rádio norte-americana NPR, baseou a afirmação em resultados preliminares de uma equipa de cientistas da Academia de Ciências Chinesa e do Instituto Pasteur de Xangai, que indicam que o reservatório original do novo coronavírus poderão ser morcegos, mas que entre eles e os humanos "poderá haver um intermediário ainda desconhecido".

Monitorização em aeroportos internacionais

Inúmeros países asiáticos já puseram em prática um sistema de monitorização dos viajantes procedentes da China nos principais aeroportos, e o mesmo está a acontecer nos aeroportos dos Estados Unidos que recebem voos procedentes da China.

O Reino Unido anunciou também esta quarta-feira que vão enviar equipas médicas para receber os passageiros que chegam de Wuhan, bem como a Itália, que vai controlar a temperatura dos passageiros no principal aeroporto de Roma (Fiumicino).

Em Londres, os três voos direitos semanais entre Wuhan e o aeroporto de Heathrow estão já a ser objeto de uma "vigilância reforçada", indicou o Ministério da Saúde britânico, considerando "baixo" o risco para a população do Reino Unido.

Outros países introduziram controlos sistemáticos de temperatura para viajantes provenientes da China, incluindo a Rússia (através de câmaras térmicas nos aviões) e a Tailândia.

Em Portugal, o Governo alertou também esta quarta-feira os portugueses que viagem para a China e zonas próximas que se informem sobre a evolução de um novo vírus e recomendou a turistas e residentes que se registem ou inscrevam no consulado.

No início da semana a Direção-Geral de Saúde reforçou as recomendações que já tinha emitido antes em relação às pessoas que viajem para aquela região da China para que "evitem contactos próximos com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas", que "lavem as mãos com frequência" e que, no caso de apresentarem sintomas de infeção respiratória, procurem atendimento clínico e reportem ao médico a viagem realizada.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG