OMS reúne comité de emergência para avaliar vírus de Wuhan

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reúne esta quarta-feira na Suíça o seu comité de emergência para avaliar se o surto de coronavírus com origem na China constitui uma emergência de saúde pública internacional.

A reunião, convocada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi agendada depois de conhecido um aumento significativo - para mais de 440 casos, incluindo nove mortes - de casos de infeção respiratória, denominada pneumonia viral, provocada por um novo coronavírus detetado na cidade chinesa de Wuhan.

O mesmo coronavírus foi detetado nas cidades chinesas de Pequim e de Shenzhen, em três pessoas que tinham estado recentemente em Wuhan, mas também há quatro casos reportados na Tailândia, no Japão e na Coreia do Sul e, foi entretanto confirmado, um em Macau. A doente, uma mulher, também passou pela cidade de Wuhan.

A ansiedade em torno da doença aumentou depois de um especialista do Governo chinês, Zhong Nanshan, ter anunciado que o novo coronavírus é transmissível entre seres humanos.

O vírus foi inicialmente detetado, no mês passado, em Wuhan, cidade do centro da China que é também um importante centro de transporte doméstico e internacional.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Segundo o ministério chinês dos Transportes, a China deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Esta semana foram diagnosticados novos casos em Pequim, Xangai e Shenzhen, que faz fronteira com Hong Kong. Todos estes pacientes visitaram Wuhan recentemente.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que "a fonte primária mais provável" de transmissão é animal, tendo os primeiros casos surgido em pessoas que contactaram com um mercado de pescado na cidade chinesa de Wuhan.

Quinze funcionários hospitalares também apresentaram teste positivo para o vírus, anunciou a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan.

Macau regista primeiro caso

As autoridades de Macau anunciaram esta quarta-feira que foi identificado no território o primeiro caso de vírus detetado na China. As autoridades anunciaram, em conferência de imprensa, uma série de medidas de reforço de prevenção e controlo para combater a transmissão deste novo coronavírus - como a medição de temperatura - junto dos casinos, nas fronteiras, nos espaços e serviços públicos, bem como durante a realização de grandes eventos, num momento em que Macau atrai milhares de pessoas durante o Ano Novo Lunar.

O caso detetado diz respeito a uma mulher de 52 anos, comerciante, oriunda da cidade chinesa de Wuhan, onde foi detetado o coronavírus, que chegou a Macau no dia 19 e que foi submetida a dois testes que confirmaram a doença. Atualmente em regime de isolamento, é considerada uma paciente de alto risco. A mulher infetada está a receber tratamento no Centro Hospitalar Conde de São Januário.

As autoridades sublinharam que não existe um surto na comunidade e frisaram que as visitas diárias nos hospitais vão ser reduzidas de dois períodos para apenas um. Também os espaços públicos estão a ser alvo de operações de limpeza, casos das paragens de autocarro e de táxis, e mercados municipais.

Recomendações da China

Dado o número de casos já registados, a Comissão Nacional de Saúde da China pediu esta quinta-feira à população que evite multidões e encontros em espaços públicos.

"Já há casos de transmissão e infeção entre seres humanos e funcionários de saúde infetados", disse Li Bin, vice-diretor da Comissão Nacional de Saúde, em conferência de imprensa. "As evidências demonstram que a doença foi transmitida por via respiratória e existe a possibilidade de uma mutação do vírus", detalhou.

Coreia do Norte proíbe entradada de turistas estrangeiros

Agências de viagens que organizam viagens à Coreia do Norte avançaram que o país proibiu a entrada de turistas estrangeiros por causa do surto. A maioria dos turistas na Coreia do Norte é oriunda da China. Em 2003, durante o surto de pneumonia atípica, a Coreia do Norte também fechou as suas fronteiras.

Vários países com ligações aéreas diretas ou indiretas a Wuhan estão a efetuar verificações sistemáticas de passageiros de voos oriundos de áreas consideradas de risco.

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