Questionado sobre as crianças ucranianas sequestradas pelas forças russas desde a invasão da Ucrânia, a fevereiro de 2022, Volodymyr Zelensky garantiu ter provas de que Moscovo as está a treinar para um dia combaterem contra o seu país. Numa entrevista exclusiva à estação americana CBS, o presidente ucraniano afirmou que “ensinaram estas crianças a odiar o seu país natal, a odiar o seu povo. E os ucranianos conseguem imaginar esses jovens ucranianos, rapazes jovens, a irem para o campo de batalha e a matarem ucranianos.”Esta é a primeira vez que Zelensky faz publicamente esta acusação, que vai além das provas documentadas de que a Rússia tem um programa para levar crianças ucranianas para campos de reeducação ou “russificação”. O presidente ucraniano não avançou, no entanto, quais as provas de que dispõe. Em 2023, o Tribunal Penal Internacional, em Haia, emitiu um mandado de detenção contra o presidente russo, Vladimir Putin, devido ao que designou como um programa de “deportação ilegal de população (crianças)”. O Kremlin classificou-o como um esforço humanitário para cuidar de órfãos de guerra e divulgou imagens de Putin e da responsável pelo programa, Maria Lvova-Belova - também ela acusada pelo TPI -, a abraçar algumas das crianças.Na mesma entrevista, transmitida este domingo (31), Zelensky alertou para a iminência de ataques russos em grande escala, combinando drones e mísseis, nas próximas “24 a 48 horas”. “Dispomos de dados de inteligência, confirmados pelos nossos parceiros americanos e europeus (…), que avisam que a Rússia está a preparar um ataque de grande envergadura”, garantiu o presidente ucraniano. E deixou o apelo à população ucraniana para que mantenha a máxima vigilância e se dirija aos abrigos assim que os alertas forem acionados, precisando que Moscovo se prepara para utilizar simultaneamente ondas de drones kamikaze e mísseis de cruzeiro e balísticos.Numa mensagem colocada nas redes sociais ao final da tarde, Zelensky explicou que as forças ucranianas atacaram durante a noite uma refinaria de petróleo na região russa de Saratov, a cerca de 700 quilómetros da linha da frente. Segundo o chefe de Estado ucraniano, os ataques visaram também alvos nas regiões de Rostov e Kirov, bem como uma base militar situada na costa do Mar Cáspio. O presidente explicou que as forças de Kiev estão a realizar missões de longo alcance e acrescentou que foram atingidos alvos na Rússia a até 1200 km da fronteira..Ucrânia compra 20 caças à Suécia e vai receber mais 16 como donativo