Ainda antes da chegada das comitivas à Marina de Ayia Napa, no sudeste de Chipre, onde teve lugar o primeiro dia do Conselho Europeu informal, os líderes dos 26 (o húngaro Viktor Orbán faltou à sua derradeira cimeira) já tinham motivos para sorrir. De Bruxelas tinha chegado a notícia da aprovação do empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, bem como do 20.º pacote de sanções à Rússia, bloqueados nos últimos meses pelos vetos de Hungria e Eslováquia, e que acontece após o petróleo russo ter voltado a circular esta semana no oleoduto Druzhba, com entregas confirmadas a Budapeste e Bratislava.E, apesar de a agenda dos dois dias de reunião prometer debates sobre como lidar com as consequências para a Europa da situação no Irão, defesa mútua e o próximo orçamento plurianual do bloco, este primeiro dia acabou por estar centrado nos desenvolvimentos do apoio à Ucrânia, cujas necessidades e situação no terreno seriam explicadas pessoalmente por Volodymyr Zelensky, que também marcou presença no Chipre. “Prometido, cumprido, implementado. A estratégia da UE para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia assenta em dois pilares: o fortalecimento da Ucrânia e o aumento da pressão sobre a Rússia. Hoje [esta quinta-feira, 23 de abril] avançámos em ambos: desbloqueámos o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, garantindo o apoio financeiro e militar para 2026-2027. Adotámos o 20.º pacote de sanções contra a Rússia, reduzindo a sua capacidade de travar guerras”, escreveu nas redes sociais o presidente do Conselho Europeu, António Costa. “A Europa mantém-se firme, unida e inabalável no seu apoio à Ucrânia.”Uma satisfação que foi partilhada por muitos líderes europeus - o francês Emmanuel Macron classificou a notícia como “um desenvolvimento muito positivo”, enquanto o estónio Kristen Michal sublinhou que “este apoio ajuda a Ucrânia a manter a sua posição” - mas também pelo presidente ucraniano. “Este pacote fortalecerá o nosso exército, tornará a Ucrânia mais resiliente e permitirá que cumpramos as nossas obrigações sociais para com os ucranianos, conforme estabelecido na lei. É importante que a Ucrânia esteja a garantir este nível de certeza financeira - após mais de quatro anos de guerra em grande escala”, escreveu o presidente ucraniano nas redes sociais, dizendo ainda que “estamos a trabalhar para garantir que a primeira tranche deste pacote de apoio esteja disponível já em maio-junho”.Mais tarde, numa declaração conjunta assinada por Costa, Zelensky e a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, e divulgada após um encontro trilateral (antes da cimeira informal), os três líderes congratularam-se com a aprovação do empréstimo, sublinhando “a importância da rápida implementação do empréstimo” e apontando que o primeiro desembolso deverá acontecer “no segundo trimestre” deste ano. Paralelamente, “solicitaram ainda que países terceiros auxiliem no preenchimento das restantes lacunas nas finanças da Ucrânia”.Entretanto, Ursula von der Leyen explicou ainda que “acordámos que um terço do empréstimo será destinado a despesas orçamentais e dois terços à defesa. E acredito que o primeiro pacote será para drones, drones da Ucrânia para a Ucrânia”.Ainda sobre Kiev outro tema andava na boca dos líderes europeus e que, apesar de não fazer parte da agenda do encontro desta quinta-feira, deveria ser discutido com Zelensky e a sós - o alargamento do bloco e a adesão da Ucrânia. Ou como resumiu o primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, a saída do poder de Viktor Orbán permitirá que o bloco se concentre “no alargamento também com a Ucrânia e a Moldávia”.Na verdade, a adesão de Kiev começou por ser falada no encontro entre Costa, Zelensky e von der Leyen, com o trio de presidentes a apelarem “à abertura imediata de grupos de negociação”, elogiando “os progressos em matéria de reformas que a Ucrânia alcançou até à data, apesar das circunstâncias desafiantes”.Kiev tem como desejo aderir à UE em menos de um ano, mas o primeiro-ministro da Croácia, o último país a juntar-se ao bloco, disse não acreditar “que seja realista que isso aconteça no dia 1 de janeiro de 2027”. Andrej Plenkovic lembrou que o processo de Zagreb “foi relativamente rápido”, mas ainda assim foram necessários “seis anos para negociar”..P&R. O que esperar da última reunião dos 27 de Orbán (na qual não estará presente)? .Hungria não cede e Europa falha aprovação de empréstimo a Kiev