Ucrânia: Putin ameaça apreender navios ocidentais como medida de retaliação
O Presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou esta quarta-feira (12 de agosto) apreender navios ocidentais em retaliação ao apresamento por países europeus de barcos suspeitos de pertencerem à “frota fantasma” russa.
A Suécia ou a França apresaram navios acusados de fazerem parte da frota utilizada por Moscovo para contornar as sanções ocidentais aplicadas desde que invadiu e iniciou a guerra contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Novas sanções, aprovadas pela UE no final de julho para fragilizar uma importante fonte de receitas para a Rússia, abrem caminho à venda do petróleo ou das mercadorias apreendidas nos navios apresados.
“Constatamos que as autoridades de alguns países (...) consideraram recentemente a possibilidade de apreender os nossos navios e vender os bens de que nos espoliaram”, afirmou Putin. Trata-se de “pirataria e banditismo”, avisou, em declarações à margem de exercícios navais no extremo oriente da Rússia, citadas pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Putin disse que se tal se concretizar, Moscovo vai “responder de forma simétrica”, onde considerar “necessário e adequado”. “Em qualquer lugar”, acrescentou.
A Suécia decidiu entregar à Ucrânia um cargueiro da “frota fantasma” russa, apresado no início de março e que transportava, segundo Kiev, trigo ucraniano roubado dos territórios ocupados.
Vladimir Putin falava a bordo do cruzador russo “Varyag”, ao largo da ilha de Sacalina, onde a marinha russa está a realizar exercícios. As manobras ocorrem uma semana antes de exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, destinados a simular um eventual ataque da Coreia do Norte. As tensões são elevadas na região, com Kiev e Seul a acusarem Pyongyang e Moscovo de intensificarem a cooperação militar. A Coreia do Norte enviou tropas para ajudar a Rússia a combater as forças ucranianas na região fronteiriça russa de Kursk em agosto de 2024.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou esta semana Moscovo de usar mísseis norte-coreanos para atacar a Ucrânia e denunciou planos para Pyongyang enviar 30.000 a 50.000 soldados para a Rússia.
A Coreia do Norte tornou-se um dos parceiros militares mais próximos da Rússia desde que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, apoiou a invasão russa da Ucrânia, culpando a “política hegemónica” dos Estados Unidos e dos países ocidentais.
Putin e Kim visitaram-se em 2023 e 2024, e assinaram há dois anos, em Pyongyang, um tratado de parceria estratégica que formalizou uma aliança militar. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, em violação de sanções do Conselho de Segurança da ONU, de que a Rússia é membro permanente, decretadas contra a Coreia do Norte.

