Tudo o que se sabe sobre a tragédia na Suíça. Jovem promessa do golfe é a primeira vítima mortal confirmada
FOTO: EPA/ALESSANDRO DELLA VALLE

Tudo o que se sabe sobre a tragédia na Suíça. Jovem promessa do golfe é a primeira vítima mortal confirmada

Pelo menos 47 pessoas morreram e 115 ficaram feridas na noite de passagem de ano no incêndio num bar de Crans-Montana. Autoridades ainda investigam e lidam com dificuldades em identificar da vítimas.
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Aquilo que era para ser uma noite de festa para celebrar a entrada no Ano Novo tornou-se na "numa das piores tragédias que o país já conheceu", de acordo com as palavras de Guy Parmelin, presidente da Confederação Suíça.

O bar Le Constellation, na estância de esqui de Crans-Montana, no cantão de Valais, tornou-se num autêntico inferno, onde 47 pessoas morreram e 115 ficaram feridas, devido ao incêndio que deflagrou quando se celebrava a entrada em 2026.

Numa altura em que as autoridades investigam as causas do incêndio e ainda realizam os difíceis trabalhos de identificação das vítimas mortais, o que se sabe afinal sobre a primeira grande tragédia de 2026?

Alerta dado às 1h30 de 1 de janeiro

O chefe da polícia do cantão de Valais, Frédéric Gisler, revelou nas primeiras horas após a tragédia que foi por volta das 1h30 (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, 1 de janeiro, que foi visto fumo a sair do bar Le Constellation, localizado na estância de esqui de Crans-Montana.

Foi por volta dessa hora que surgiu a primeira chamada de alerta para o incêndio. "De imediato, foi acionado o alarme vermelho, utilizado para mobilizar os bombeiros", relatou Gisler, acrescentando que "rapidamente o fogo foi controlado" e os feridos começaram logo a receber assistência.

O que esteve na origem do incêndio?

As investigações ainda decorrem, mas várias testemunhas contaram a jornais suíços, italianos e franceses que na origem do incêndio deverá ter estado um engenho pirotécnico preso a gargalos de garrafas de champanhe, sendo que uma delas era empunhada por uma mulher que estava aos ombros de um homem. O lume projetado pelo engenho pirotécnico, ao entrar em contacto com o teto do estabelecimento, terá então dado origem ao incêndio.

"Parece-me que havia senhoras, com garrafas de champanhe nas mãos e pequenos sinalizadores. Elas estavam muito, muito perto do teto e de repente pegou fogo", disse uma testemunha ao jornal italiano Local Team, referindo que era algo normal no bar quando clientes que faziam pedidos especiais.

Esta é uma teoria que ganha força depois de nas redes sociais terem surgido imagens desse momento, já com o teto de madeira em chamas.

(Ver imagem em baixo)

Com as chamas a propagarem-se, muitas pessoas tentaram desesperadamente escapar subindo uma escada estreita e passando por uma porta estreita, o que provocou uma enorme aglomeração de pessoas.

Uma das pessoas que estava no local revelou à estação de televisão francesa BFMTV, que algumas pessoas partiram janelas para escapar do incêndio e que algumas ficaram gravemente feridas. Essa mesma testemunha disse ainda visto cerca de 20 pessoas a lutar para sair do fumo e das chamas, comparando mesmo aquele cenário a "um filme de terror".

O bar respeitava as regras de segurança?

O Le Constellation tinha capacidade para 300 pessoas no seu interior, mais 40 no terraço. Na cave do estabelecimento, onde terá começado o incêndio, eram realizadas festas e eventos, que de acordo com várias testemunhas estava ligado ao piso térreo por uma escada estreita, que Béatrice Pilloud, procuradora-geral de Valais, não confirmou, limitando-se a dizer que "a investigação servirá para determinar se todas as normas de segurança foram respeitadas", nomeadamente no que diz respeito às saídas de emergência.

A verdade que é várias testemunhas revelaram que não encontraram as sinalizações para as saídas de emergência.

Jovem promessa do golfe é a primeira vítima mortal identificada

Há até ao momento uma vítima mortal identificada. Trata-se do italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos, que era uma grande promessa do golfe mundial.

A Federação Italiana de Golfe, através de uma publicação nas redes sociais, já homenageou um "jovem atleta que personificava paixão e valores autênticos".

A agência Reuters revela que o jogador de golfe italiano morava no Dubai, mas estava de férias em Crans-Montana com a família, e estava no bar com dois amigos, que conseguiram escapar do incêndio e foram transportados para hospitais da região.

Apesar de já se saber o nome da primeira vítima mortal, as autoridades ainda não a confirmaram. Frédéric Gisler apenas afirmou que "tendo em conta a natureza internacional do resort de Crans, é expectável que hajam vítimas de várias nacionalidades". "Estamos em contato próximo com as famílias, que estamos a informar em tempo real", acrescentou o chefe da polícia do cantão de Valais.

Antonio Tajani, ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, revelou já esta sexta-feira que 13 italianos permanecem hospitalizados, cinco dos quais sofreram "ferimentos graves e queimaduras", acrescentando que outros seis cidadãos italianos estão desaparecidos. Tajani revelou ainda também disse que três dos 115 feridos hospitalizados ainda não foram identificados devido à gravidade dos ferimentos.

Um dos feridos graves já identificados é o futebolista francês Tahirys Dos Santos, de 19 anos, que representa o FC Metz, tendo sido transferido de avião para um hospital da Alemanha, onde recebe tratamento às queimaduras que sofreu.

Como estão a ser identificadas as vítimas?

De acordo com a agência Reuters, as autoridades locais estão a enfrentar grandes dificuldades na identificação das vítimas mortais do incêndio pelo facto de muitos dos corpos estarem autenticamente irreconhecíveis devido às queimaduras que sofreram.

“Todo o trabalho tem de ser feito com minúcia porque a informação é tão terrível e sensível que não podemos informar as famílias sem termos 100% de certezas”, disse Mathias Reynard, chefe de governo do cantão de Valais, revelando ainda que especialistas forenses estão a usar amostras dentárias e de ADN para conseguir fazer a identificação das vítimas.

Casal francês é dono do bar desde 2015

O bar Le Constellation é propriedade de um casal francês, da Córsega, que estava presente na festa. A mulher ficou ferida num braço, enquanto o homem não sofreu quaisquer queimaduras e encontra-se bem.

De acordo com a AFP, depois de consultar o registo comercial cantonal de Valais, o estabelecimento pertence a Jacques e Jessica M. desde 2015.

Jacques M. nasceu em Ghisonaccia, na Córsega, e estabeleceu-se no planalto de Valais no início dos anos 2000. Já Jessica M. cresceu na Riviera francesa. Conheceram-se e casaram na Córsega e mais tarde adquiriram o o Le Constellation, que era um bar abandonado e transformaram-no num local de festas que se tornou muito popular na época alta de esqui.

O casal tem outros dois estabelecimentos em Crans-Montana e na vila vizinha de Lens: o bar-restaurante Le Senso e a estalagem Le Vieux-Chalet.

O jornal Nice-Matin revelou que perderam vários funcionários na tragédia e que se encontram profundamente abalados com o que aconteceu.

O que torna a estância de Crans Montana tão concorrida?

Crans Montana é uma estância de desportos de inverno que atrai turistas de todo o mundo e localiza-se no coração dos Alpes suíços, situada cerca de 40 quilómetros a norte do Matterhorn, um dos mais famosos picos alpinos, com uma população de cerca de 10.000 pessoas.

Com pistas de esqui a cerca de 3.000 metros de altitude no coração dos picos nevados e florestas de pinheiros da região de Valais, Crans-Montana é um dos melhores locais do circuito da Taça do Mundo.

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