Aquilo que era para ser uma noite de festa para celebrar a entrada no Ano Novo tornou-se na "numa das piores tragédias que o país já conheceu", de acordo com as palavras de Guy Parmelin, presidente da Confederação Suíça. O bar Le Constellation, na estância de esqui de Crans-Montana, no cantão de Valais, tornou-se num autêntico inferno, onde 47 pessoas morreram e 115 ficaram feridas, devido ao incêndio que deflagrou quando se celebrava a entrada em 2026.Numa altura em que as autoridades investigam as causas do incêndio e ainda realizam os difíceis trabalhos de identificação das vítimas mortais, o que se sabe afinal sobre a primeira grande tragédia de 2026?Alerta dado às 1h30 de 1 de janeiroO chefe da polícia do cantão de Valais, Frédéric Gisler, revelou nas primeiras horas após a tragédia que foi por volta das 1h30 (00h30 em Lisboa) de quinta-feira, 1 de janeiro, que foi visto fumo a sair do bar Le Constellation, localizado na estância de esqui de Crans-Montana.Foi por volta dessa hora que surgiu a primeira chamada de alerta para o incêndio. "De imediato, foi acionado o alarme vermelho, utilizado para mobilizar os bombeiros", relatou Gisler, acrescentando que "rapidamente o fogo foi controlado" e os feridos começaram logo a receber assistência.O que esteve na origem do incêndio?As investigações ainda decorrem, mas várias testemunhas contaram a jornais suíços, italianos e franceses que na origem do incêndio deverá ter estado um engenho pirotécnico preso a gargalos de garrafas de champanhe, sendo que uma delas era empunhada por uma mulher que estava aos ombros de um homem. O lume projetado pelo engenho pirotécnico, ao entrar em contacto com o teto do estabelecimento, terá então dado origem ao incêndio."Parece-me que havia senhoras, com garrafas de champanhe nas mãos e pequenos sinalizadores. Elas estavam muito, muito perto do teto e de repente pegou fogo", disse uma testemunha ao jornal italiano Local Team, referindo que era algo normal no bar quando clientes que faziam pedidos especiais.Esta é uma teoria que ganha força depois de nas redes sociais terem surgido imagens desse momento, já com o teto de madeira em chamas. (Ver imagem em baixo).Com as chamas a propagarem-se, muitas pessoas tentaram desesperadamente escapar subindo uma escada estreita e passando por uma porta estreita, o que provocou uma enorme aglomeração de pessoas.Uma das pessoas que estava no local revelou à estação de televisão francesa BFMTV, que algumas pessoas partiram janelas para escapar do incêndio e que algumas ficaram gravemente feridas. Essa mesma testemunha disse ainda visto cerca de 20 pessoas a lutar para sair do fumo e das chamas, comparando mesmo aquele cenário a "um filme de terror"..O bar respeitava as regras de segurança?O Le Constellation tinha capacidade para 300 pessoas no seu interior, mais 40 no terraço. Na cave do estabelecimento, onde terá começado o incêndio, eram realizadas festas e eventos, que de acordo com várias testemunhas estava ligado ao piso térreo por uma escada estreita, que Béatrice Pilloud, procuradora-geral de Valais, não confirmou, limitando-se a dizer que "a investigação servirá para determinar se todas as normas de segurança foram respeitadas", nomeadamente no que diz respeito às saídas de emergência.A verdade que é várias testemunhas revelaram que não encontraram as sinalizações para as saídas de emergência.Jovem promessa do golfe é a primeira vítima mortal identificadaHá até ao momento uma vítima mortal identificada. Trata-se do italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos, que era uma grande promessa do golfe mundial.A Federação Italiana de Golfe, através de uma publicação nas redes sociais, já homenageou um "jovem atleta que personificava paixão e valores autênticos". A agência Reuters revela que o jogador de golfe italiano morava no Dubai, mas estava de férias em Crans-Montana com a família, e estava no bar com dois amigos, que conseguiram escapar do incêndio e foram transportados para hospitais da região..Apesar de já se saber o nome da primeira vítima mortal, as autoridades ainda não a confirmaram. Frédéric Gisler apenas afirmou que "tendo em conta a natureza internacional do resort de Crans, é expectável que hajam vítimas de várias nacionalidades". "Estamos em contato próximo com as famílias, que estamos a informar em tempo real", acrescentou o chefe da polícia do cantão de Valais.Antonio Tajani, ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, revelou já esta sexta-feira que 13 italianos permanecem hospitalizados, cinco dos quais sofreram "ferimentos graves e queimaduras", acrescentando que outros seis cidadãos italianos estão desaparecidos. Tajani revelou ainda também disse que três dos 115 feridos hospitalizados ainda não foram identificados devido à gravidade dos ferimentos. Um dos feridos graves já identificados é o futebolista francês Tahirys Dos Santos, de 19 anos, que representa o FC Metz, tendo sido transferido de avião para um hospital da Alemanha, onde recebe tratamento às queimaduras que sofreu..Como estão a ser identificadas as vítimas?De acordo com a agência Reuters, as autoridades locais estão a enfrentar grandes dificuldades na identificação das vítimas mortais do incêndio pelo facto de muitos dos corpos estarem autenticamente irreconhecíveis devido às queimaduras que sofreram.“Todo o trabalho tem de ser feito com minúcia porque a informação é tão terrível e sensível que não podemos informar as famílias sem termos 100% de certezas”, disse Mathias Reynard, chefe de governo do cantão de Valais, revelando ainda que especialistas forenses estão a usar amostras dentárias e de ADN para conseguir fazer a identificação das vítimas.Casal francês é dono do bar desde 2015O bar Le Constellation é propriedade de um casal francês, da Córsega, que estava presente na festa. A mulher ficou ferida num braço, enquanto o homem não sofreu quaisquer queimaduras e encontra-se bem.De acordo com a AFP, depois de consultar o registo comercial cantonal de Valais, o estabelecimento pertence a Jacques e Jessica M. desde 2015. Jacques M. nasceu em Ghisonaccia, na Córsega, e estabeleceu-se no planalto de Valais no início dos anos 2000. Já Jessica M. cresceu na Riviera francesa. Conheceram-se e casaram na Córsega e mais tarde adquiriram o o Le Constellation, que era um bar abandonado e transformaram-no num local de festas que se tornou muito popular na época alta de esqui. O casal tem outros dois estabelecimentos em Crans-Montana e na vila vizinha de Lens: o bar-restaurante Le Senso e a estalagem Le Vieux-Chalet. O jornal Nice-Matin revelou que perderam vários funcionários na tragédia e que se encontram profundamente abalados com o que aconteceu.O que torna a estância de Crans Montana tão concorrida?Crans Montana é uma estância de desportos de inverno que atrai turistas de todo o mundo e localiza-se no coração dos Alpes suíços, situada cerca de 40 quilómetros a norte do Matterhorn, um dos mais famosos picos alpinos, com uma população de cerca de 10.000 pessoas.Com pistas de esqui a cerca de 3.000 metros de altitude no coração dos picos nevados e florestas de pinheiros da região de Valais, Crans-Montana é um dos melhores locais do circuito da Taça do Mundo..Cerca de 40 mortos em estância de esqui na Suíça, numa "das piores tragédias" do país. Até agora não há portugueses entre as vítimas.“Momento de alegria transformou-se em tragédia”: pelo menos 40 mortos em Crans-Montana."Muitas ambulâncias e polícia", relata portuguesa que vive a poucos metros do local da tragédia na Suíça