Um incêndio num bar da estância de esqui em Crans-Montana, no sudoeste da Suíça, fez "cerca de 40" mortos, durante as celebrações de Ano Novo, disse esta quinta-feira, 1 de janeiro, o comandante da polícia do cantão de Valais, Frédéric Gisler, na mais recente atualização das autoridades helvéticas. Antes, não tinha sido confirmado o número de vítimas mortais.As autoridades suíças registaram "115" feridos, a maioria em estado grave, e referiram que o incêndio no Le Constellation Bar and Lounge não estava a ser tratado como um ataque. Não foram feitas detenções nem há suspeitos.Stephane Ganzer, chefe de segurança do cantão de Valais, afirmou que entre as vítimas estarão cidadãos de outros países. Trata-se de uma "estância de esqui de renome internacional com muitos turistas", descreveu a polícia suíça. "Uma das piores tragédias que o nosso país já viveu", reconheceu o presidente suíço, Guy Parmelin, que esteve na conferência de imprensa ao lado das autoridades locais. O chefe de Estado anunciou que as bandeiras ficarão a meia haste durante cinco dias. Ao final da tarde, decorreu no local uma vigília em homenagem às vítimas.. Parmelin assegurou que a Suíça fará o que estiver ao seu alcance para que "tudo se processe da forma mais rápida e eficaz possível" e agradeceu aos países que ofereceram ajuda, sobretudo os países vizinhos, que se disponibilizaram para acolher os feridos.“Alguns desses países irão colaborar com a Suíça para receber aqueles que sofreram queimaduras muito graves, pois essas pessoas precisam de ser atendidas muito rapidamente”, afirmou, depois de ter estado no local da tragédia. O presidente suíço falou ainda na identificação das vítimas do incêndio, um "processo que não deve ser subestimado", disse. "Para uma família, não saber se o seu filho está no hospital ou se morreu é extremamente difícil", realçou. . O Governo informou que “até ao momento não há indicação” de vítimas de nacionalidade portuguesa, disse à Lusa, fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), referindo que é necessário esperar, tendo em conta o número de portugueses que vive na Suíça e no Cantão de Valais, onde ocorreu o incêndio. Anteriormente, ao DN, fonte oficial do MNE informou que o Governo estava a "acompanhar" a situação e "à espera de mais informação para saber nacionalidade das vítimas".Segundo dados oficiais do MNE, na Suíça o total de portugueses ronda os 280 mil e neste cantão de Valais existem 64 mil.O Executivo liderado por Luís Montenegro partilhou, entretanto, nas redes sociais, uma mensagem de solidariedade para com os familiares das vítimas, dando conta das diligências para saber se há cidadãos portugueses entre as vítimas."O Governo lamenta profundamente a trágica explosão ocorrida na Suíça, que causou numerosas vítimas, exprimindo solidariedade às famílias e autoridades. Em contexto muito complexo, continuam as diligências para apurar se há nacionais portugueses entre as vítimas desta tragédia", lê-se na nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros.. Foi já confirmado que dois cidadãos franceses estão entre os feridos deste incêndio. De acordo com o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, "foram imediatamente encaminhados para atendimento pelos serviços de emergência". De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, 16 cidadãos italianos foram dados como desaparecidos após o incêndio, Antonio Tajani disse ainda que cerca de 12 italianos foram encaminhados para unidades hospitalares.O incêndio aconteceu quando eram 01h30 (00h30 em Lisboa) durante os festejos de Ano Novo, quando estariam mais de 100 pessoas dentro do estabelecimento. Foram acionados 13 helicópteros e 42 ambulâncias para transportar as vítimas às unidades hospitalares e o espaço aéreo foi encerrado.O presidente do Conselho de Estado do cantão de Valais, Mathias Reynard, disse que cerca de 35 pessoas procuraram ajuda por conta própria, enquanto outras 80 receberam atendimento hospitalar. Afirmou ainda ser provável que nas próximas horas seja feita a transferência de feridos para países vizinhos que se mostraram disponíveis para ajudar as autoridades suíças. "Por volta da 01h30 foi visto fumo a sair de um bar no centro da estância de Crans", tendo sido feito o contacto para as autoridades, disse o comandante da polícia do cantão de Valais, Frédéric Gisler, aos jornalistas. "A prioridade foi dada à assistência às vítimas, prestando-lhes ajuda e transportando-as para vários hospitais", acrescentou.Os primeiros elementos das equipas de emergência, bombeiros e agentes da polícia, que chegaram ao local encontraram "um cenário de caos, uma cena dramática", disse o chefe de segurança do cantão de Valais.O presidente do Conselho de Estado e chefe do Departamento de Saúde, Mathias Reynard, afirmou que a unidade de cuidados intensivos do hospital de Valais atingiu o limite da sua capacidade, pelo que algumas vítimas com queimaduras graves "foram transferidas para outros hospitais universitários na Suíça".De acordo com os media suíços, o Hospital Universitário de Lausanne admitiu 22 feridos, com idades entre os 16 e 26 anos. "São os casos mais graves", referiu Claire Charmet, diretora-geral do Hospital Universitário de Lausanne, um dos dois centros hospitalares especializado em queimaduras no país. O outro é o Hospital Universitário de Zurique, que recebeu mais de 12 vítimas do incêndio no bar da estância de esqui. .Processo de identificação das vítimas pode durar "vários dias". Declarado estado de emergência em Valais.Desconhecem-se, para já, as causas do incêndio, estando a decorrer uma investigação "para identificar as circunstâncias que levaram a esta situação dramática", disse Beatrice Pilloud, procuradora-geral do cantão de Valais."Estamos a considerar a hipótese de um incêndio e, em nenhum momento, há indícios de qualquer ataque", indicou a procuradora-geral, referindo que está a decorrer a identificação das vítimas de modo. As autoridades admitiram que este seria um processo demorado, com o comandante da polícia do cantão de Valais a assumir que a identificação das vítimas mortais poderá durar "vários dias". Beatrice Pilloud informou, num primeiro balanço das autoridades, que estão a ser "investidos muitos recursos na perícia forense para identificar as vítimas". "Esses recursos têm como objetivo permitir que entreguemos os corpos às famílias o mais rápido possível", afirmou.Perante o incêndio na estância de esqui, as autoridades do cantão de Valais declararam estado de emergência de modo a acionar todos os recursos durante o tempo necessário. "Dada a gravidade da situação e os acontecimentos da noite passada, o Conselho de Estado decidiu esta manhã declarar uma situação especial, conforme permitido pela Lei de Proteção da População", disse Stephane Ganzer, chefe de segurança do cantão de Valais. .Testemunhas relatam momentos de "pânico". "Todo o teto estava em chamas".Foram momentos de "verdadeiro pânico" vividos no interior do Le Constellation Bar numa noite que deveria ter sido de festa para dar as boas-vindas a 2026, segundo o relato de duas jovens francesas à BFMTV. Emma e Albane conseguiram escapar ao incêndio, mas recordaram o que viram no interior do estabelecimento. Referiram que o incêndio teve origem nas "velas de aniversário" colocadas pelas empregadas de mesa nas garrafas de champanhe. Uma das velas teria ficado muito próxima do teto, "que pegou fogo". "Em poucos segundos, todo o teto estava em chamas. Era tudo de madeira", explicou uma das testemunhas. "Toda a gente gritava", lembraram.A festa de passagem de ano estava a decorrer na cave do bar e as chamas rapidamente se propagaram para o piso superior, relataram ainda."A porta de saída era bastante pequena para o número de pessoas presentes. Alguém partiu uma janela para que as pessoas pudessem sair" contou uma das jovens. "Tínhamos chamas a um metro de nós, se não tivéssemos saído a correr, certamente também teríamos ficado feridas", assegurou uma das testemunhas.Outra testemunha, Adrien, referiu-se ao que aconteceu na noite da passagem de ano como tendo sido um "filme de terror". Viu da rua "fumo branco muito espesso" a sair do bar Le Constellation. "Vimos as chamas ao fim de cinco, dez minutos, e as pessoas a sair todas em desordem, a partir os vidros, homens em sofrimento e mulheres com as roupas queimadas, a chorar, a gritar, pessoas que não sabiam se os seus entes queridos estavam lá dentro", relatou à emissora francesa.À Sky News, Samuel Rapp contou que a maioria das pessoas tentou escapar às chamas pela saída principal. "As pessoas gritavam, vi muitas pessoas no chão. Acho que algumas estavam mortas, pois alguém colocou um casaco sobre o rosto de uma delas", afirmou o jovem, que disse ter ouvido várias pessoas que se encontravam no chão a pedir ajuda. "É horrível. Havia pessoas entre os 16 e os 18 anos", relatou.O presidente suíço manifestou consternação pelo que aconteceu na última noite e adiou o habitual discurso de Ano Novo. "O que deveria ter sido um momento de alegria transformou-se num dia de luto em Crans-Montana no dia de Ano Novo, uma tragédia que afetou todo o país" e além fronteiras, declarou, na rede social X, Guy Parmelin. .Também o presidente francês, Emmanuel Macron, reagiu nas redes sociais à tragédia em Crans-Montana, manifestando "total solidariedade" e "apoio fraterno" à Suíça. Entre os feridos, recorde-se, há dois cidadãos franceses..UE em contacto com autoridades suíças para prestar assistência médicaA Comissão Europeia disse estar "em contacto" com as autoridades suíças para prestar assistência médica às vítimas, após o incêndio que deflagrou esta madrugada num bar da estância de ski de Crans Montana, na Suíça."Estou profundamente triste com o incêndio que deflagrou em Crans-Montana. Os meus pensamentos estão com as vítimas, as suas famílias e todas as pessoas afetadas", escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.Ursula von der Leyen indicou ainda que as suas equipas estavam em contacto com a Suíça, que ativou o mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE).Trata-se de um sistema através do qual qualquer país do mundo pode pedir assistência a Bruxelas quando as suas capacidades de resposta são ultrapassadas por uma situação de emergência."Estamos em contacto com as autoridades suíças para prestar assistência médica às vítimas", através deste mecanismo, afirmou a presidente da Comissão Europeia, numa publicação na rede social X.Em atualização."Muitas ambulâncias e polícia", relata portuguesa que vive a poucos metros do local da tragédia na Suíça