As autoridades suíças anunciaram esta sexta-feira (2 de janeiro) que entre os feridos da tragédia de Crans-Montana há uma cidadã portuguesa, sendo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou depois que havia outra portuguesa desaparecida em resultado do incêndio no bar Le Constellation, na noite de passagem de ano. No entanto, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas corrigiu a informação e explicou que a emigrante portuguesa que tinha sido dada como ferida não foi uma das vítimas da tragédia e estava no hospital de Sion devido a um "pequeno acidente doméstico".A emigrante portuguesa tinha-se dirigido ao hospital de Sion na noite de 31 de dezembro "devido a um pequeno acidente doméstico", explicou o secretário de Estado, Emídio Sousa, que indicou que esta informação lhe foi confirmada pela cônsul-geral em Genebra, Maria Leonor Penalva Esteves."A cidadã portuguesa já teve alta hospitalar", acrescentou.Permanece desaparecida uma cidadã portuguesa, originária de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro. Todavia, não se conhecem ainda os contornos do seu desaparecimento e se este está relacionado com o incêndio na estação de esqui.Segundo Emídio Sousa, foi criada uma linha de apoio junto da embaixada e do consulado português na Suíça para que as pessoas que tivessem algum ente próximo desaparecido - familiar ou amigo - informassem o ministério dado que existem corpos por identificar e porque "muitas das vítimas estão internadas, mas não estão identificadas".O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinha manifestado a sua solidariedade às famílias das vítimas portuguesas do incêndio."Perante o conhecimento da existência de uma compatriota ferida e a possível ocorrência da morte de outra compatriota, o Presidente da República manifesta a sua solidariedade às suas famílias neste momento tão difícil", escreveu Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem publicada no portal da Presidência na Internet antes da informação ter sido corrigida pelo Governo.Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, revelara em entrevista à SIC Notícias que a portuguesa ferida - e que afinal não tem nada a ver com a tragédia - "é uma senhora na casa dos 40 anos, chama-se Liliana Mateus Batista, é emigrante na Suíça e originária de Vale de Telhas, em Mirandela", acrescentando que a família já estava informada que se encontra no hospital de Sion "com ferimentos", citando uma primeira informação de que se trata de uma fratura, mas ainda não existe confirmação oficial.No que diz respeito à outra portuguesa desaparecida, Emídio Sousa disse tratar-se de Fani Pinheiro Guimarães, de 22 anos, também emigrante na Suíça e natural de Santa Maria da Feira. "Os familiares e amigos relataram que está desaparecida, aguardamos essa confirmação que ela estivesse no local do acidente", referiu.O secretário de Estado salientou que Portugal está completamente disponível para "tudo o que seja necessário" e que confia que as autoridades suíças "estão à altura deste desafio". "Portugal também já disponibilizou, através do mecanismo de solidariedade europeu, duas vagas - através da proteção civil - para recolher queimados: uma no Porto e outra em Lisboa. Os suíços ainda não acionaram essa nossa oferta, mas se for necessário estaremos disponíveis para apoiar", acrescentou..Dificuldades em identificar os mortos e investigação aponta para "sinalizadores"Em conferência de imprensa, na Suíça, Mathias Reynard, chefe do governo do cantão de Valais, revelou que entre os 119 feridos já identificados há 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, um sérvio, um bósnio, um belga, um polaco, um luxemburguês e um português. Metade destas vítimas foram levadas para o Hospital de Valais.O mesmo responsável diz que, até o momento, sabe-se que 40 pessoas morreram no incêndio, ao mesmo tempo que admite que as famílias passam por uma "espera insuportável" devido à demora da identificação dos corpos das vítimas mortais."Esta é uma tragédia para Valais. É também uma tragédia para a Suíça e para toda a Europa", afirmou.O chefe de polícia do cantão de Valais, Frederic Gisler, confirmou que a "tarefa mais importante" neste momento é identificar os mortos, tendo Pierre-Antoine Lengen, chefe da polícia criminal da região, dito que a efetuar esta difícil operação estão médicos legistas especializados, dentistas e policiais. "Impressões digitais, objetos, roupas e amostras de ADN estão a ser examinados", assumiu.Na mesma conferência de imprensa, Beatrice Pilloud, procuradora-geral do Valais, assumiu que o Ministério Público está "a fazer todos os esforços para determinar as circunstâncias deste trágico acontecimento", admitindo que o incêndio terá começado "com velas de faísca, também conhecidas como sinalizadores, que foram colocadas em cima de garrafas de champanhe".Pilloud confirma que esses sinalizadores "foram levados muito perto do teto", o que "levou ao chamado de flashover, com o fogo a espalhar-se muito rapidamente".A procuradora confirmou ainda que os dois proprietários do bar, o casal francês Jacques e Jessica Moretti, já foram interrogados pelas autoridades.Stephane Ganzer, chefe de segurança de Valais, garante que não foram recebidas denúncias relativas a alguns problemas de segurança do bar e deixou a certeza de que, ao contrário de alguns relatos, o estabelecimento tinha mais de uma saída de emergência. "Aparentemente, a maioria das pessoas tentou sair pela entrada principal, pois devido ao pânico não conseguiram encontrar as saídas de emergência", sublinhou.No incêndio no bar Le Constellation, na estância de neve em Crans-Montana, na noite de Ano Novo, morreram 40 pessoas. Só a identidade de um é conhecida, trata-se de um jovem de 16 anos, Emanuele Galeppini, que era uma das grandes esperanças do golfe mundial..Tudo o que se sabe sobre a tragédia na Suíça. Jovem promessa do golfe é a primeira vítima mortal confirmada.“Momento de alegria transformou-se em tragédia”: pelo menos 40 mortos em Crans-Montana