O presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, tinha preparada uma mensagem de paz e de confiança para o início de 2026, no dia em que assumiu o cargo para mais um ano de mandato. Mas, em vez disso, viu os seus desejos de Ano Novo mudarem, tendo que lidar com o que apelidou de “uma das piores tragédias que o país já conheceu”. A bandeira da Suíça foi colocada a meia-haste durante cinco dias.Cerca de 40 pessoas morreram e pelo menos 115 ficaram feridas, muitas em estado grave, num incêndio no bar Le Constellation, na estância de esqui de Crans-Montana, no cantão de Valais. Entre as vítimas, muitos deles jovens com “projetos, sonhos e ambições”, há estrangeiros. Mas a identificação pode levar dias. Esta quinta-feira (1 de janeiro), ainda não havia sinal de que portugueses teriam sido afetados. “Um momento de alegria transformou-se em tragédia”, tinha escrito Parmelin nas redes sociais, horas antes de visitar o local e se rodear de responsáveis do cantão para a conferência de imprensa sobre o incidente..O alarme para o fumo que saía do bar, sob o qual funcionava uma discoteca, foi dado às autoridades às 1h30 locais, tendo sido emitido um alerta vermelho. Os primeiros agentes chegaram ao local dois minutos depois. “Cuidar das vítimas era uma prioridade”, disse o comandante da polícia do cantão, Frederic Gisler, explicando que os bombeiros apagaram rapidamente o incêndio, que tinha causado uma explosão. “Excluímos um engenho explosivo. Foi um acidente. A explosão não causou o incêndio, o incêndio causou a explosão”, indicaram as autoridades, que descartaram logo cedo a hipótese de atentado terrorista..Uma investigação foi aberta para perceber as causas do que aconteceu, com pelo menos duas testemunhas francesas a contar à BFMTV que o fogo se espalhou rapidamente pelo teto de madeira do espaço noturno depois de um funcionário ter colocado em ombros outro funcionário que tinha uma garrafa de champanhe com um engenho pirotécnico no gargalo. Circulam vídeos nas redes sociais em que se veem este tipo de garrafas a passar durante a festa de Ano Novo. Mas as autoridades não confirmam oficialmente esta versão dos factos. ."Muitas ambulâncias e polícia", relata portuguesa que vive a poucos metros do local da tragédia na Suíça. A investigação terá também que se debruçar sobre as saídas deste espaço noturno, com os jornalistas a questionar as autoridades, durante a conferência de imprensa, sobre o facto de a escada para sair ser estreita ou a perguntar se a festa tinha licença ou quando tinham sido feitas as últimas vistorias. Os vários responsáveis remeteram para a investigação, dizendo que ainda é cedo para perceber o que se passou. As testemunhas falam num momento de pânico, com toda a gente a tentar sair ao mesmo tempo, sem conseguir..O foco das autoridades, por enquanto, é na identificação das vítimas, para permitir que as famílias possam recuperar os corpos e começar a fazer o seu luto. Falam de cerca de 40 mortos, não apontando um número concreto. Há ainda registo de 115 feridos, com 35 a chegarem pelos próprios meios aos hospitais. Os restantes 80 foram levados pelos serviços de emergência (foram destacadas 42 ambulâncias e 13 helicópteros) e a maioria está em situação crítica (há mesmo alguns cuja identificação também é difícil, devido às queimaduras), indicou um responsável médico. E pediu aos suíços cuidados redobrados nos próximos dias para não terem de recorrer às urgências hospitalares e deixarem espaço para se poder cuidar destas vítimas, que estão nos hospitais de Sion, Lausanne, Genebra e Zurique. “A identificação de todos os mortos e feridos pode demorar tempo”, admitiu o presidente do cantão de Valais, Mathias Reynard, deixando claro que o seu pensamento e o de todos ia para as vítimas e as famílias, algumas das quais ainda na incerteza ontem ao final do dia, mas também para todos os que testemunharam esta tragédia. Reynard deixou também uma palavra de agradecimento para os serviços de socorro, a polícia, os bombeiros e os médicos. “Na escuridão da noite passada, uma luz brilhou”, afirmou, destacando aqueles que estiveram envolvidos na resposta inicial. “O seu compromisso e profissionalismo são exemplares e estamos gratos.”O presidente suíço agradeceu aos países vizinhos da Alemanha, França e Itália, pela oferta de ajuda para lidar com a tragédia. Apesar de as autoridades suíças não quererem falar da nacionalidade das vítimas, França disse que há pelo menos dois dos seus cidadãos entre os feridos, com o chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani, a falar em “15 italianos” nos hospitais, com outros ainda desaparecidos.Pela hora de almoço, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal colocou uma mensagem de condolências no X. “O Governo lamenta profundamente a trágica explosão ocorrida na Suíça, que causou numerosas vítimas, exprimindo solidariedade às famílias e autoridades. Em contexto muito complexo, continuam as diligências para apurar se há nacionais portugueses entre as vítimas desta tragédia”, escreveram. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também enviou uma mensagem de condolências e de “solidariedade” ao homólogo suíço, tal como fizeram outros dignitários estrangeiros..Cerca de 40 mortos em estância de esqui na Suíça, numa "das piores tragédias" do país. Até agora não há portugueses entre as vítimas