Protestos decorreram este domingo, por vítimas de ataques americanos.
Protestos decorreram este domingo, por vítimas de ataques americanos.Foto: EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Trump garante progressos com o Irão, mas mantém bloqueio no estreito de Ormuz

"Informei os meus representantes para não se apressarem a fechar um acordo, pois o tempo está do nosso lado”, escreveu Donald Trump.
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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que as negociações com o Irão continuam a correr bem, visando a possível assinatura de um acordo "de princípio", mas avisou que manterá até lá o bloqueio aos portos iranianos. "As negociações estão a decorrer de forma ordenada e construtiva", disse Trump na sua plataforma Truth Social, advertindo contra precipitações.

"Informei os meus representantes para não se apressarem a fechar um acordo, pois o tempo está do nosso lado”, escreveu. Assim, Trump assegurou que o bloqueio dos EUA no perímetro de Ormuz, em retaliação ao bloqueio do estreito por Teerão, "permanecerá em vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado".

"Ambos os lados precisam de ir com calma e fazê-lo bem. Não pode haver erros", acrescentou Trump. O Presidente norte-americano afirmou que a relação entre os dois países "está a tornar-se muito mais profissional e produtiva".

Também agradeceu aos parceiros do Golfo Pérsico pela cooperação nestas negociações e encorajou-os a aderir aos Acordos de Abraão, que estipulam a normalização das relações com Israel (inimigo histórico de Teerão), sugerindo até que o Irão poderia juntar-se no futuro. "Quem sabe", comentou.

O acordo

Segundo a imprensa, o acordo que os Estados Unidos e o Irão estão prestes a concluir incluiria a reabertura do estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão desde o início dos ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro, o levantamento das sanções contra o Irão, o descongelamento dos fundos iranianos bloqueados e uma trégua de 60 dias para negociar um pacto nuclear.

A proposta tem sido criticada por alguns senadores republicanos, que acreditam que os Estados Unidos estariam a ceder demasiado à República Islâmica. Na sua mensagem, Trump defendeu-se e assegurou que isto será melhor do que o acordo nuclear que o então Presidente democrata Barack Obama concluiu com o Irão em 2015, e que o republicano considera "um dos piores" que os Estados Unidos alguma vez assinaram.

Segundo Trump, esse pacto, que limitava o enriquecimento de urânio iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais sobre Teerão, era "um caminho direto para o Irão desenvolver uma arma nuclear".

O republicano, que durante o seu primeiro mandato quebrou o acordo de Obama, disse que "o mesmo não acontecerá" com o acordo que está atualmente a negociar com o Irão: "Na verdade, é o contrário!" afirmou.

Trump também agradeceu aos seus parceiros do Golfo pela cooperação nestas negociações sobre a Truth Social e encorajou-os a aderir aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel, sugerindo até que o Irão poderia juntar-se a eles no futuro.

Trump, no entanto, pediu ao Irão que compreenda a posição dos EUA sobre o programa nuclear. "Eles não podem desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear", insistiu o Presidente, sobre uma das questões-chave das negociações e apesar de Teerão reiterar que o seu programa é pacífico por natureza e que tem o legítimo direito de o desenvolver.

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