Gronelândia. António Costa diz que UE está pronta para se defender "contra qualquer forma de coerção"

Presidente dos EUA marca presença no Fórum Económico Mundial de Davos, após ameaçar aplicar tarifas a oito países, a menos que negociem a transferência para a soberania norte-americana da Gronelândia.
Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Presidente do Conselho Europeu, António CostaEPA/YOAN VALAT

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Mark Rutte diz que Trump e outros líderes "têm razão". "Temos de proteger o Ártico contra a influência russa e chinesa" 

EPA/GIAN EHRENZELLER

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, garantiu que está a tratar do diferendo entre os EUA e os aliados europeus sobre a ambição de Donald Trump em anexar a Gronelândia nos "bastidores".

"Podem ter a certeza de que estou a trabalhar nesta questão nos bastidores, mas não o posso fazer em público", disse Rutte durante um painel de discussão no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.

"Vejo que existem tensões neste momento, sem dúvida. Mais uma vez, não vou comentar sobre isso, mas posso garantir que a única forma de lidar com isso é, no final do dia, através de uma diplomacia ponderada", comentou.

O responsável máximo da Aliança Atlântica afirmou, no entanto, que o presidente norte-americano tem razão no que se refere à segurança no Ártico.

"O presidente Trump e outros líderes têm razão. Precisamos de fazer mais. Precisamos de proteger o Ártico contra a influência russa e chinesa", defendeu Rutte, citado pela imprensa internacional.

Rutte disse que a questão da Gronelândia não deve retirar as atenções ao que está a acontecer na Ucrânia.

"O foco na Ucrânia deve ser a prioridade número um, é crucial para a segurança europeia e americana", argumentou.


Presidente militar da NATO reforça que diferenças entre membros tornam a Aliança melhor

O presidente do Comité Militar da NATO, Giuseppe Cavo Dragone, defendeu esta quarta-feira que a coesão entre os membros da Aliança é fundamental e, embora reconheça que possam existir diferenças, disse que estas os tornam melhores.

“Posso atestar uma coisa fundamental: a coesão é a principal qualidade deste grupo. Sim, temos diferenças, e isso é normal numa aliança de democracias, mas essas diferenças podem-nos tornar melhores e, de fato, tornam-nos melhores”, afirmou, no início de uma reunião dos chefes de defesa da NATO.

As declarações do oficial militar italiano surgem no meio das tensões sobre as aspirações dos Estados Unidos de controlar a ilha da Groenlândia, um território autónomo, mas dependente de outro aliado, a Dinamarca.

Cavo Dragone enfatizou que a situação de segurança no início de 2026 "permanece extremamente difícil" devido à continuidade da guerra da Rússia contra a Ucrânia, à instabilidade e à violência que persistem na fronteira sul, às tensões que afetam as rotas comerciais e os fluxos de energia e à segurança além da região transatlântica.

Acrescentou que "outros atores maliciosos” continuam a colocar em risco a estabilidade global e que todos os dias se enfrentam ciberataques, sabotagem, coerção e desinformação, avisando que as novas tecnologias podem disseminar estas ameaças híbridas mais rapidamente e torná-las mais difíceis de rastrear.

O responsável destacou os esforços para alcançar a paz na Ucrânia liderados pelos EUA e pela Coligação de Voluntários - encabeçada pela França e pelo Reino Unido - e também enfatizou que a Aliança fortaleceu a vigilância e as medidas para proteger os aliados, incluindo as iniciativas Baltic Sentinel e Eastern Sentinel, no flanco leste, e aumentou o número e a escala dos seus exercícios militares.

“Esses esforços demonstram que somos uma Aliança moderna, capaz de defender e dissuadir numa perspetiva de 360 graus”, sublinhou.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, enviou uma mensagem em vídeo aos chefes de defesa dos países aliados, na qual considerou “imperativo e urgente” que, na preparação para a próxima cimeira da Aliança em Ancara, em julho, todos cumpram os seus compromissos.

“Devemos demonstrar claramente um aumento no investimento em Defesa e garantir que os aliados europeus e o Canadá assumam maior responsabilidade pela dissuasão e defesa convencionais”, afirmou o ex-primeiro-ministro holandês.

Rutte também defendeu que a NATO deve aumentar a sua prontidão para o combate, dedicar recursos suficientes aos seus planos e continuar a atualizar a sua abordagem de dissuasão e defesa.

Lusa

Os EUA estão "comportar-se de uma forma muito estranha para aliados", diz a presidente do BCE

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu esta quarta-feira que a União Europeia (UE) deve demonstrar determinação coletiva e unidade criticando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por não cumprir as alianças estabelecidas. 

Questionada pela rádio RTL se os Estados Unidos ainda são um aliado dos europeus, Christine Lagarde respondeu que os EUA estão "comportar-se de uma forma muito estranha para aliados" e disse estar alerta.

"Ameaçar tomar um território que claramente não está à venda, como a Gronelândia, e brandir tarifas e outras restrições ao comércio internacional dificilmente é um comportamento típico de um aliado", disse.

Para Christine Lagarde, as políticas do chefe de Estado norte-americano podem gerar "uma nova ordem internacional" provocando "uma profunda reorganização" da economia europeia.

Na mesma entrevista, Lagarde enfatizou que os europeus devem "indicar os instrumentos" de que dispõem para demonstrarem determinação coletiva e manter-se unidos perante Donald Trump.

Considerou fundamental a "unidade e a determinação" referindo-se à postura da Europa, depois de o presidente dos Estados Unidos ter redefinido as posições no campo da defesa e da economia.

Questionada sobre se estava preocupada, a presidente do BCE disse estar "alerta" e observou que tem como principal preocupação a potencial perturbação dos resultados económicos devido à "incerteza que Donald Trump está a criar no mundo".

Por outro lado, disse esperar que os economistas próximos do Presidente norte-americano o aconselhem sobre o potencial impacto das novas tarifas que ameaçou impor aos europeus.

Lagarde manifestou ainda convicção de que Trump estaria a acompanhar de perto os movimentos nos mercados financeiros e, nesse sentido, considerou que as quedas verificadas nos mercados financeiros na terça-feira são pouco tranquilizadores.  

Para Lagarde, a "nova ordem internacional" que está a ser estabelecida por Trump deve promover uma "profunda" revisão na forma como a economia da Europa está organizada.

Donald Trump discursará esta tarde no Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça. 

DN/Lusa

Von der Leyen promete investimento na segurança do Ártico perante poder bruto dos EUA

EPA/YOAN VALAT

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu esta quarta-feira trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico com “forte aumento do investimento europeu na Gronelândia”, face ao que classificou como “poder bruto” dos Estados Unidos.

A Europa prefere o diálogo e as soluções, mas está plenamente preparada para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação. Mas, para além disso, precisamos da nossa própria abordagem estratégica e é por isso que estamos a trabalhar num pacote de apoio à segurança no Ártico”, com “um forte aumento do investimento europeu na Gronelândia, em particular para apoiar ainda mais a economia local e as infraestruturas”, disse a líder do executivo comunitário, num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Isso passa, desde logo, por “duplicar o apoio financeiro” da UE, no âmbito do próximo orçamento comunitário, acrescentou Von der Leyen, defendendo porém que a União tem de “fazer mais e fazê-lo mais rapidamente”.

Face às ameaças norte-americanas relativas à Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, Ursula von der Leyen falou num “mundo definido pelo poder bruto, seja ele económico ou militar, tecnológico ou geopolítico”, com o qual a UE “tem de lidar”.

Apesar de vincar que a UE “concorda com os amigos norte-americanos quanto à necessidade de garantir a segurança da região do Ártico”, a responsável considerou que as tarifas adicionais propostas pelos Estados Unidos face à ocupação norte-americana da Gronelândia “são simplesmente erradas”.

“Se entrarmos agora numa perigosa espiral descendente entre aliados, isso apenas encorajará os mesmos adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do nosso espaço estratégico”, salientou.

Reconhecendo as potencialidades do território autónomo da Dinamarca em termos de matérias-primas críticas e de rotas marítimas globais emergente, a líder do executivo comunitário avisou: “Acima de tudo, a Gronelândia é a casa de um povo livre e soberano, é uma nação com soberania própria e com direito à integridade territorial e o futuro da Gronelândia cabe apenas aos gronelandeses decidir”.

Lusa

Políticos europeus dizem que "é hora de uma Declaração de Independência da União Europeia"

"É hora de uma Declaração de Independência da União Europeia", pedem vário políticos europeus num artigo publicado esta quarta-feira no Diário de Notícias.

Joseph Borrell, ex-alto-representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, diversos ex-presidentes, ex-membros do Parlamento Europeu e representantes de instituições como o Instituto Jacques Delors, assinam este artigo, no qual defendem o estabelecimento de uma Defesa Comum Europeia.

A "segurança, prosperidade e democracia" da Europa "não podem mais depender da vontade mutável dos Estados Unidos", consideram.

(Veja o artigo de opinião no link abaixo)

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É hora de uma Declaração de Independência da União Europeia

Gronelândia. Costa diz que EUA testam princípios europeus mas UE vai rejeitar qualquer coerção

ESTELA SILVA/LUSA

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou esta quarta-feira, 21 de janeiro, que os princípios e a proteção da União Europeia (UE) “estão a ser postos à prova” pelos Estados Unidos, mas prometeu resposta a “qualquer forma coerção” sobre a Gronelândia.

“Considerados em conjunto, os desafios geopolíticos que a Europa enfrenta parecem, por vezes, avassaladores […], mas a UE sairá desta situação mais forte, mais resiliente e mais soberana. Para que isso aconteça, a nossa resposta deve ter três componentes: uma Europa de princípios, uma Europa de proteção e uma Europa de prosperidade – três dimensões [que] estão a ser postas à prova no momento atual das relações transatlânticas”, disse António Costa, intervindo num debate no Parlamento Europeu.

O antigo primeiro-ministro português vincou que a UE “está pronta para se defender […] contra qualquer forma de coerção” e tem “o poder e os instrumentos para o fazer”.

Nas declarações na cidade francesa de Estrasburgo, António Costa justificou que foi devido ao contexto de ameaças norte-americanas relativas à Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, que decidiu convocar para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Europeu sobre as relações transatlânticas.

“Tendo ouvido os Estados-membros na preparação desta reunião, acredito que alguns elementos fundamentais são amplamente partilhados”, entre os quais o “apoio e solidariedade totais com o Reino da Dinamarca e com a Gronelândia” e o facto de que “apenas eles podem decidir sobre o seu futuro”.

António Costa admitiu também “um interesse transatlântico comum na paz e na segurança no Ártico, nomeadamente através do trabalho no âmbito da NATO”, mas vincou que “novas tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e são incompatíveis com o acordo comercial UE-EUA”.

“Queremos continuar a envolver-nos de forma construtiva com os Estados Unidos em todas as questões de interesse comum - e são muitas, uma vez que somos parceiros e aliados e partilhamos uma comunidade transatlântica”-, mas “não podemos aceitar que a lei do mais forte prevaleça sobre os direitos do mais fraco porque as regras internacionais não são opcionais e as alianças não podem reduzir-se apenas a uma sucessão de transações”, adiantou o presidente do Conselho Europeu.

Lusa

Netanyahu aceita convite para integrar Conselho de Paz de Trump

O primeiro-ministro israelita aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos para integrar o Conselho de Paz, uma organização para trabalhar na resolução de conflitos mundiais, anunciou hoje o gabinete do líder de Israel.

"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aceitou o convite do presidente dos EUA, Donald Trump, para integrar, como membro, o Conselho de Paz", lê-se num comunicado.

O Conselho de Paz foi inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Israel e o movimento fundamentalista palestiniano Hamas.

Mas a minuta da carta apresentada por Trump concede à organização amplos poderes e revela uma iniciativa e um mandato muito mais abrangentes: contribuir para a resolução de conflitos armados em todo o mundo.

Netanyahu passará a fazer parte do órgão encarregado, segundo a descrição da Casa Branca, de "fornecer supervisão estratégica, mobilizar recursos internacionais e garantir a prestação de contas enquanto Gaza passa do conflito para a paz e o desenvolvimento".

Outros líderes, como os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, confirmaram ter recebido um convite de Trump.

Na segunda-feira, o Kremlin confirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu, por meio de canais diplomáticos, a proposta de adesão ao Conselho de Paz", de acordo com o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov.

Entretanto, fontes próximas do presidente francês, Emmanuel Macron, afirmaram que França recusou a adesão, considerando que a proposta atual vai mais além da situação em Gaza e levanta questões "sobre o respeito pelos princípios e a estrutura das Nações Unidas, que não podem ser questionados".

Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Conselho de Paz para Gaza ou Nações Unidas de Trump?

O Conselho de Paz vai ser presidido por Donald Trump, que nomeou um comité executivo composto por pessoas de confiança: o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o enviado especial para Gaza, Steve Witkoff; o próprio genro, Jared Kushner; o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair; o diretor-executivo da firma de investimento Apollo Global Management, Marc Rowan; o conselheiro de segurança Robert Gabriel e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

O magnata norte-americano também estabeleceu um comité executivo para Gaza em apoio ao Alto Representante para Gaza, o búlgaro Nikolay Mladenov, e ao comité de tecnocratas palestinianos que ficará responsável pelo enclave, o Comité Nacional para a Administração de Gaza.

Este comité, que inclui membros do Qatar e da Turquia, provocou protestos do Governo de Netanyahu, que considera que inclui pessoas que toleram o movimento islamita Hamas.

Lusa

Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Macron responde às ameaças tarifárias de Trump e diz que a Europa prefere “o respeito aos ‘bullies’”
Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Candidatos a lugar permanente no Conselho da Paz de Trump devem pagar 860 milhões de euros

Avião de Trump que seguia para Davos sofre "pequeno problema" elétrico e regressa à base. Viagem foi depois retomada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou a viagem para a Suíça, onde participará esta quarta-feira 21 de janeiro, no Fórum Económico Mundial de Davos, depois do avião presidencial, em que seguia inicialmente ser forçado a regressar a Washington.

Trump viaja para a estância de esqui suíça com a ambição de tirar o controlo da Gronelândia da Dinamarca, aliada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), uma intenção que ameaça prejudicar as relações com os aliados europeus e ofuscar o plano original da Casa Branca de usar a presença do chefe de Estado norte-americano no encontro das elites globais para abordar questões de acessibilidade financeira no seu país.

Trump planeia ficar dois dias no fórum internacional em Davos, depois de ameaçar aplicar tarifas à Dinamarca e a outros sete aliados, a menos que negociem a transferência para a soberania norte-americana do território semiautónomo — uma concessão que os líderes europeus indicaram não estar dispostos a fazer.

Trump disse que as tarifas começariam em 10% no próximo mês e subiriam para 25% em junho, taxas que seriam altas o suficiente para aumentar os custos e desacelerar o crescimento, prejudicando potencialmente os esforços para conter a subida do custo de vida nos Estados Unidos.

"Esta será uma viagem interessante", disse Trump aos jornalistas ao deixar a Casa Branca na terça-feira à noite para o seu voo para Davos. "Não tenho ideia do que vai acontecer, mas vocês estão bem representados", acrescentou.

A viagem de Trump teve um início difícil, originado por um "pequeno problema elétrico" no avião, levando a tripulação a fazer meia-volta, cerca de 30 minutos após a descolagem, por precaução, e atrasando a chegada à Suíça do presidente, que embarcou num segundo aparelho.

Os mercados reagiram negativamente às novas tensões entre a Casa Branca e os aliados europeus. Em Wall Street, o índice S&P 500 caiu 2,1%, a maior queda desde outubro. O Dow Jones Industrial Average caiu 1,8%. O Nasdaq Composite caiu 2,4%.

A Casa Branca disse que Trump planeia reunir-se com líderes à margem do fórum para constituir um "Conselho da Paz", um novo órgão destinado a supervisionar o fim da guerra entre Israel e o movimento fundamentalista palestiniano Hamas na Faixa de Gaza e, possivelmente, assumir um mandato mais amplo, potencialmente rivalizando com as Nações Unidas.

Até agora, menos de dez líderes aceitaram convites para se juntar ao grupo, incluindo alguns considerados autoritários antidemocráticos. Vários dos principais parceiros europeus dos Estados Unidos recusaram ou não se comprometeram com a ideia de Trump, incluindo o Reino Unido, a França e a Alemanha.

Na terça-feira, o presidente norte-americano disse aos jornalistas que o "Conselho da Paz" pode eventualmente tornar a ONU obsoleta, mas insistiu que o órgão internacional deve continuar a existir.

"Acredito que devemos deixar a ONU continuar, porque o potencial é muito grande", disse.

Lusa

EUA planeiam reduzir participação em alguns grupos da NATO

O Departamento de Defesa (Pentágono) dos Estados Unidos planeia reduzir a participação do país em elementos da estrutura de forças da NATO e em vários grupos consultivos da aliança, de acordo com o The Washington Post.

O jornal nova-iorquino, que cita várias autoridades norte-americanas ligadas ao processo, referiu na terça-feira que este é o mais recente sinal da iniciativa da administração liderada por Donald Trump de reduzir a presença militar dos EUA na Europa.

A medida que irá ser divulgada em breve afetará cerca de 200 militares e diminuirá o envolvimento dos EUA em quase 30 organizações da NATO, incluindo os seus Centros de Excelência, que procuram treinar as forças da aliança atlântica em diversas áreas da guerra, de acordo com as fontes citadas pelo jornal, que falaram sob condição de anonimato.

Em vez de se retirar completamente de uma só vez, o Pentágono pretende não substituir o pessoal à medida que os seus postos terminam, um processo que pode demorar anos, de acordo com duas autoridades norte-americanas ligadas ao processo.

A participação dos EUA nos centros não terminará completamente, garantiram estas fontes ao The Washington Post.

Entre os grupos consultivos que sofrerão cortes estão os dedicados à segurança energética e à guerra naval da aliança, de acordo com três autoridades.

O Pentágono também reduzirá o seu envolvimento em organizações oficiais da NATO dedicadas a operações especiais e inteligência, segundo duas autoridades, embora uma das fontes tenha observado que algumas destas funções norte-americanas serão transferidas para outros locais dentro da aliança, limitando o impacto da medida.

A mudança está a ser equacionada há meses, de acordo com duas autoridades norte-americanas, uma das quais disse não estar relacionada com as crescentes ameaças do Presidente Donald Trump de tomar o território dinamarquês da Gronelândia.

As provocações de Trump atraíram uma ampla condenação de líderes europeus e de muitos legisladores no Congresso, que temem que o chefe de Estado republicano corra o risco de causar danos irreparáveis e desnecessários à aliança da NATO, da qual Portugal faz parte.

Durante uma conferência de imprensa na Casa Branca na terça-feira, Trump disse que a sua administração "encontraria uma solução que deixaria a NATO muito satisfeita e Washington muito satisfeitos" em relação à Gronelândia.

Insistiu ainda que os Estados Unidos precisam do território "para fins de segurança".

O The Washington Post noticiou ainda que o Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto um porta-voz da NATO sublinhou, em comunicado, que "ajustes na postura e no efetivo das forças norte-americanas não são incomuns".

O porta-voz garantiu ainda que a aliança está em "contacto próximo" com Washington sobre a sua distribuição geral de forças.

Desde que Trump regressou ao cargo, os militares norte-americanos retiraram-se da Europa, enquanto o Governo pressiona os aliados para assumirem um maior controlo da defesa coletiva do continente.

No ano passado, por exemplo, o Pentágono anunciou abruptamente que iria retirar uma brigada de tropas da Roménia e cortar os programas de ajuda à segurança às três nações bálticas que fazem fronteira com a Rússia, cuja invasão da Ucrânia, que dura há anos, gerou receios de um conflito direto entre a NATO e o Kremlin, lembrou o jornal.

Sob pressão da administração Trump, a aliança concordou no Verão passado em aumentar as despesas com a defesa para 5% do PIB nos próximos 10 anos, incluindo 1,5% destinados a infraestruturas e outros projetos civis.

Lusa

Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Trump ameaça França com tarifas de 200% para pressionar Macron
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