O Presidente da República avisou esta quarta-feira, 21 de dezembro, que quem tentar “refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado” irá falhar e afirmou que as alianças “valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia”.“Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa num discurso no Parlamento Europeu na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE) em que também mandou recados a André Vantura, referindo que não há “portugueses puros, mas diversos”..Marcelo afirma no Parlamento Europeu que não há “portugueses puros, mas diversos”. Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro, afirmou que “o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado”.Novamente numa alusão a Trump, o Presidente da República pediu que “não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo - que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais - sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma”.“E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu poder nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social”, afirmou.Perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, que também discursou nesta sessão, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que os portugueses “são europeus sempre, transatlânticos sempre, universais sempre”.“Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros que desejamos virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do globo, que não há poderes eternos e que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora, de cada dia”, disse, recebendo aplausos do hemiciclo.Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “é hoje moda do momento esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo”.“Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais liberdade, democracia, Estado de Direito. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do desenvolvimento humano e dos padrões de igualdade social”, referiu, afirmando que a Europa é um “destino sonhado por tantos, de todos os continentes”.“Mas sabemos que tudo isto não basta. Perdemos por vezes tempo e temos de fazer mais e melhor”, disse, defendendo que é necessária “mais juventude, mais tecnologia, mais segurança comum, mais crescimento, mais capacidade de mudança dos sistemas políticos” e “mais futuro”.“Tratemos disso. Com prioridade e com urgência. Contemos, antes de mais, connosco, nós próprios, que temos de acreditar na Europa livre, igualitária e democrática”, frisou.O Presidente da República pediu que se reconstrua a Europa “sem medos, sem inibições, sem complexos”.“Tudo o que se possa dizer das comunidades europeias, hoje UE, de crítico, falível, de errado, de insuficiente – que há muito – é nada comparado com aquilo que lhe devemos”, disse.Depois, abordando as alianças de Portugal, Marcelo frisou que o país, para além da União Europeia, é aliado do Reino Unido “há quase 650 anos” e disse preferir que o país “estivesse ainda mais com a UE do muito que já está”.“Temos os Estados Unidos, cuja independência Portugal foi o primeiro Estado europeu - salvo a França, portanto o primeiro Estado neutral -, a reconhecer, e preferiríamos que fossemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma”, disse.