O Presidente da República afirmou esta quarta-feira, 21 de janeiro, no Parlamento Europeu, que “não há portugueses puros, há portugueses diversos”, frisando que o país se formou “num caldo de etnias, de culturas e de religiões”.Num discurso no Parlamento Europeu, numa sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), Marcelo Rebelo de Sousa salientou que o Reino de Portugal “nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias”, recordando a ligação materna de D. Afonso Henriques ao Reino de Leão, que mais tarde “formaria o Reino de Espanha”, e paterna ao Duque de Borgonha, “que ajudaria a formar o Reino de França”.“Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde, das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões”, afirmou.O Presidente da República frisou que os portugueses são “europeus desde as raízes”, mas essas “raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes e outros universos”.“Por isso, não há portugueses puros. Há portugueses diversos, na sua riqueza cultural”, afirmou, recebendo um aplauso de alguns eurodeputados.Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que os portugueses são “europeus na língua, na cultura, na História”.“E, porque europeus, universais”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, que também fez algumas referências que podem ser vistas como recados a Donald Trump..Marcelo avisa que irá falhar quem tentar dividir o mundo em hemisférios pela força.Depois, num breve esboço da história de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que o país, do século XV aos séculos XIX e XX, viveu “uma saga constante na Europa continental e fora dela”, porque, a partir do século XV, os portugueses “atravessaram oceanos” e “tocaram ilhas e continentes”.“E fomos, muitas vezes, mais felizes a navegar e a correr mundo do que nas guerras europeias”, frisando que, no que se refere a Espanha, Portugal “conquistou independência, guerreou para a manter, perdeu-a e recuperou-a”.“Até ao século XVII, foi um desassossego constante. Como o foram as guerras continentais em que nos envolvemos”, disse, recordando que, no século XIX, Portugal teve mesmo de garantir a sua independência estabelecendo capital no Império do Brasil.“Éramos europeus, mas a Europa que nos iluminava não foi sempre portadora de boas notícias”, resumiu.É por isso, prosseguiu, que “o que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX, que culminou na adesão há quarenta anos [de Portugal], no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe González, veio mudar a História”.“Mudou a História europeia. Mudou a história nas relações com o vizinho único por terra, mudou a nossa História. Mudou para a liberdade, para a democracia, para o Estado de Direito, para o desenvolvimento e a Justiça social”, afirmou.Marcelo salientou que, “depois de séculos de independência baseada nos oceanos e no império, e do inevitável e tardio fim do império, com a formação da multicontinental e multioceânica Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Portugal, Espanha e os Estados que aderiram à UE “começaram uma nova História”.“Que dura há quase 50 anos e que não teria sido possível sem a Europa, à margem da Europa, contra a Europa. Exemplo singular desta mudança é a fraternidade entre Portugal e Espanha, aqui eloquentemente testemunhada pelos dois chefes de Estado, em representação das respetivas pátrias e povos”, disse.O Presidente da República afirmou que Portugal “nunca, mas nunca mesmo”, desistirá da Europa.“Porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal”, frisou..Adesão à CEE. Soares assinou o tratado que mudou o país e trouxe os fundos de que Cavaco tirou partido.Importância da integração europeia e desafios do futuro marcam discursos no Mosteiro dos Jerónimos