Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUAEPA/WIN MCNAMEE

Candidatos a lugar permanente no Conselho da Paz de Trump devem pagar 860 milhões de euros

A ideia de um Conselho da Paz foi originalmente concebida para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, mas a carta de apresentação dos estatutos não menciona o enclave palestiniano.
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Os Estados candidatos a um lugar permanente no Conselho da Paz proposto e presidido pelo líder norte-americano Donald Trump terão de pagar “mais de 860 milhões de euros em numerário”, segundo divulgou esta segunda-feira, 19 de janeiro, a agência AFP.

“O Conselho da Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura nas regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”, lê-se no preâmbulo de uma carta enviada aos países convidados a integrar o organismo, à qual a agência noticiosa francesa AFP teve acesso.

A ideia de um Conselho da Paz foi originalmente concebida para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, mas a carta de apresentação dos estatutos não menciona o enclave palestiniano, sugerindo um mandato possivelmente mais amplo.

Segundo refere o jornal norte-americano The New York Times, que também teve acesso ao documento, esta omissão está a aumentar as especulações de que o organismo pode ter um mandato mais amplo para cobrir outros conflitos e pode até mesmo ter como objetivo criar uma alternativa dominada pelos Estados Unidos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O texto da carta citado pela AFP, de oito páginas, atribui ao organismo a missão de “promover a estabilidade” no mundo e critica desde logo as “abordagens e instituições que falharam demasiadas vezes”, numa alusão clara às Nações Unidas, e apela a que se tenha “a coragem” de delas “se afastar”.

O texto sublinha, aliás, “a necessidade de uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz”.

Donald Trump será o “primeiro presidente do Conselho da Paz”, cujos poderes previstos são muito vastos: é o único habilitado a “convidar” outros chefes de Estado e de Governo a integrar o órgão, pode revogar a sua participação salvo em caso de “veto por uma maioria de dois terços dos Estados-membros” e tem direito de escrutínio sobre todas as votações.

Cada Estado-membro exerce um mandato com a duração máxima de três anos a contar da entrada em vigor da presente carta, renovável pelo Presidente. Este mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que paguem mais de mil milhões de dólares [mais de 860 milhões de euros, ao câmbio atual] em numerário ao Conselho da Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da carta”, acrescenta o projeto, sem dar mais pormenores.

Entretanto, a presidência da Rússia (Kremlin) indicou esta segunda-feira que Trump convidou o homólogo russo, Vladimir Putin, para integrar o Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.

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Kremlin diz que Trump convidou Putin para integrar Conselho de Paz para Gaza

“O Presidente Putin recebeu, por vias diplomáticas, um convite para integrar o Conselho da Paz”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa diária.

Peskov disse que a Rússia pretende “esclarecer todos os pormenores” da proposta com os Estados Unidos, segundo a AFP.

Putin convocou esta segunda uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia, sem que a agenda tenha sido divulgada, adiantou, por seu lado, a agência de notícias espanhola EFE.

Trump divulgou na sexta-feira a composição do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, a que vai presidir, e que inclui o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, e o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.

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Trump nomeia Tony Blair e Marco Rubio para o Conselho de Paz em Gaza

O enviado especial norte-americano Steve Witkoff também fará parte do órgão, assim como o genro de Trump, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

Sabe-se ainda que Trump convidou o rei Abdullah II da Jordânia, os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e argentino, Javier Milei, e os primeiros-ministros paquistanês, Shehbaz Sharif, e indiano, Narendra Modi.

O conselho faz parte da segunda fase do plano de paz de Trump, que prevê a formação de uma administração de tecnocratas em Gaza e o desarmamento do grupo extremista Hamas, que governa o enclave palestiniano desde 2007.

A Casa Branca (presidência) disse que durante o Fórum de Davos na Suíça, em que Trump participa durante a semana, será revelada mais informação sobre os países que vão integrar a Força Internacional de Estabilização para Gaza.

Trata-se de um contingente da ONU destinado a garantir a segurança e a desmilitarização de Gaza, tal como estipula o plano de paz de Trump.

O plano destina-se a pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas iniciada em outubro de 2023, após um ataque do grupo extremista em solo israelita, que causou dezenas de milhares de mortos e a destruição do território.

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