Dois navios dos EUA começam desminagem no estreito de Ormuz. Negociações diretas em curso no Paquistão

O vice-presidente norte-americano chegou este sábado ao Paquistão, onde a delegação do Irão, liderada pelo presidente do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, aterrou na sexta-feira à tarde.
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUAEPA/ALESSANDRO DI MEO

Dois navios dos EUA começam processo de desminagem do estreito de Ormuz

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) informou que as forças norte-americanas começaram este sábado "a preparar as condições para a desminagem no estreito de Ormuz", através da "realização de operações por dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA".

O CENTCOM refere-se ao USS Frank E. Peterson e ao USS Michael Murphy, que "transitaram pelo estreito de Ormuz e operaram no Golfo Pérsico como parte de uma missão mais ampla para garantir que o estreito está completamente livre de minas marítimas previamente instaladas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão", de acordo com o comunicado divulgado.

“Hoje, iniciámos o processo de estabelecimento de uma nova passagem e partilharemos em breve esta rota segura com a indústria marítima para incentivar o livre fluxo do comércio”, disse o Almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM.

Os EUA avançaram ainda que "reforços adicionais das forças norte-americanas, incluindo drones subaquáticos, vão juntar-se à operação de limpeza nos próximos dias".

Primeira fase das negociações terminou

A primeira fase das negociações diretas entre os EUA e o Irão terminou, segundo a agência de notícias iraniana Fars.

As delegações dos dois países terão trocado documentos sobre os temas que estiveram em discussão nas negociações de paz.

De acordo com a CNN, que cita um comunicado do Governo iraniano, as conversações vão entrar na "fase dos especialistas", que irão reunir-se para debater questões relacionadas com questões económicas, militares, jurídicas e nucleares.

As negociações prosseguem para “finalizar os detalhes técnicos”, segundo o executivo iraniano, noticia a CNN.

ONU exige fim da impunidade para violação de regras da guerra

Várias agências das Nações Unidas apelaram este sábado, numa declaração conjunta, ao fim da impunidade quanto a violações generalizadas do direito internacional no Médio Oriente, especificando que "até as guerras têm regras" que devem ser respeitadas.

Numa declaração conjunta citada pela AFP, os responsáveis das agências da ONU para os direitos humanos, saúde, alimentação, refugiados e crianças, entre outras, disseram estar "alarmados com as contínuas violações das leis da guerra e do direito internacional humanitário" na região.

"Até as guerras têm regras, e essas regras devem ser respeitadas", acrescentou o comunicado assinado também pelo subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher.

Os responsáveis denunciaram o crescente número de vítimas desde que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão deram início à guerra na região, a 28 de fevereiro.

"Em apenas um mês no Médio Oriente, dezenas de milhares de civis foram mortos ou feridos. Centenas de milhares foram deslocados, muitos deles várias vezes", assinalam, alertando que "os números continuam a aumentar e os serviços essenciais são cada vez mais difíceis de aceder”.

Segundo os signatários, "os profissionais de saúde, os hospitais e as ambulâncias têm sido visados", bem como "escolas foram atingidas" e "as infraestruturas civis, incluindo pontes, edifícios de apartamentos, casas, instalações de água potável e centrais elétricas, foram destruídas”.

As agências manifestaram ainda particular preocupação com o impacto da guerra “nas mulheres, crianças e pessoas com necessidades especiais”, lembrando ainda que os "colegas humanitários foram apanhados no fogo cruzado”.

Desde o início do ano, “14 trabalhadores humanitários foram mortos ou feridos nos territórios palestinianos ocupados, oito no Irão e cinco no Líbano”, afirmaram os autores da declaração, condenando o número “alarmante”.

As autoridades das agências da ONU declararam também que “condenam veementemente todos os ataques contra civis, incluindo trabalhadores humanitários e de saúde, bem como contra propriedade civil”.

"Apelamos a todas as partes — sejam Estados-membros da ONU ou grupos armados — para que respeitem as suas obrigações legais de proteger os civis, incluindo o pessoal humanitário, e as infraestruturas civis", acrescentaram.

Lusa

Trump diz que estreito de Ormuz "será aberto em breve"

Enquanto as negociações de paz decorrem em Islamabad, no Paquistão, Donald Trump tem publicado várias mensagens a reiterar as conquistas dos EUA na guerra contra o Irão e a criticar meios de comunicação social que têm feito a cobertura do conflito do Médio Oriente.

Na mais recente declaração publicada na Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que o "estreito de Ormuz será aberto em breve", voltando a referir que "navios vazios" estão a dirigir-se para os Estados Unidos para "'carregar'".

Casa Branca confirma negociações diretas entre as delegações dos EUA, Irão e Paquistão

Em Islamabad estão a decorrer negociações diretas, com as delegações dos Estados Unidos, Irão e Paquistão reunidas na mesma sala, confirmou a Casa Branca, segundo avançou a Associated Press.

Do lado dos EUA, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, lidera a delegação, que conta com o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.

"Estamos agora a iniciar o processo para desobstruir o estreito de Ormuz", anuncia Trump

Donald Trump repetiu este sábado as críticas a países aliados e as conquistas dos EUA na operação Fúria Épica, referindo, por exemplo, que a Marinha iraniana e a Força Aérea foram "dizimadas". "As fábricas de mísseis e drones foram praticamente destruídas, juntamente com os próprios mísseis e drones", escreveu em mais uma mensagem na Truth Social, onde também mencionou a morte dos "antigos 'líderes'" do regime de Teerão.

"Estamos agora a iniciar o processo para desobstruir o estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo, incluindo a China, o Japão, a Coreia do Sul, a França, a Alemanha e muitos outros", anunciou o presidente norte-americano. "Incrivelmente, eles não têm a coragem nem a vontade de fazer este trabalho por conta própria", criticou Trump, referindo que "navios petroleiros vazios de muitas nações estão" a "dirigir-se para os EUA para se abastecerem de petróleo".

Macron defende cessar-fogo alargado ao Líbano em conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita

O presidente francês conversou com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, tendo expressado o seu apoio ao "cessar-fogo, que deve ser totalmente respeitado e estendido sem demora ao Líbano".

"Discutimos a necessidade de restaurar a navegação totalmente livre e segura no estreito de Ormuz o mais rapidamente possível", escreveu Emmanuel Macron na rede social X.

Os dois concordaram em manter o contacto, de modo a contribuir para a "conclusão de um acordo para garantir a paz e a segurança duradouras na região", referiu o presidente francês.

Já começaram as negociações de paz em Islamabad

As negociações de paz em Islamabad já começaram, avança a estação de televisão norte-americana CBS e a Reuters.

De acordo com a agência de notícias as negociações são trilaterais, entre EUA, Irão e Paquistão, e estão a decorrer no Serena Hotel Islamabad .

A BBC avança que, até ao momento, são negociações separadas, sendo conduzidas por mediadores paquistaneses.

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Trump diz que petroleiros vazios estão a caminho dos EUA para transportar "o melhor" petróleo e gás do mundo 

O presidente norte-americano voltou a usar as redes sociais para informar que "um enorme número de petroleiros completamente vazios, alguns dos maiores do mundo, estão a caminho dos Estados Unidos".

Segundo Donald Trump, as embarcações vão transportar "o melhor "petróleo (e gás!) do mundo". "Temos mais petróleo do que as duas maiores economias petrolíferas seguintes juntas – e de qualidade superior. Estamos à sua espera. Rápido!", lê-se na mensagem.

EUA não terão feito acordos sobre "linhas vermelhas" do Irão 

A televisão estatal iraniana informou que a delegação do Irão estabeleceu "linhas vermelhas" nestas negociações em Islamabad. As propostas de Teerão terão sido enviadas ao primeiro-ministro do Paquistão, segundo notícia da Reuters.

À CBS, uma autoridade norte-americana afirmou que não foram celebrados quaisquer acordos sobre as propostas do Irão.

As linhas vermelhas, segundo a imprensa internacional, incluem o estreito de Ormuz, reparações de guerra, bem como o desbloqueamento dos ativos congelados iranianos.

Líbano diz que ataques israelitas deste sábado fizeram pelo menos 10 mortos

O Ministério da Saúde do Líbano fez saber que os ataques israelitas no sul do Líbano deste sábado fizeram 10 mortos, entre os quais três elementos das equipas de emergência, noticia o The Guardian, que cita a AFP.

De acordo com o governo libanês, Israel lançou três ataques que atingiram zonas do distrito de Nabatiyeh.

PM paquistanês elogia compromisso das delegações em "dialogar de forma construtiva"

Após ter reunido, de forma separada, com as delegações dos EUA e do Irão, o primeiro-ministro do Paquistão elogiou o empenho das duas comitivas para "dialogar de forma construtiva".

"O primeiro-ministro manifestou a esperança de que estas negociações sirvam como um passo importante para uma paz duradoura na região", revelou uma nota do gabinete de Shehbaz Sharif partilhada nas redes sociais.

É ainda referido que o Paquistão espera “continuar a facilitar o progresso de ambas as partes no sentido de uma paz sustentável na região”.

JD Vance manteve conversações com o primeiro-ministro paquistanês, diz Casa Branca

A Casa Branca informou que o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, manteve este sábado conversações com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

O primeiro-ministro expressou a esperança de que estas negociações possam ser o caminho para uma "paz duradoura na região”, referiu uma nota do gabinete de Sharif.

Além de Vance, a delegação norte-americana em Islamabad é composta pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, genro de Donald Trump.

Anteriormente, de acordo com a Associated Press, que cita a televisão estatal iraniana, o presidente do parlamento do Irão, Mahammad Bagher Qalibaf, também esteve reunido com o primeiro-ministro paquistanês.

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Teerão diz que se EUA priorizarem os seus interesses aos de Israel pode haver acordo

O primeiro vice-presidente do Irão afirmou hoje que se os Estados Unidos derem prioridade aos seus interesses em vez dos de Israel pode haver acordo nas negociações de paz que se iniciam hoje no Paquistão.

"Se negociamos em Islamabad com representantes dos 'Estados Unidos primeiro', é provável alcançar um acordo que beneficie ambas as partes e o mundo", escreveu hoje Mohamed Reza Aref, primeiro vice-presidente do Irão, na rede social X, citado pela agência Efe.

A horas do início das negociações entre as delegações dos Estados Unidos e do Irão em Islamabad, Aref acrescentou que se Teerão enfrentar "representantes de 'Israel primeiro', não haverá acordo".

Nesse caso, assinalou que "inevitavelmente o Irão continuará a sua defesa com ainda mais firmeza do que antes, e o mundo enfrentará maiores custos".

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que encabeça a delegação do seu país nas negociações, afirmou que mantém a "boa vontade" de negociar, mesmo que tenha realçado a sua absoluta falta de confiança nos Estados Unidos.

"Temos boa vontade, mas não confiamos nos Estados Unidos devido às experiências das últimas negociações", disse, em referência às negociações sobre a questão nuclear de 2025 e de janeiro, que terminaram em ofensivas israelo-americanas contra o país persa.

Lusa

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Paquistão espera participação construtiva das partes nas negociações de paz

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão disse hoje esperar que o Irão e os Estados Unidos "participem de forma construtiva" nas conversações de paz que começam em Islamabad para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

O chefe da diplomacia paquistanesa, Ishaq Dar, disse também "reiterar o desejo do Paquistão de ajudar as partes a chegar a uma solução duradoura para o conflito", segundo um comunicado divulgado pouco após a chegada da delegação norte-americana a Islamabad.

JD Vance no Paquistão para conversações de paz

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, chegou hoje ao Paquistão para dar início às negociações entre os Estados Unidos da América e o Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

O vice-presidente, que lidera a delegação norte-americana, foi recebido pelo poderoso chefe do exército paquistanês, Asim Munir, à chegada à base aérea de Nur Khan, perto de Islamabad.

Além de JD Vance, a delegação norte-americana é constituída pelos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.

A delegação do Irão, liderada pelo presidente do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, aterrou na sexta-feira à tarde em Islamabad, segundo noticiaram então os media iranianos.

Em Islamabad, as ruas normalmente muito movimentadas da capital paquistanesa estão hoje desertas devido aos bloqueios das forças de segurança em antecipação das conversações.

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Hotel de luxo no Paquistão que vai receber negociações entre EUA e Irão expulsa hóspedes

Segundo a televisão estatal do Irão, as negociações só começarão se os norte-americanos, liderados pelo vice-presidente, JD Vance, aceitarem as condições prévias do Irão.

Pouco antes da partida, o líder parlamentar iraniano tinha afirmado nas redes sociais que faltava cumprir duas condições acordadas mutuamente – um cessar-fogo no Líbano, alvo na quinta-feira de um ataque sem precedentes por Israel, e a libertação de ativos iranianos bloqueados.

Lusa

Donald Trump, presidente dos EUA
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