Trump apresenta 15 condições ao Irão para o fim da guerra, mas Israel teme possível cessar-fogo de um mês
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Trump apresenta 15 condições ao Irão para o fim da guerra, mas Israel teme possível cessar-fogo de um mês

Canal 12, de Israel, revelou 14 das 15 condições impostas pelos Estados Unidos ao Irão. Israel teme que iranianos saiam em vantagem, com o conflito a terminar antes de os termos serem acordados.
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A administração liderada por Donald Trump transmitiu 15 condições ao Irão como os seus termos para o fim da atual guerra, avança a estação de televisão Canal 12, de Israel.

As condições abrangem todos os objetivos de guerra dos Estados Unidos e de Israel, mas a estação televisiva israelita indica que Jerusalém está preocupada com o facto de Trump e a sua equipa quererem pressionar rapidamente para um "acordo-quadro, um acordo de princípio" com o Irão, em vez de insistir nestas exigências como condição para interromper a guerra.

De acordo com três fontes familiarizadas com os detalhes, os principais conselheiros do presidente, Jared Kushner e Steve Witkoff, elaboraram um processo que envolve "a declaração de um período de cessar-fogo de um mês, durante o qual as partes negociariam um acordo de 15 pontos", semelhante aos acordos anteriores mediados pela atual administração norte-americana com o Hamas em Gaza e com o Líbano.

Mas este cenário está a tirar o sono aos líderes políticos e de segurança de Israel, devido ao risco de os iranianos saírem em vantagem, com o conflito a terminar antes de os termos serem acordados.

Segundo o Canal 12 são estas 14 das 15 condições impostas pelos Estados Unidos ao Irão:

  • 1.º O Irão deve desmantelar as suas capacidades nucleares existentes;

  • 2.º O Irão deve comprometer-se a nunca procurar armas nucleares;

  • 3.º Não haverá enriquecimento de urânio em território iraniano;

  • 4.º O Irão deverá entregar o seu stock de cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60% à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) num futuro próximo, num calendário a acordar;

  • 5.º As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordo devem ser desmanteladas;

  • 6.º Deve ser garantido à AIEA acesso total, transparência e supervisão dentro do Irão;

  • 7.º O Irão deve abandonar o seu "paradigma" dos grupos armados regionais;

  • 8.º O Irão deve cessar o financiamento, a direção e o armamento dos seus grupos armados regionais;

  • 9.º O Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e funcionar como corredor marítimo livre;

  • 10.º O programa de mísseis do Irão deve ser limitado em termos de alcance e quantidade, com limites específicos a serem determinados posteriormente;

  • 11.º Qualquer uso futuro de mísseis estaria restrito à autodefesa;

  • 12.º O Irão receberia a suspensão total das sanções impostas pela comunidade internacional;

  • 13.º Os EUA auxiliariam o Irão no avanço do seu programa nuclear civil, incluindo a geração de eletricidade na central nuclear de Bushehr;

  • 14.º O chamado mecanismo de "restabelecimento automático", que permite a reimposição automática de sanções caso o Irão não as cumpra, seria removido.

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Trump insiste que há negociações e refere "um presente muito grande" do Irão

O presidente norte-americano Donald Trump entretanto que há negociações em curso para alcançar um acordo sobre a guerra desencadeada em conjunto com Israel contra o Irão, que tem “um presente muito grande” para oferecer a Washington.

"O que disse ontem [segunda-feira] é absolutamente verdade. Estamos em negociações neste momento", afirmou Donald Trump em declarações na Casa Branca.

O líder norte-americano indicou que o seu enviado Steve Witkoff, o seu genro Jared Kushner, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão envolvidos no processo de diálogo, até agora negado por Teerão.

Nas suas declarações por ocasião da tomada de posse do novo secretário da Segurança Interna, Markwayne Mullin, Trump disse que o Irão tem “um presente muito grande” para os Estados Unidos.

Sem apresentar detalhes, descartou que o suposto presente esteja ligado ao programa nuclear iraniano, mas admitiu que está “relacionado com o fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz”, colocado sob ameaça militar por Teerão, o que fez disparar os preços de hidrocarbonetos à escala global.

“Ontem [segunda-feira] fizeram algo incrível. Na verdade, deram-nos um presente, e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, de enorme valor económico. Não vou dizer qual é o presente, mas foi muito significativo. E deram-nos”, afirmou.

O Presidente norte-americano acrescentou que se trata de "um gesto muito gentil", que demonstra que a Casa Branca está a "lidar com as pessoas certas", e ao mesmo tempo um sinal de que o Irão "chegará a um acordo" para pôr fim ao conflito iniciado pela ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro.

Após os assassínios de altos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, houve uma "mudança de regime" na República Islâmica, segundo Trump, e os atuais representantes de Teerão "são muito diferentes” daqueles que, antes do conflito, “criaram todos estes problemas".

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“Não há uma nova ameaça exótica vinda do Irão que possa penetrar a defesa de Israel”

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o Estreito de Ormuz.

Mais tarde, indicou que Washington e Teerão tinham encontrado "pontos de concordância importantes" durante negociações com um representante iraniano que não identificou.

O Irão negou conversações com os Estados unidos, embora tenha reconhecido a existência de contactos.

O Paquistão confirmou esta terça-feira que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, para pôr fim à guerra.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou na rede social X que, "com a aprovação dos Estados Unidos e do Irão, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente” para o conflito em curso.

A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos como “uma farsa", negando qualquer diálogo com Washington.

"O Irão considera o pedido de negociações dos Estados Unidos como uma nova tentativa de dissimulação para se reagrupar e, encontrar brechas” com vista a “intensificar novamente os ataques", declarou na rede social X a representação iraniana em Islamabad.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou pelo seu lado na segunda-feira que o Presidente norte-americano acredita na possibilidade de “alcançar os objetivos da guerra” através de um acordo com o Irão, mas advertiu que Israel vai defender os seus “interesses vitais em qualquer circunstância”.

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