O presidente dos Estados Unidos voltou a publicar nas redes sociais para avisar que vai manter forças militares destacadas em torno do Irão até que o acordo alcançado seja cumprido e ameaçou lançar uma ofensiva "maior e mais forte" em caso contrário.Donald Trump sublinhou que "todos os navios, aeronaves e pessoal militar dos EUA, juntamente com munições e armamento, permanecerão no Irão e arredores" até que seja cumprido "integralmente o acordo", insistindo que a mobilização responde à necessidade de garantir a estabilidade na zona, afirmou num mensagem divulgada na rede social que lhe pertence, Truth Social.Além disso, Trump advertiu que, se o pacto não for respeitado, "começará a melhor, maior e mais forte batalha que nunca", considerando embora esse cenário "muito improvável", e salientado que "não haverá armas nucleares" e que o Estreito de Ormuz "permanecerá aberto e seguro".Na mesma mensagem, o dirigente revelou que as Forças Armadas dos Estados Unidos se encontram "a preparar-se e a descansar", à espera da "próxima conquista".Trump afirmou que existe apenas um conjunto de pontos aceites por Washington na proposta de cessar-fogo acordada com o Irão e que serão esses pontos a ser discutidos durante as negociações nas próximas duas semanas, sem esclarecer quais."Existe um único conjunto de 'pontos” significativos que são aceitáveis para os Estados Unidos, e iremos discuti-los à porta fechada durante estas negociações", escreveu o presidente norte-americano na Truth Social. .Chefe da diplomacia da UE: "A trégua com o Irão deverá estender-se ao Líbano".A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, defendeu que o cessar-fogo entre EUA e Irão deve abranger também o Líbano."O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra, mas o direito de Israel se defender não justifica infligir tamanha destruição", começou por defender numa mensagem divulgada nas redes sociais.Kallas referiu-se aos ataques israelitas que "mataram centenas de pessoas na noite passada". Perante esta ofensiva de Israel torna-se "difícil argumentar que tais ações brutais se enquadram na legítima defesa", considerou"As ações israelitas estão a colocar o cessar-fogo entre os EUA e o Irão sob forte pressão. A trégua com o Irão deverá estender-se ao Líbano", defende a chefe da diplomacia europeia.Kaja Kallas defende ainda que o "Hezbollah deve desarmar-se, como aceitou fazer"..Aliás, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Saeed Khatibzadeh, disse à BBC que os ataques israelitas de quarta-feira ao Líbano constituem uma "grave violação" do acordo de cessar-fogo. "Não se pode pedir um cessar-fogo, aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas em que se aplica, mencionar especificamente o Líbano e depois ter um aliado que inicia um massacre", disse Khatibzadeh ao programa Today da Radio 4 da BBC.Reino Unido, Espanha e França estão entre os países que condenaram os ataques israelitas ao Líbano, já depois de ter sido anunciado um acordo de cessar-fogo. Na noite passada, "vimos como Israel, desrespeitando o cessar-fogo e violando o direito internacional, lançou centenas de bombas sobre o Líbano", condenou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares.Os ataques israelitas de quarta-feira fizeram 182 mortos e provocaram ferimentos a mais de mil pessoas, segundo as autoridades libanesas. O Governo do Líbano decretou para esta quinta-feira luto nacional.A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, defendeu o alargamento do cessar-fogo entre Washington e Teerão ao Líbano demonstrando preocupação face aos recentes bombardeamentos de Israel. Cooper disse estar profundamente preocupada com o agravamento dos ataques realizados na quarta-feira por Israel contra o Líbano."Vimos as consequências humanitárias destes atos, incluindo a deslocação em massa de pessoas no Líbano", afirmou a chefe da diplomacia britânica à estação de televisão Sky News.A diplomacia de Paris defendeu igualmente a extensão do cessar-fogo ao Líbano.Hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês reiterou a posição considerando intoleráveis os ataques israelitas.Jean-Noel Barrot disse hoje à rádio France Inter que Paris já demonstrou total solidariedade com Beirute..Cessar-fogo em risco: EUA e Irão clamam vitória, mas Israel expande ataques ao Líbano e Ormuz volta a fechar.Netanyahu diz que Israel "continuará a atacar o Hezbollah onde quer que seja necessário" .Apesar da condenação de vários países, Israel já fez saber que vai continuar a atacar alvos do Hezbollah no Líbano. A garantia foi dada pelo primeiro-ministro israelita numa publicação nas redes sociais.Benjamin Netanyahu disse que nos ataques da última noite no sul do Líbano foram atingidas "infraestruturas terroristas", como "passagens de fronteira usadas para o transporte de milhares de armas, rockets e lançadores, bem como depósitos de armas, lançadores e quartéis-generais do Hezbollah"."A nossa mensagem é clara: quem agir contra os cidadãos de Israel sofrerá as consequências. Continuaremos a atacar o Hezbollah onde quer que seja necessário", prometeu Netanyahu, numa altura em que vários países defendem que o cessar-fogo entre Irão e EUA deve incluir o Líbano..O Irão, recorde-se, apresentou um plano de dez pontos para negociar, entre os quais se incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos destacadas na região, o levantamento de todas as sanções contra o Irão e que tudo o que foi referido seja consagrado numa resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.Uma versão em persa divulgada pelos meios de comunicação social iraniana dá ainda conta da exigência de Teerão em prosseguir o seu programa de energia nuclear.O Irão e os Estados Unidos acordaram na terça-feira uma trégua de duas semanas condicionada à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e têm previsto reunir-se no próximo fim de semana em Islamabad, Paquistão, para negociar um fim para o conflito.."Um recuo à beira do abismo". Portugal e UE saúdam acordo de cessar-fogo entre EUA e Irão.Macron diz que cessar-fogo deve incluir Líbano para ser “credível e duradouro”