A Comissão Europeia classificou esta segunda-feira, 23 de março, como “extremamente preocupantes” as informações divulgadas este fim de semana pelo Washington Post de que o governo da Hungria, liderado por Viktor Orbán e próximo de Moscovo, fornece há anos à Rússia informações detalhadas sobre as reuniões do Conselho Europeu. “A relação de confiança entre os Estados-membros e entre estes e as instituições é fundamental para o trabalho da UE. Esperamos que o governo húngaro preste esclarecimentos”, afirmou um porta-voz do executivo comunitário.Segundo o Post, que cita atuais e antigos funcionários da área da segurança europeia, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, costuma telefonar nos intervalos das reuniões dos líderes dos 27 para fornecer ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, “relatórios diretos sobre o que foi discutido” e possíveis soluções.No domingo, através do X, Szijjártó descreveu estas informações como “notícias falsas” que têm como objetivo “apoiar o Partido Tisza e tentar formar um governo fantoche pró-guerra na Hungria”. Os húngaros vão às urnas a 12 de abril para escolher o próximo governo, com as sondagens a dar repetidamente a vitória ao Tisza, da oposição, podendo pôr fim a 16 anos de liderança do Fidesz de Orbán. Este fim de semana, o primeiro-ministro húngaro recebeu o apoio de Donald Trump, de quem é aliado, mas também de vários líderes da extrema-direita, como o espanhol Santiago Abascal ou o argentino Javier Milei. Ontem, a francesa Marine Le Pen, o italiano Matteo Salvini e o neerlandês Geert Wilders fizeram o mesmo. O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, afirmou no domingo que Varsóvia “já suspeitava” da fuga de informações da parte de Budapeste. “A notícia de que pessoas ligadas a Orbán informam Moscovo sobre as reuniões do Conselho Europeu em todos os detalhes não deve surpreender ninguém”, afirmou. “Já tínhamos as nossas suspeitas sobre isso há muito tempo”.Esta segunda-feira, a revista conservadora húngara Mandiner publicou uma reportagem e um ficheiro áudio separados, nos quais o jornalista de investigação independente Szabolcs Panyi afirma que uma fonte lhe forneceu dois números de telefone que Szijjártó usava para fazer chamadas para “um organismo estatal de um país da UE”.Viktor Orbán reagiu a esta última notícia, ordenando uma investigação sobre o que chamou de escuta telefónica a Szijjártó. “Estamos a lidar com duas questões sérias: há provas de que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria foi escutado e também temos indícios de quem pode estar por trás disto. Isto precisa de ser investigado imediatamente”, escreveu esta segunda-feira no X..Orbán prossegue campanha contra Kiev e diz que família foi ameaçada por ucranianos.Hungria não cede e Europa falha aprovação de empréstimo a Kiev