Sismólogo norte-americano acusado de espionagem na China está detido há mais de um ano
Um sismólogo norte-americano que tem detetado testes nucleares da Coreia do Norte está detido há quase dois anos na China, onde aguarda julgamento por acusações de espionagem, avançou a agência Reuters, citando a sua mulher e representantes norte-americanos.
Youlin Chen, de 54 anos, foi designado pelo Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, como estando “detido injustamente”, levando a que a diplomacia norte-americana começasse a trabalhar ao alto nível no regresso do sismólogo, que nasceu na China mas que se naturalizou norte-americano em 2011.
A detenção de Chen remonta a 2024, quando o sismólogo se preparava para voltar à cidade de Boston, onde reside, após uma visita à China. Quando se preparava para embarcar, foi detido e, segundo a sua esposa Yufang Rong, sujeito a “condições duras”.
Para além de ter de passar o dia inteiro sentado num banco duro sem se levantar ou não ter acesso aos medicamentos para a diabetes, Rong denuncia que Chen não está a ser alimentado de forma suficiente, levando a que tenha perdido entre 13 a 18 quilos.
Chen trabalhou para o Departamento de Estado dos EUA para analisar seis testes nucleares da Coreia do Norte e a assinatura sísmica que produziram, tendo produzido um artigo aprovado para divulgação pública pelo departamento norte-americano.
Porém, segundo grupos de direitos humanos consultados pela agência, as autoridades chinesas porem classificar informações retroativamente como secretas, levando a que os envolvidos possam ser implicados.
Segundo Rong, o seu marido foi interrogado mais de 100 vezes sobre o seu trabalho nos testes norte-coreanos. E, de acordo com o antigo funcionário da segurança nacional Eric Lebson que trabalha agora com a família de Chen, Pequim quererá usar esse conhecimento obtido para conseguir ocultar os seus próprios testes nucleares subterrâneos.
Uma fonte próxima na Administração Trump contactada pela Reuters sublinhou que o governo norte-americano estava “focado em conseguir a sua libertação desta detenção injusta”.
A esposa de Chen contou à Reuters que o assunto terá mesmo sido discutido numa reunião pessoal de Donald Trump e Xi Jinping. O líder chinês terá prometido averiguar a situação mas nada fez, de acordo com a esposa. À Reuters, a fonte próxima não confirma que a detenção do sismólogo tivesse sido abordada mas garantiu que Trump e Xi têm uma “relação pessoal muito boa”.
A principal preocupação de Rong, contou, é que o seu marido seja julgado e condenado á porta fechada por um crime que, na lei chinesa, pode dar prisão perpétua ou mesmo a pena de morte.
Porém, o governo chinês nega qualquer tipo de “detenção injusta”, afirmou o porta-voz Lin Jian na terça-feira da semana passada.

