Horas depois de a Coreia do Norte ter lançado uma série de mísseis em direção ao Mar Amarelo, inclusive um míssil balístico de curto alcance, a Coreia do Sul tentou baixar a tensão, apelando às autoridades de Pyongyang para que respondam positivamente aos apelos de Seul para novas negociações de paz e defendendo a desnuclearização da península. Este novo teste surge quando os media sul-coreanos, entre eles a agência noticiosa Yonhap, deram conta da possível visita do presidente chinês, Xi Jinping, à Coreia do Norte ainda esta semana. Uma intenção que ainda não foi confirmada nem por Pequim nem por Seul. Segundo as forças armadas sul-coreanas, os mísseis lançados por Pyongyang percorreram 80 km antes de se despacharem no mar. Este é o primeiro teste de mísseis conhecido realizado pela Coreia do Norte desde 19 de abril. Mas antes disso, o país já anunciara a realização de testes com uma nova ogiva de bombas de fragmentação montada num míssil balístico e com uma arma eletromagnética. Os analistas consideraram estes testes como pretendendo mostrar que Pyongyang tem capacidade para travar uma guerra moderna.Em março, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, garantira que o estatuto de potência nuclear da Coreia do Norte é “irreversível” e que a expansão de uma “dissuasão nuclear de autodefesa” continuava a ser fundamental para a segurança nacional. A Coreia do Norte já realizou seis ensaios nucleares desde 2006. O primeiro teve lugar ainda com o pai de Kim, Kim Jong-il, no poder, e o último em 2017. Apesar das sanções impostas pelas Nações Unidas desde 2006 devido aos seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos, a Coreia do Norte acelerou os esforços de desenvolvimento militar sob a liderança de Kim, o que suscitou a condenação da comunidade internacional, a começar pôr Coreia do Sul, Japão e EUA.Reflexo da tensão na península coreana é o facto de a Coreia do Norte ter retirado qualquer referência à reunificação com o Sul da sua Constituição. A mudança, que terá ocorrido em março, só foi tornada pública no início deste mês de maio. Esta revisão constitui a mais recente confirmação de uma deterioração a longo prazo nas relações intercoreanas. Em dezembro de 2023, Kim Jong-un denunciou a Coreia do Sul como “base militar avançada e arsenal nuclear” dos EUA e afirmou que já não acreditava que a unificação pudesse ocorrer por meios pacíficos. A 15 de janeiro de 2024, anunciou que o Norte abandonaria o objetivo da reunificação pacífica, declarando que Pyongyang já não via Seul como “o parceiro da reconciliação e da reunificação” mas sim como um inimigo que deve ser subjugado, se necessário, com armas nucleares. Seria neste cenário - e com a sua posição reforçada depois de ter recebido em Pequim o líder americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin no espaço de uma semana - que Xi chegaria a Pyongyang nos próximos dias. Esta seria a primeira visita do presidente chinês à Coreia do Norte desde 2019. Mas Kim esteve em Pequim em setembro para as celebrações dos 80 anos do fim da II Guerra Mundial..Ju-ae, a potencial herdeira de Kim pode ter um cargo no partido aos 13 anos?