Satélite da finlandesa ICEYE teve aproximação da sua órbita por satélites russos
Satélite da finlandesa ICEYE teve aproximação da sua órbita por satélites russosFOTO: DR/ICEYE

Satélite russo aproxima-se a poucos metros de aparelho ao serviço da Ucrânia

O satélite militar russo Cosmos-2612 alterou bruscamente a sua velocidade para alcançar a mesma órbita do engenho comercial finlandês ICEYE-X36, usado pelos EUA para apoiar a Ucrânia.
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Um satélite militar russo aproximou-se a apenas algumas dezenas de metros de um outro, comercial, europeu, contratado pelos Estados Unidos e que apoia a Ucrânia, reporta esta terça-feira a AFP, que indica tratar-se de “um incidente preocupante no espaço”.

As manobras começaram no final de setembro, quando o satélite militar russo Cosmos-2612 alterou bruscamente a sua velocidade para alcançar a mesma órbita do engenho comercial finlandês ICEYE-X36.

Lançado pela Rússia para uma órbita baixa em abril, o Cosmos-2612 prosseguiu depois as manobras, aproximando-se do satélite finlandês até atingir uma diferença de apenas um centésimo de grau, segundo dados sobre as trajetórias dos dois aparelhos analisados pela agência France-Presse (AFP).

Segundo especialistas, na manhã de domingo, há dois dias, a distância entre os dois satélites era inferior a 100 metros.

O incidente, acompanhado pela comunidade científica, suscitou dúvidas sobre as capacidades do satélite russo, nomeadamente em matéria de interceção, interferência de sinais ou espionagem no espaço.

Não é a primeira vez que satélites russos realizam manobras para se posicionarem nas imediações de satélites de outros países.

“A combinação de vários fatores tornou este incidente particularmente preocupante”, afirmou à AFP Clayton Swope, especialista em segurança espacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).

“O satélite alinhou-se com o mesmo plano orbital em órbita terrestre baixa” do satélite comercial ICEYE, que “apoia a Ucrânia”, explicou.

Segundo Clayton Swope, “nada permite pensar que [o satélite russo] precisasse de realizar as manobras que efetuou por uma razão pacífica”.

Um porta-voz da filial norte-americana da ICEYE, contactado pela AFP, afirmou estar a par da situação e a acompanhá-la de perto.

Num documento dedicado às ameaças espaciais, a Força Espacial dos Estados Unidos (USSF, na sigla em inglês) salienta que, em maio deste ano, a Rússia realizou manobras orbitais “muito exigentes em termos de combustível” para posicionar quatro satélites militares nas proximidades de um outro, comercial, de radar ocidental utilizado pela Ucrânia.

Este satélite, tal como o ICEYE-X36, está equipado com sensores de radar de alta resolução (SAR, na sigla em inglês), que permitem observar a Terra durante a noite ou quando o céu está coberto de nuvens.

Segundo a USSF, a Rússia colocou vários satélites em órbita para testar capacidades de interceção cinética e não cinética.

No entanto, para Swope, é “impossível confirmar que o Cosmos-2612 estivesse equipado com uma arma”.

Numa nota publicada por Swope, as atividades russas destinadas a contrariar as capacidades espaciais ocidentais devem ser avaliadas “no contexto das atividades agressivas russas na chamada zona cinzenta”.

Desde o início da guerra na Ucrânia, Moscovo considera a utilização de satélites comerciais ocidentais para fins militares como uma “participação indireta” no conflito.

“As infraestruturas de natureza quase civil poderão tornar-se alvos legítimos de retaliação”, ameaçou, em outubro de 2022, nas Nações Unidas, Konstantin Vorontsov, um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Na manhã de segunda-feira, o satélite Cosmos-2612 afastou-se do ICEYE-X36, encontrando-se então os dois aparelhos a alguns quilómetros de distância.

Na semana passada, o instituto norte-americano ISR, especializado em defesa, informações e segurança, salientou a possibilidade de se registar uma nova manobra de aproximação não solicitada entre satélites russos e um satélite ICEYE nas próximas semanas.

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