Ucrânia avisa Organização da Aviação Civil Internacional de que espaço aéreo russo não é seguro
A Ucrânia notificou oficialmente a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) de que o espaço aéreo russo “não é seguro” devido ao “aumento da atividade militar”.
“Num contexto de escalada drástica do terror exercido pela Rússia contra a Ucrânia, o espaço aéreo russo está a tornar-se cada vez mais perigoso”, afirmou esta quarta-feira, 2 de setembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha na rede social X. “Exortamos todos a evitá-lo”, afirmou o ministro.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tinha alertado na terça-feira, no seu discurso diário, que o céu russo se estava a tornar “extremamente perigoso” devido aos drones ucranianos.
“A Ucrânia não quer que se percam vidas inocentes. É por isso que alertamos os nossos parceiros: os dias de segurança no céu russo acabaram”, disse Zelensky, afirmando que, embora a aviação civil não seja o alvo “em si”, esta “não tem lugar num céu infestado de drones”.
O líder ucraniano afirmou que se tratava de uma resposta “justa” ao “desejo da Rússia de prolongar a guerra”, acusando-a de “terror contra civis”.
Zelensky sublinhou mesmo que, embora as autoridades russas possam não comunicar, “o céu russo será, de facto, encerrado”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano e outras instituições vão fornecer às organizações internacionais “informações completas sobre os perigos existentes no espaço aéreo russo”, detalhou.
“Os céus infestados de drones não são local adequado para a aviação civil”, continuou Zelensky.
Questionado sobre as declarações do homólogo ucraniano, o presidente russo, Vladimir Putin, considerou que se tratava de uma “declaração de terrorismo de Estado”.
“Se tais tragédias ocorrerem, saberemos como reagir”, acrescentou, perante os meios de comunicação russos no final da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que decorreu entre segunda e na terça-feira no Quirguistão.
Tanto Kiev como Moscovo intensificaram os seus ataques nos últimos meses, o que tem resultado num número crescente de vítimas civis, mais de quatro anos após o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia.
Infraestruturas civis, tais como armazéns logísticos e instalações energéticas, petrolíferas e portuárias, são regularmente alvo de ataques.
Os voos de drones ucranianos provocam também frequentes interrupções do tráfego aéreo nas partidas e chegadas dos grandes aeroportos russos.
O espaço aéreo ucraniano, por sua vez, encontra-se completamente encerrado desde o início da invasão russa de 2022.
Os esforços diplomáticos, sob mediação norte-americana, para pôr fim ao conflito encontram-se num impasse desde o início da guerra no Médio Oriente.

