As autoridades da República Democrática do Congo (RDCongo) restringiram esta sexta-feira, 22 de maio, o número de pessoas permitidas em reuniões na província de Ituri, epicentro do surto de Ébola declarado há uma semana no leste do país."As reuniões públicas, manifestações e festas estão limitadas a um máximo de 50 pessoas", afirmou o governador de Ituri, Luboya N'Kashama Johnny, em comunicado..Ébola: Risco da epidemia na RDCongo em nível máximo de alerta.São suspensos os velórios e os enterros devem ser realizados "em estrita conformidade" com os protocolos de saúde, além de ser proibida a transferência de corpos entre territórios.A lista divulgada proíbe ainda o transporte de corpos por motociclo, veículo particular, transporte público ou qualquer outro meio, sendo apenas permitida a presença de ambulâncias pertencentes à equipa de resposta.O campeonato de futebol de Ituri foi cancelado e serão instalados postos de controlo, postos de rastreio de temperatura e pontos de desinfeção em todas as entradas e saídas das zonas afetadas pelo décimo sétimo surto registado na RDCongo desde que o vírus foi detetado pela primeira vez em 1976.O governador de Ituri decretou ainda medidas obrigatórias de prevenção e higiene, como lavar as mãos regularmente com água e sabão ou utilizar álcool gel em locais públicos, e exortou as pessoas a manterem uma distância mínima de dois metros e a evitar qualquer contacto físico desnecessário, especialmente com pessoas doentes, falecidas ou com suspeita de infeção pelo vírus Ébola.Para fazer cumprir estas orientações, ordenou a instalação de estações de lavagem das mãos em locais públicos; que os alimentos, principalmente as carnes de caça, sejam bem cozinhados; e que todos cooperem com as equipas de resposta médica.Numa outra ordem, o governador proíbe formalmente a automedicação ou o isolamento domiciliário sem autorização médica, e apela a que as pessoas contactem as equipas de resposta "imediatamente" se apresentarem febre alta súbita que não responde ao tratamento, hemorragia, diarreia com sangue ou hematúria, ou se alguém morrer subitamente.O surto está ligado à estirpe Bundibugyo do Ébola, que tem uma taxa de mortalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que o vírus tenha provavelmente começado a circular em Ituri há dois meses.Fora da República Democrática do Congo, o Uganda confirmou dois casos (importados da RDCongo) em Kampala, um dos quais resultou em morte, e o Sudão do Sul está a realizar mais testes laboratoriais para confirmar um caso suspeito reportado pelas autoridades no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com a República Democrática do Congo.Hoje, o Ruanda proibiu a entrada no país de cidadãos estrangeiros que tenham viajado ou transitado pela RDCongo nos últimos 30 dias, para prevenir a propagação do surto de Ébola declarado há uma semana no leste daquele país.Os cidadãos ruandeses e os residentes estrangeiros poderão entrar, mas aqueles que transitaram por território congolês durante o mesmo período estarão sujeitos a quarentena obrigatória, de acordo com os protocolos de saúde pública do país.As duas regras entram em vigor de imediato e visam manter a atual situação de zero casos suspeitos no país, que faz fronteira com a RDCongo. O Ruanda reforçou também os controlos sanitários e a vigilância nas passagens fronteiriças terrestres ao longo da sua fronteira com a RDCongo, que as autoridades ruandesas fecharam no passado domingo para prevenir a propagação do vírus.O Ruanda está também a implementar medidas reforçadas de controlo de entrada no Aeroporto Internacional de Kigali.A OMS declarou o surto como uma "emergência de saúde pública de importância internacional" no passado domingo e alertou hoje que o risco da epidemia de Ébola na RDCongo passou de "elevado" para "muito elevado", o nível máximo de alerta, enquanto os riscos a nível regional permanecem inalterados.O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.."Profundamente preocupado" com surto de ébola no Congo, diretor-geral da OMS convoca comité de emergência