"Rainha da Cetamina" condenada a 15 anos de prisão por envolvimento na morte do ator Matthew Perry
Jasveen Sangha, que se declarou culpada no ano passado por ter vendido uma dose fatal de cetamina ao ator Matthew Perry, foi esta quarta-feira, 8 de abril, condenada a 15 anos de prisão.
Conhecida como a "Rainha da Cetamina", Sangha é a quinta arguida a aceitar um acordo judicial e a fazer uma admissão de culpa no caso.
Os procuradores federais norte-americanos tinham pedido a pena de 15 anos pelo envolvimento na morte do artista e de outra pessoa, citando o "amplo alcance da ilegalidade da arguida" e "a sua resposta insensível às mortes que ajudou a causar".
Matthew Perry morreu em outubro de 2023, aos 54 anos. As autoridades determinaram que o consumo de cetamina, um anestésico cirúrgico, foi a principal causa da morte.
A estrela de Friends, que lutava contra o vício do consumo dessa substância há anos, já tinha usado cetamina legalmente para tratar a depressão. Depois disso, o seu médico recusou-se a fornecer o medicamento nas quantidades que o ator desejava, o que o levou a procurá-lo a outras fontes.
As autoridades acusaram cinco pessoas: dois médicos, Salvador Plasencia e Mark Chavez; o assistente do ator, Kenneth Iwamasa, que lhe injetou a droga antes da sua morte; Erik Fleming, um conhecido de Perry; e Jasveen Sangha.
Os médicos não forneceram a cetamina que matou Perry, mas um juiz disse a Plasencia que ele e outros ajudaram o ator a chegar à morte, "alimentando o seu vício em cetamina". Sangha, de 42 anos, admitiu ter fornecido ao ator cerca de 50 frascos de cetamina, com Fleming a servir de intermediário.
Na sua confissão, Sangha admitiu ter distribuído drogas, incluindo cetamina e metanfetamina, desde 2019, e admitiu ter vendido cetamina também a Cody McLaury, que morreu em 2019, aos 33 anos, pouco depois de comprar o medicamento, tendo continuado a traficar mesmo depois de saber das mortes.
“As ações da arguida demonstram uma frieza e um desprezo pela vida. Ela deu prioridade ao lucro em detrimento das pessoas, e as suas ações causaram imensa dor às famílias e aos entes queridos das vítimas”, afirmou a acusação nos documentos judiciais.
Sangha vem de uma família privilegiada, frequentou uma “universidade de renome” e obteve um mestrado, e procurou vender drogas por “ganância, glamour e influência”, argumentam os procuradores.
A defesa, no entanto, argumentou que a "Rainha da Cetamina", que está a ser representada pelos conceituados advogados Mark Geragos e Alexandra Kazarian, admitiu a responsabilidade, não tem antecedentes criminais e participou em programas de recuperação e reabilitação enquanto esteve presa, pedindo para que Sangha seja libertada após cumprir a pena.
“A reabilitação demonstrada pela Sr.ª Sangha, incluindo dois anos de sobriedade contínua, participação constante em programas de recuperação e forte apoio da comunidade, reflete um compromisso significativo com a mudança e um baixo risco de reincidência”, escreveu a defesa nos documentos judiciais.
Numa entrevista dada a partir da prisão, Sangha lamentou "profundamente a dor" que causou, "especialmente à família de Matthew [Perry]”.
A família do ator pediu que Sangha fosse condenada à pena máxima, alegando que a dor que causou é “irreversível”. “Por favor, deem a esta mulher sem coração a pena máxima de prisão para que não possa magoar outras famílias como a nossa”, disse Debbie Perry, madrasta do malogrado ator, numa declaração em tribunal.


