Ninhos, feitos relva e de cabos, foram encontrados na linha da frente
Ninhos, feitos relva e de cabos, foram encontrados na linha da frenteMuseu da Guerra de Kiev

Pássaros na Ucrânia começaram a fazer ninhos com cabos de fibra ótica usados para guiar drones

Cabos de fibra ótica estendem-se até 20 quilómetros e são abandonados após serem usados na frente de batalha. Investigadores querem descobrir que pássaros conseguiram construir estes ninhos.
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Os impactos da guerra da Ucrânia estão a fazer-se sentir também nas aves do país. Investigadores do Museu da Guerra de Kiev encontraram um ninho feito com relva e cabo de fibra ótica, usados na frente de batalha por russos e ucranianos para orientar os exércitos de drones utilizados por ambos os lados.

Segundo a agência Reuters, estes cabos estendem-se por até 20 quilómetros e emaranham-se nas árvores, servindo para evitar que ocorram interferências eletrónicas. Agora, quatro anos após a invasão russa, os pássaros começaram a usar estes fios que são descartados para tecer os seus ninhos, contou Yana Hrynko, investigadora sénior do museu da capital ucraniana, à agência.

“Objetos como ninhos de aves com fragmentos de fibra ótica demonstram a mudança na natureza da guerra”, sublinhou ainda, notando que não se sabe ainda que pássaros fizeram estes ninhos nem como conseguiram fazê-los. “Estão muito bem tecidos”, comentou porém.

Oleh Malchenko, investigador do Instituto de Estudos Arquivísticos e de Fontes da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, partilhou imagens de um dos ninhos no Facebook, encontrado pelas forças do país na região do Donbass, que tem sido palco do conflito desde antes mesmo da invasão russa.

Ao todo, o Museu de Guerra de Kiev recolheu dois destes ninhos. Um deles deverá ficar na coleção, tendo sido encontrado e doado por Mykhailo Mlechko, um soldado que encontrou o ninho numa aldeia perto de Kupiansk, na região oriental de Kharkiv.

"Percebi que um objeto daqueles tinha valor, por isso decidi preservá-lo", disse Mlechko, citado no site do museu.

O outro ninho recolhido, segundo os investigadores consultados pela Reuters, será enviado para os Países Baixos para mais testes, até para perceber que pássaro é que conseguiu fazer ninho destes cabos.

“Vamos procurar vestígios de ADN que ainda se encontrem num ninho, contou Auke-Florian Hiemstra, investigadora na cidade de Leiden que se especializa em ninhos artificiais e que garante que nunca “tinha visto ninhos assim antes”. “E já vi muitos ninhos”, frisou ainda.

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