Primeiro-ministro australiano diz que detenção do irmão de Carlos III não levará a referendo sobre a monarquia
O primeiro-ministro da Austrália classificou a detenção de Andrew Mountbatten-Windsor como uma "extraordinária queda em desgraça", mas garantiu ao Guardian que esta crise da família real britânica não levará a realização de um novo referendo sobre o país trocar a monarquia por uma república.
“São alegações muito graves e, como serão sem dúvida objeto de uma ação judicial, estou limitado no que posso dizer”, afirmou Anthony Albanese. “Mas as pessoas estarão a acompanhar os detalhes. Parece tratarem-se de documentos [classificados] que foram encaminhados indevidamente para alguém que não tinha autorização para os receber. Mas, claro, há também a questão mais ampla relacionada com Andrew Mountbatten-Windsor. Sem dúvida, vamos aguardar para ver como tudo isto se desenrola.”
O irmão de Carlos III foi detido na quinta-feira, 19 de fevereiro, por suspeitas de má conduta em cargo público, provavelmente pelas suas ligações a Jeffrey Epstein, tendo sido libertado sob investigação ao final do dia, após quase 12 horas de detenção.
Albanese, um apoiante de longa data da passagem da Austrália a uma república, abandonando assim a monarquia britânica, afirmou porém que o seu governo não planeia levar a cabo um referendo. “Sou republicano, mas tivemos um referendo no último mandato”, disse ao Guardian, sublinhando que os referendos “são difíceis de serem aprovados” no país.
O referendo da Voz Indígena Australiana de 2023, foi realizado em 14 de outubro desse ano, tendo os eleitores questionados sobre se aprovavam uma alteração à Constituição que reconheceria os indígenas australianos no documento através da prescrição de um órgão chamado Voz dos Aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torre. A proposta derrotada nas votações estaduais e nacionais.
“Tenho respeito pelo rei Carlos, devo dizer, e pela rainha Camilla. Tenho uma boa relação com ele. Ele gosta muito da Austrália. E a sua visita aqui, devo dizer, foi muito positiva. Mas isso não muda o facto de que acho que deveria haver um chefe de Estado australiano” concluiu Albanese.

