Papa Leão XIV pede aos bispos franceses "máxima vigilância" sobre abusos sexuais
O Papa Leão XIV pediu este domingo, 26 de setembro, aos bispos franceses que continuem a trabalhar mantendo “a máxima vigilância” face ao flagelo dos abusos, durante uma reunião em Lourdes, no âmbito da sua visita a França.
“Nos últimos anos, vocês enfrentaram com firmeza o doloroso flagelo do abuso de menores cometido por membros do clero ou no seio da Igreja. Tomaram medidas corajosas para a combater, através da escuta ativa, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e de um firme compromisso com uma cultura de prevenção e proteção contra estes crimes”, afirmou o Papa, segundo a agência EFE, numa reunião à porta fechada, cujo discurso foi posteriormente divulgado.
O pontífice agradeceu aos bispos o que têm feito até agora e reconheceu que “passaram por momentos muito difíceis”.
“É fundamental continuar no caminho que iniciaram, mantendo a máxima vigilância”, afirmou o Papa, que durante a tarde se reunirá em Lourdes com um grupo de sete vítimas.
E acrescentou que, ao mesmo tempo, o clero “precisa de apoio e encorajamento”.
Em França, foram identificados aproximadamente 330.000 casos de abusos cometidos por membros do clero entre 1950 e 2020, de acordo com uma investigação de 2021, e pouco menos de 2.000 vítimas receberam uma indemnização por esses crimes.
O Papa pediu também aos bispos que “tenham sempre a coragem de reconhecer as falhas por amor à verdade e a determinação de sarar as feridas”, mas que “não desanimem perante os erros, as inconsistências ou mesmo as quedas”.
“Perante os imensos desafios do nosso tempo, exorto-vos, queridos irmãos, a demonstrar coragem, audácia e criatividade missionárias”, acrescentou, no discurso dirigido aos prelados.
Noutra passagem, afirmou que a Igreja “tem sido testemunha, e até tem contribuído, para a lenta construção” da nação francesa, mantendo-se “parte fundamental da cultura” gaulesa.
“A voz da Igreja ocupa o lugar que lhe cabe no debate público em França; possui, pela sua própria natureza, uma autoridade profética”, entende Leão XIV.
Salientou que “embora nem sempre seja ouvida, é esperada. Embora não seja seguida, sobretudo em questões essenciais que dizem respeito aos fundamentos da civilização, é necessária”.
Perante o secularismo, o Papa disse aos bispos para não desanimarem e exortou-os “a manterem-se vigilantes na defesa da liberdade e dos direitos da Igreja para evangelizar, educar em verdadeira liberdade e praticar o culto público, para que a caridade seja exercida visivelmente em nome de Jesus Cristo”.
Após este encontro com os bispos, o Papa rezou uma missa no santuário católico de Lourdes, onde foi recebido por cerca de 150 mil fieis.
O líder da Igreja católica chegou a Lourdes no sábado à noite, vindo de Paris, e rezou imediatamente no interior da Gruta das Aparições, tendo bebido da nascente.
Em Lourdes, o santuário católico francês associado a curas milagrosas e que é agora também um local de cura para sobreviventes de abuso sexual por parte do clero, Leão XIV pronunciou-se contra a eutanásia e a morte medicamente assistida.
Durante a sua visita de quatro dias a França, Leão XIV tem apelado repetidamente a um renovado respeito pela vida, em consonância com o ensinamento católico de que toda a vida humana deve ser protegida e defendida desde a conceção até à morte natural.
Lourdes tornou-se um importante destino de peregrinação depois de a Igreja Católica ter reconhecido oficialmente as visões da Virgem Maria relatadas por uma jovem em 1858.
O local, próximo da fronteira com Espanha, atrai milhões de peregrinos todos os anos, especialmente fiéis doentes e com deficiência, que esperam uma cura graças à famosa água da nascente na gruta de Lourdes, onde as aparições terão ocorrido.
Segundo os dados divulgados pelo Vaticano, além dos cerca de 150.000 fiéis nesta missa ao ar livre em Lourdes, mais de um milhão de pessoas foram ao encontro do Papa em Paris e em Saint-Denis na sexta-feira e no sábado.

