O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) disse esta quinta-feira, 21 de maio, à Lusa que "está previsto" que os dois cidadãos Portugueses que foram detidos em Israel sejam deportados esta quinta para Portugal via Turquia.“Está previsto que os dois cidadãos nacionais que foram detidos em Israel [por participarem na flotilha para Gaza] sejam deportados hoje para Portugal, via Turquia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já informou as respetivas famílias”, disse fonte do MNE à Lusa.Os dois médicos portugueses, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, foram detidos na segunda-feira pelas autoridades israelitas, no âmbito da missão "Sumud Global Flotilla", que seguia para Gaza.A embarcação onde seguiam os dois portugueses e que se deslocava para a Faixa de Gaza foi intercetada na segunda-feira pelas forças israelitas em águas internacionais.Também o governo de Espanha anunciou que os 44 espanhóis que estavam na flotilha deverão ser deportados esta quinta-feira. "O cônsul de Espanha em Israel acaba de informar que estão já a ser levados para uma aeroporto (...) em conjunto com o resto de ativistas para, como tudo indica, serem deportados via Turquia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, em declarações à televisão TVE.Albares, que já tinha classificado como ilegal a interceção da flotilha e a detenção dos tripulantes, disse hoje que voltou a convocar a chefe da embaixada de Israel em Madrid, Dana Erlich, para protestar pelo tratamento "monstruoso, indigno e desumano" dos ativistas por parte das autoridades israelitas.O ministro espanhol voltou também a pedir a suspensão, pela União Europeia, do acordo de associação de Bruxelas com Israel."Temos de dar esse passo, é preciso dizer de uma vez por todas a Israel que uma democracia não atua assim", afirmou.Na quarta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro também defendeu a suspensão parcial do acordo comercial entre a União Europeia e Israel na sequência da divulgação do vídeo divulgado pelo ministro da Segurança israelita Itamar Ben Gvir..Montenegro defende suspensão parcial do acordo comercial entre a UE e Israel após humilhação de ativistas da flotilha. Nas imagens, os membros da flotilha, detidos, são humilhados pelas forças de Israel. Mostra Ben Gvir a visitar o porto de Ashdod, onde os cerca de 430 ativistas estavam detidos, algemados, amontoados e obrigados a ajoelhar-se com a cara no chão. O ministro celebrou divulgando estas imagens em que aparece sorridente e a acenar com a bandeira israelita, dando boas-vindas aos ativistas e troçando deles.UE fala em tratamento completamente inaceitávelA União Europeia (UE) classificou esta quinta-feira como "completamente inaceitável" o tratamento dado aos ativistas da flotilha para Gaza detidos por Israel, após a divulgação de um vídeo partilhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Itamar Ben Gvir."O tratamento dado aos ativistas da flotilha no vídeo partilhado pelo ministro Ben Gvir é completamente inaceitável, como também foi sublinhado por membros do seu próprio Governo", afirmou o Serviço Europeu para a Ação Externa em um comunicado.O serviço diplomático da UE sublinhou que "todas as pessoas detidas devem ser tratadas com segurança, dignidade e em conformidade com o direito internacional"."Apelamos ao Governo israelita para que garanta a proteção e o tratamento humano destes ativistas, incluindo vários cidadãos da UE. Apelamos à libertação imediata de todos eles", acrescentou o Serviço Europeu para a Ação Externa.Vários países europeus, incluindo Portugal, convocaram embaixadores israelitas para protestar contra o tratamento de Telavive aos ativistas da Flotilha Global Sumud, mostrado num vídeo divulgado pelo ministro da Segurança Nacional do país.Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, condenou a atitude de Ben Gvir, afirmando que a forma como trata os ativistas "não está de acordo com os valores e normas de Israel", uma condenação reiterada pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros.Mentalidade de um estado doente, diz HamasO Hamas considerou esta quinta-feira que as ações do ministro da Segurança Nacional de Israel "refletem a mentalidade de um Estado doente"."O que os ativistas da flotilha sofreram sob a supervisão do fascista Ben Gvir é bárbaro e reflete a mentalidade de um Estado doente que não pertence a uma comunidade internacional civilizada", disse Basem Naim, membro da ala política do grupo, que pediu que Israel "seja expulso de todas as instituições internacionais".Naim afirmou, segundo o jornal palestiniano Filastin, que “Israel está a cavar a sua própria sepultura com as mãos dos seus líderes"."É verdade o que dizem sobre (o primeiro-ministro israelita Benjamin) Netanyahu querer mudar o Médio Oriente, mas virou o mundo inteiro contra si. A sua queda é inevitável", concluiu. .Onda de indignação após ministro israelita liderar humilhação a ativistas da flotilha que iria para Gaza