Onda de indignação após ministro israelita liderar humilhação a ativistas da flotilha que iria para Gaza
FOTO: Conta X Ben Gvir

Onda de indignação após ministro israelita liderar humilhação a ativistas da flotilha que iria para Gaza

Governos europeus, incluindo o de Portugal, condenam os atos de Ben Gvir. Até Benjamin Netanyahu se distanciou do ministro da Segurança Nacional.
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O ministro da Segurança Nacional de Israel publicou um vídeo na rede social X no qual se mostra a forma como os ativistas da flotilha que tinha como objetivo furar o bloqueio naval a Gaza foram detidos -- de forma ilegal -- por Israel. O tratamento desumano, supervisionado pelo próprio Itamar Ben Gvir, levou à sua condenação por parte de vários executivos europeus, Portugal incluído.

O vídeo de 38 segundos começa com uma ativista a proclamar "Free Palestine" para de imediato ser subjugada e atirada ao chão, continua com um Ben Gvir sorridente a brandir a bandeira de Israel, prossegue com a imagem dos ativistas detidos, manietados e de joelhos no chão, enquanto se ouve o hino de Israel, e continua com Ben Gvir a apoucar os detidos, que são vistos a ser transferidos de uma forma que "atenta a dignidade humana", como criticou a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni.

"Portugal condena veementemente o comportamento intolerável do ministro israelita Ben Gvir e o tratamento infligido aos ativistas da flotilha em humilhante violação da dignidade humana", disse por sua vez o Ministério dos Negócios Estrangeiros português. O ministério dirigido por Paulo Rangel disse que estava em contacto permanente com as autoridades israelitas para exigir a libertação imediata dos cidadãos portugueses -- em número indeterminado -- e garantir a sua proteção. Disse ainda que tinha convocado o encarregado de negócios israelita para formalizar o protesto e pedir esclarecimentos

O homólogo italiano Antonio Tajani também atuou da mesma forma. Estavam 29 cidadãos italianos num total de 430 ativistas em cerca de 50 embarcações. Entre eles figurava o deputado Dario Carotenuto, do Movimento 5 Estrelas. Meloni considerou "inaceitáveis" as imagens de Ben Gvir e exigiu um pedido de desculpas por parte do governo de Israel.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês Jean-Nöel Barrot usou as mesmas palavras de Meloni acerca das imagens, "inadmissíveis", e também convocou o embaixador israelita.

Os chefes da diplomacia de Espanha e da Irlanda também condenaram o sucedido, bem como o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, que considerou o sucedido "completamente inaceitável".

Na terça-feira, as forças militares israelitas usaram canhões de água e abordaram a última dezena de barcos que continuavam a navegar, e nos quais seguiam a bordo quase uma centena de ativistas. Na segunda-feira, foram capturadas 40 embarcações e mais de 300 ativistas numa operação supervisionada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Desta vez, porém, e face à onda de indignação internacional, este fez saber que "a forma como o ministro Ben Gvir lidou com os ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e normas de Israel". Netanyahu disse também que o seu país "tem todo o direito de impedir que flotilhas provocatórias de apoiantes terroristas do Hamas entrem" nas águas territoriais de Israel e cheguem a Gaza. Concluiu dizendo ter dado ordens para as autoridades "deportarem os provocadores o mais rapidamente possível".

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