Angela Merkel criticou esta segunda-feira, 18 de maio, a União Europeia por não estar a usar a sua influência diplomática para ajudar a colocar um ponto final à guerra na Ucrânia, tendo ao mesmo tempo recusado a possibilidade de liderar as negociações da Europa com a Rússia. “Penso que o apoio militar que temos prestado até agora é absolutamente correto. Também acho correto que façamos muito mais para criar um efeito dissuasor para além do nosso apoio à Ucrânia”, disse a antiga chanceler alemã numa conferência da emissora pública WDR. “O que lamento é que, na minha opinião, a Europa não esteja a aproveitar suficientemente o seu potencial diplomático”.Na opinião de Merkel, “a diplomacia sempre foi o reverso da medalha, mesmo durante a Guerra Fria”, sublinhando considerar importante a existência de “dissuasão militar aliada à atividade diplomática”.Olhando para o atual panorama diplomático, a antiga governante alemã declarou que “não basta que Trump mantenha contacto com a Rússia”, referindo que “nós também somos alguém, como europeus”. “Subestimar Putin seria um erro, mesmo agora. E não ter confiança em nós próprios seria um erro igualmente grande”, alertou.Com os Estados Unidos mais concentrados no conflito com o Irão - apesar dos recentes encontros entre os mediadores norte-americanos e a delegação ucraniana - tem crescido a pressão sobre a Europa para nomear um negociador para conversações de paz na Ucrânia. Pressão vinda tanto de Moscovo como de Kiev. Vladimir Putin sugeriu Gerhard Schröder para a tarefa, mas as ligações do antigo chanceler alemão ao Kremlin levaram a que o seu nome fosse imediatamente rejeitado. Volodymyr Zelensky - que nos últimos meses referiu repetidamente a necessidade de a Europa participar no processo de paz - disse no domingo à noite ter falado com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e que ambos concordaram “que a Europa deve estar envolvida nas negociações”. “É importante que tenha uma voz forte e presença neste processo, e vale a pena determinar quem representará especificamente a Europa”, disse o presidente ucraniano. A questão é quem poderá ser esse negociador, que iria representar, além dos 27, outros aliados europeus da Ucrânia que não fazem parte da UE, como o Reino Unido ou a Noruega. Um dos nomes falados para essa posição tem sido precisamente o de Merkel, que serviu como mediadora (a par do francês Emmanuel Macron) entre Putin e Zelensky em 2019 por causa do conflito entre as duas partes no leste da Ucrânia. Em 2014 e 2015, Merkel e o francês François Hollande também já tinham mediado os Acordos de Minsk sobre o Donbass, que nunca foram respeitados por Moscovo. Esta segunda-feira, a alemã esclareceu que ainda não tinha sido contactada nesse sentido, mas que também não estava disponível para a tarefa. “Só conseguimos realizar estas negociações com o presidente Putin porque tínhamos poder político, porque éramos chefes de Governo”, disse Merkel. “É preciso ter esse poder. E eu, pessoalmente, nunca teria pensado em pedir a um mediador que fosse a Minsk por mim e conversasse com Putin… É preciso tomar as rédeas da situação.”A líder da diplomacia da UE é outro dos potenciais candidatos, mas a sua postura anti-Rússia levaria a que fosse rejeitada por Putin. No entanto, Kaja Kallas, que sempre se mostrou contra a possibilidade de diálogo com Moscovo, tem-se mostrado mais aberta à ideia de um enviado, tendo adiantado recentemente que o tema será discutido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE no final do mês. .União Europeia veta Schröder, mas pondera falar com Rússia