O governo de extrema-direita de Giorgia Meloni viu na quarta-feira o Parlamento italiano aprovar uma lei que dá às escolas o poder de chumbar alunos apenas pelo seu comportamento. Esta legislação é semelhante a um pacote de medidas implementado em 1924 por Benito Mussolini e que foi descartado em meados dos anos 1970 no primeiro e segundo ciclos após protestos estudantis, tendo apenas sido banido há 24 anos..Como resultado desta nova lei, os alunos do segundo ciclo ao secundário que tenham cinco ou menos numa escala até dez em comportamento reprovam o ano, mesmo se as suas notas académicas forem positivas. Além disso, os alunos do secundário que conseguirem apenas um seis em conduta terão de fazer um exame de educação cívica. As notas de comportamento passarão também a ter um grande peso no acesso aos exames finais do secundário..“A reforma da notas de conduta restaura a importância da responsabilidade individual, torna central o respeito pelas pessoas e bens e recupera a autoridade dos professores”, explicou à Ansa o ministro da Educação e Mérito, Giuseppe Valditara. A primeira-ministra, Giorgia Meloni, já havia dito que esta nova legislação iria “trazer de volta” o respeito às escolas do país. .A legislação recebeu a aprovação dos professores, numa altura em que se registou um aumento de 110% no número de incidentes com violência contra professores e auxiliares escolares desde o início do ano em comparação com 2023. Neste sentido, foram também introduzidas multas entre os 500 e os 10 mil euros para atos de agressão ou violência contra o pessoal escolar. .Para o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas, Antonello Giannelli, “está certo que os alunos sejam chamados a refletir sobre as suas responsabilidades como consequência das suas ações”, referindo ainda, citado pelo The Guardian, que a lei é “um passo em frente”. Na opinião do coordenador da União dos Estudantes, Tommaso Martelli, a lei pretende “implementar uma cultura autoritária e punitiva”..Em dezembro, Meloni também já tinha apresentado uma legislação polémica no que diz respeito às escolas, na qual se ameaçava com multa ou ação disciplinar os professores que descartassem atividades como peças de teatro ou presépios durante a época de Natal. O mesmo se aplicando a atividades tradicionais da Páscoa..ana.meireles@dn.pt