Keir Starmer garantiu esta terça-feira, 17 de março, a Volodymyr Zelensky que não permitirá que a guerra no Irão desvie as atenções da Ucrânia, afirmando ainda que a Rússia não deveria beneficiar com o conflito no Médio Oriente, depois dos EUA terem levantado parcialmente as sanções a Moscovo devido à subida do preço do petróleo, medida que conta com a oposição dos aliados europeus. As declarações foram feitas em Londres num encontro que serviu para os dois líderes assinarem um acordo que, entre outras coisas, permitirá o fabrico de drones da Ucrânia pelo Reino Unido, que depois serão também vendidos a países terceiros. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, também participou em parte da reunião.“A nossa determinação é inabalável. Penso que é muito importante deixar claro que o foco deve manter-se na Ucrânia. Obviamente que há um conflito em curso no Irão, no Médio Oriente, mas não podemos perder de vista o que se passa na Ucrânia e a necessidade do nosso apoio. Putin não pode ser o beneficiado por um conflito no Irão, seja com a subida dos preços do petróleo ou com a suspensão das sanções”, declarou o primeiro-ministro britânico à entrada para o encontro em Londres com o presidente ucraniano. Antes de chegar a Downing Street, Zelensky já tinha sido recebido em audiência pelo rei Carlos III, algo que já se tornou habitual nas idas do ucraniano ao Reino Unido, um dos países que colidera a Coligação dos Dispostos. Zelensky, por seu turno, agradeceu o apoio de Londres, pois “estiveram connosco durante todo este inverno difícil”, mas garantido que, agora que este passou, “não podemos dormir, precisamos de agir rapidamente”. “Também não podemos esquecer os nossos esforços diplomáticos e negociações, e como estamos com os americanos e com os russos.” Em cima da mesa deste encontro esteve também, de acordo com o líder ucraniano, a guerra no Irão, pois está a ter uma “grande influência” na Ucrânia e na Europa.O Reino Unido e a Ucrânia estabeleceram esta terça-feira uma nova parceria para reforçar a capacidade defensiva global contra a proliferação de equipamento militar de baixo custo e alta tecnologia, incluindo drones, tendo Starmer e Zelensky chegado a acordo sobre uma declaração industrial de segurança e defesa melhorada, aproveitando a experiência da Ucrânia e a base industrial do Reino Unido para fabricar e fornecer drones inovadores. O que acontecerá, por exemplo, com a a produção sob licença do drone intercetor Octopus no Reino Unido. Segundo Downing Street, Londres e Kiev irão ainda analisar um aumento da cooperação industrial e tecnológica em matéria de defesa com países terceiros.O Reino Unido irá também financiar um novo Centro de Excelência em Inteligência Artificial, sediado no Ministério da Defesa da Ucrânia, que contará com um investimento de 500.000 libras (cerca de 579.000 euros) e que pretende garantir que a IA é utilizada ao máximo para dar vantagem no campo de batalha.“Devemos trabalhar em perfeita sintonia com os nossos parceiros e aliados para garantir a segurança a nível nacional e internacional, e esta nova parceria com a Ucrânia fará exatamente isso”, afirmou Keir Starmer. “Ao aprofundarmos as nossas parcerias de defesa, estamos a reforçar a capacidade da Ucrânia para se defender dos ataques brutais e contínuos da Rússia, garantindo ao mesmo tempo que o Reino Unido e os nossos aliados estão mais bem preparados para enfrentar as ameaças futuras”.Kiev aceita ajuda de BruxelasKiev aceitou a oferta de ajuda da UE para restabelecer a circulação de petróleo para a Europa através do oleoduto Druzhba, que está danificado, segundo uma carta de Zelensky datada desta terça-feira, 17 de março, e dirigida a António Costa e Ursula von der Leyen. Bruxelas, como refere um comunicado divulgado pelos dois líderes comunitários, “ofereceu à Ucrânia apoio técnico e financiamento”, sendo que “os especialistas europeus estão disponíveis imediatamente”. O Druzhba, usado para transportar petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia, está no centro de uma disputa entre Kiev e os dois países da UE após ter ficado inoperacional no fim de janeiro - Kiev culpa a Rússia pelo ataque que o danificou; Budapeste e Bratislava acusam Kiev de vedar o fornecimento, prometendo continuar a bloquear o 20.º pacote de sanções contra a Rússia e o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia..Ucrânia pronta a dar apoio sobre Shaheds.Líderes europeus em Kiev asseguram continuar o apoio, apesar das brechas abertas por Orbán