Depois de as autoridades de Taipé terem anunciado o cancelamento da viagem devido a pressões de Pequim sobre vários países africanos para fecharem os seus espaços aéreos, o presidente de Taiwan chegou mesmo ontem a Eswatini (a antiga Swazilândia), único país de África a manter relações diplomáticas com Taiwan. Nas redes sociais, Lai Ching-te garantiu que “Taiwan nunca se deixará intimidar por pressões externas. A nossa determinação e empenho assentam na convicção de que Taiwan continuará a interagir com o mundo - independentemente dos desafios que venham a surgir.” Noutra publicação, elogiou Eswatini por “se manter firme face a diversas pressões diplomáticas e económicas, defendendo o lugar de Taiwan na comunidade internacional através de ações concretas”.Quanto à forma como conseguiu viajar até Eswatini, o presidente taiwanês limitou-se a dizer que envolveu “dias de preparativos minuciosos por parte das equipas diplomáticas e de segurança nacional”, sem dar mais detalhes. Para a China tratou-se de uma “farsa de fuga ao estilo de um passageiro clandestino”. Pequim considera Taiwan parte do seu território, sem direito a manter relações entre Estados.A viagem de Lai estava inicialmente prevista para 22 a 26 de abril, para assinalar o 40.º aniversário da subida ao trono do rei Mswati III, hoje com 58 anos. Foi suspensa após Taiwan ter afirmado que Seicheles, Maurícia e Madagáscar tinham revogado unilateralmente as autorizações de voo para o avião de Lai atravessar o espaço aéreo sob sua jurisdição, alegando pressão chinesa.A visita de Lai a Eswatini incluiu conversações bilaterais com o rei Mswati III e a assinatura de um acordo aduaneiro.A antiga Swazilândia é um dos 12 Estados que mantêm relações diplomáticas com Taiwan. Cultivar estes laços é uma prioridade para o governo de Taipé. Nos últimos anos, a China tem pressionado esse países a cortarem as relações com Taiwan, que Pequim vê como província rebelde, com as autoridades chinesas a não excluírem recorrer ao uso da força para assegurar a reunificação.Após a visita de Lai a Eswatini, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim afirmou que ele se tinha tornado “motivo de chacota a nível internacional”. E garantiu: “Por mais que as autoridades do Partido Democrático Progressista se aliem a forças externas ou por mais que tentem ‘comprar a lealdade de outros’, não passa de um esforço fútil que não pode alterar o facto de Taiwan fazer parte da China”. .Taiwan cria tensão entre EUA e China antes da visita de Trump.P&R. O que representa a visita da líder da oposição de Taiwan à China?