O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês declarou esta quinta-feira, 23 de abril, que se opõe firmemente às críticas feitas pelos Estados Unidos à pressão de Pequim sobre alguns países africanos para revogarem as autorizações de sobrevoo do presidente de Taiwan, alertando que Washington deve parar de interferir nos assuntos internos da China. Um recado que surge menos de um mês antes da visita de Estado de Donald Trump a Pequim, marcada para 14 e 15 de maio, onde se prevê que Taiwan - considerada por Pequim a principal “linha vermelha” nas relações com Washington - seja um dos temas centrais do encontro com o presidente chinês, Xi Jinping. “As críticas infundadas dos EUA às medidas justas tomadas pelos países relevantes para defender o princípio de Uma Só China confundem completamente o certo com o errado e transformam o preto em branco”, afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, em conferência de imprensa.Taipé anunciou na terça-feira a suspensão da deslocação de William Lai a Essuatíni, o único aliado diplomático da ilha em África, onde o presidente de Taiwan deveria participar em eventos oficiais com o rei Mswati III, tendo o secretário-geral da Presidência taiwanesa, Pan Men-an, classificado a revogação das autorizações de sobrevoo como um caso “sem precedentes”, afirmando ser a primeira vez que um presidente taiwanês cancela uma visita ao estrangeiro por esse motivo.O governo taiwanês apresentou ainda um “forte protesto” contra as decisões de Seicheles, Maurícia e Madagáscar, acusando-os de seguirem “narrativas distorcidas” de Pequim. Na mesma linha, o Departamento de Estado norte-americano mostrou-se preocupado com o facto destes três países africanos terem revogado as autorizações de sobrevoo do presidente de Taiwan a pedido da China, dizendo que é um abuso do sistema internacional de aviação civil.“Estes países estão a agir a mando da China, interferindo com a segurança e a dignidade das viagens de rotina das autoridades taiwanesas”, disse um porta-voz do Departamento de Estado à Reuters, sem mencionar os nomes dos países em causa. “Este é mais um caso em que Pequim conduz a sua campanha de intimidação contra Taiwan e os seus apoiantes em todo o mundo, abusando do sistema internacional de aviação civil e ameaçando a paz e a prosperidade internacionais”.Este novo foco de tensão entre Pequim e Washington por causa de Taiwan teve esta quinta-feira ainda mais um episódio, ao ser tornado público que Taipé vai comprar armamento aos EUA no valor de 208,8 mil milhões de dólares taiwaneses (5,66 mil milhões de euros), no âmbito dos esforços da ilha para reforçar as suas capacidades defensivas.Os seis contratos foram celebrados no início do mês pela missão de defesa de Taiwan nos EUA e pelo Instituto Americano em Taiwan (embaixada de facto de Washington na ilha), informou a agência de notícias estatal taiwanesa Central News Agency.O governo de Taiwan pretende financiar estas aquisições e futuras compras através de um orçamento especial de Defesa de 1,25 biliões de dólares taiwaneses (33,9 mil milhões de euros), que conta com o apoio da Casa Branca. Contudo, as duas principais forças da oposição - o Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan - têm usado a maioria parlamentar para bloquear a iniciativa e propor, em alternativa, dotações de menor dimensão, alegando falta de detalhe do plano governamental quanto à aplicação dos recursos. com Lusa.P&R. O que representa a visita da líder da oposição de Taiwan à China?.China lança jogos de guerra com "aviso sério" contra intervenções externas em Taiwan