O Líbano vai pedir a prorrogação de um mês do cessar-fogo acordado com Israel, revelou esta quarta-feira (22 de abril) uma fonte à agência AFP, na véspera de um novo encontro dos embaixadores dos dois países em Washington. “O Líbano vai solicitar uma prorrogação de um mês, o cumprimento rigoroso do cessar-fogo, a suspensão dos bombardeamentos e que Israel acabe com as operações de destruição nas áreas onde está presente”, disse a fonte. Sem isso, o frágil cessar-fogo que entrou em vigor a 17 de abril acaba no domingo. O chefe da diplomacia israelita, Gideon Sa’ar, defendeu que não há “grandes disputas” entre Israel e o Líbano, que descreveu como “um Estado falhado, efetivamente controlado pelo Irão através do Hezbollah”. Este grupo é o principal “obstáculo à paz e à normalização” com Beirute. “Não temos grandes disputas. Existem alguns pequenos desentendimentos em relação à fronteira, que podem ser resolvidos”, disse aos membros do corpo diplomático em Jerusalém, citado pela imprensa israelita. A 14 de abril, em Washington, o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, reuniu-se com a embaixadora do Líbano nas Nações Unidas, Nada Hamadeh Moawad, naquele que foi o primeiro encontro de representantes dos dois países em 43 anos. Com a mediação do embaixador dos EUA no Líbano, Michael Issa, e do próprio secretário de Estado Marco Rubio, aceitaram começar negociações de paz diretas. O segundo encontro será esta quinta-feira (23 de abril), sendo desta vez o Líbano representado pelo ex-embaixador nos EUA, Simon Karam. Segundo a agência turca Anadolu, o cristão maronita é conhecido por ter sido uma voz crítica da influência síria no Líbano (a ocupação terminou em 2005), sendo também contra a existência de armas fora do controlo do Estado - incluindo as que estão na posse do Hezbollah. A trégua continua frágil, apesar dos esforços diplomáticos - que o grupo xiita libanês criticou. Um bombardeamento israelita matou esta quarta-feira (22 de abril) duas pessoas no sul do Líbano, com o Hezbollah a reivindicar também um ataque com um drone contra tropas israelitas - numa alegada represália à violação do cessar-fogo por parte de Israel. O drone foi intercetado.Mais de 2400 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou uma ofensiva em resposta ao ataque do Hezbollah, a 2 de março, depois de o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ter sido morto em Teerão. Israel ocupou uma faixa de território junto à fronteira onde permanecem as suas tropas, alegando que o objetivo é criar uma zona de segurança para proteger o norte de Israel dos ataques do Hezbollah, que disparou centenas de rockets contra Israel durante o conflito..O Líbano refém do Hezbollah e do Irão .Presidente do Líbano critica Hezbollah e teme que o seu país se torne uma “segunda Gaza”