Kiev suspende atividades nos portos devido a ataques russos no Mar Negro
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Kiev suspende atividades nos portos devido a ataques russos no Mar Negro

A Ucrânia solicitou também uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o assunto, defendendo que "a Rússia está a manter a segurança alimentar global como refém".
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O Governo ucraniano suspendeu esta quinta-feira, 23 de julho, as atividades em todos os seus portos devido à campanha de bombardeamentos da Rússia contra as infraestruturas portuárias e navios.

“Apenas quatro ou cinco navios entraram ontem [quarta-feira] nos portos [ucranianos]. Hoje, a entrada de navios foi completamente interrompida”, disse o ministro da Agricultura ucraniano, Taras Vysotsky, em declarações divulgadas pela agência de notícias Ukrinform.

O ministro afirmou que a decisão de deixar de atracar nos portos ucranianos foi tomada exclusivamente pelos armadores, depois de numerosos navios mercantes terem sido atacados por drones e mísseis russos que chegaram a matar tripulantes.

Esta nova campanha de ataques russos contra portos ucranianos no mar Negro começou depois de as forças ucranianas terem iniciado ataques diários com drones contra petroleiros e navios de carga que viajavam de e para portos russos ou portos na Ucrânia ocupada.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sibiga, denunciou, na rede social X, estes ataques russos como uma ameaça “à segurança alimentar global.

"A Rússia está a manter a segurança alimentar global como refém. Pelo menos três navios de carga civis foram bombardeados pela Rússia nos últimos dias. Dezenas de tripulantes foram mortos ou feridos", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, no X.

"Hoje, nenhum navio utilizou a rota marítima ucraniana no Mar Negro, embora a colheita esteja em pleno andamento", adiantou.

A Ucrânia solicitou também uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o assunto para 27 de julho.

O colapso do tráfego de e para os portos ucranianos e russos levou a uma quebra nas exportações agrícolas de ambos os países.

Rubio e Lavrov encontram-se em Manila

Entretanto, os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia, Marco Rubio e Sergei Lavrov, respetivamente, reuniram-se em Manila, à margem do encontro de chefes da diplomacia da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para discutir a guerra na Ucrânia e possíveis formas de pôr fim ao conflito.

Na quarta-feira, o secretário de Estado norte‑americano afirmou que a guerra na Ucrânia "dificultou em muitos aspetos a capacidade da Rússia e dos Estados Unidos para encontrar pontos em comum", embora não tenha excluído procurar "outras áreas de possível cooperação".

"Somos os dois países com maior arsenal nuclear do planeta. Não falar seria imprudente e irresponsável. Temos de manter uma relação com o Governo russo, mesmo havendo áreas de desacordo, e no caso da Ucrânia talvez haja uma oportunidade, se pudermos desempenhar um papel construtivo, para pôr fim ao conflito", sublinhou Rubio perante os jornalistas.

Lavrov assegurou também na quarta‑feira que Moscovo considera que, "por enquanto", os EUA não abandonaram as propostas apresentadas na cimeira de agosto de 2025, no Alasca, onde se reuniram os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.

Embora essas propostas não sejam públicas, a imprensa ocidental informou na altura que Trump se mostrou disposto a aceitar que a Rússia ficasse com toda a província ucraniana do Donbass, desde que cessasse os combates na Ucrânia.

Nos últimos meses, Rubio tem sido mais crítico da campanha militar russa, classificando‑a como um "fracasso estratégico" e afirmando que Moscovo não tem hipóteses de vencer a guerra, declarações que desagradaram a Lavrov.

As negociações de paz entre Moscovo e Kiev, com mediação de Washington, estão bloqueadas desde fevereiro, quando os EUA lançaram a sua ofensiva contra o Irão. Desde então, os ucranianos intensificaram ataques contra a retaguarda russa, levando Moscovo a aumentar os bombardeamentos sobre Kiev e o porto de Odessa, no Mar Negro.

Rubio reiterou esta quarta‑feira o desejo de que a guerra, iniciada em fevereiro de 2022, termine e voltou a apresentar‑se como mediador entre as partes.

"Os Estados Unidos continuam abertos e dispostos a desempenhar um papel construtivo para pôr fim a esta guerra (...), acreditamos que neste momento, e penso que os russos concordariam, provavelmente somos o único país do mundo capaz de desempenhar esse papel", afirmou o chefe da diplomacia norte‑americana.

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