Os ataques russos deste domingo mataram, pelo menos, 20 pessoas e fizeram 142 feridos, depois de atingirem Kiev, Kharkiv e outras cidades da Ucrânia. Segundo a Força Aérea ucraniana, Moscovo lançou 125 drones, 25 mísseis balísticos, 10 mísseis hipersónicos Zirkon e outros seis mísseis na madrugada de ontem, sendo que a maioria teve como alvo a capital, onde morreu, pelo menos, uma pessoa. Volodymyr Zelensky descreveu esta ofensiva como um dos “maiores ataques com mísseis balísticos da Rússia”, notando que “Kiev e a região circundante foram o principal alvo”.“A Rússia está a apostar nos mísseis balísticos, e é graças a eles que Putin ainda acredita na sua guerra”, afirmou o presidente ucraniano numa comunicação ao país este domingo à tarde, notando que conseguiram abater apenas 18 mísseis e neutralizar mais de uma centena de drones. Como já havia feito anteriormente, Zelensky alertou para a necessidade que a Ucrânia tem de defesas antiaéreas para fazer face aos ataques russos, voltando a sublinhar ser “fundamental que os nossos parceiros compreendam a situação e saibam que os mísseis de defesa aérea são necessários para proteger vidas todos os dias”.Neste sentido, o líder ucraniano disse esperar que “o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia e outras autoridades governamentais de todos os níveis se articulem prontamente com os nossos parceiros em relação aos pacotes que já acordámos”. “É importante acelerar tudo - tanto com os nossos parceiros europeus como com os Estados Unidos. Os resultados são necessários a cada dia”, sublinhou ainda Volodymyr Zelensky. Já o líder da diplomacia ucraniana disse que Kiev exige “respostas adequadas e contundentes”, notando que “os acordos sobre intercetores adicionais devem ser implementados sem demora” e que “todos aqueles que estão a reter a entrega destes meios vitais de proteção devem saber que o custo do atraso é medido em vidas humanas”. “Não pode haver pausas no nosso trabalho conjunto para desenvolver uma defesa europeia contra o terror balístico. Contamos com a coligação antibalística para avançar rapidamente com este trabalho”, continuou Andrii Sybiha, referindo-se à coligação de defesa antimíssil balística anunciada por Kiev e nove aliados - Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido - na segunda-feira. De recordar ainda que Donald Trump, no encontro que teve com Zelensky no dia 8 à margem da cimeira da NATO, disse que pretende permitir que Kiev produza mísseis intercetores Patriot, algo que o ucraniano tem vindo a pedir nos últimos seis meses à Casa Branca, sem sucesso, para fazer face aos ataques russos. Uma análise publicada na quarta-feira por Benjamin Jensen e Yasir Atalan, do Departamento de Defesa e Segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, dá conta que “entre 2023 e 2025, a Rússia aumentou em mais de 700% o número de mísseis balísticos disparados contra a Ucrânia (...). No entanto, a proporção de mísseis balísticos que a Ucrânia intercetou e neutralizou desceu 36%”. Estes dois investigadores referem ainda que “a atual taxa de interceção em 2026 é de apenas 10,2%, uma queda de mais de 200% em relação ao início da guerra”. “Ao lançar grandes salvas de mísseis balísticos e drones contra infraestruturas críticas, a Rússia procura esgotar as defesas aéreas ucranianas e impor uma pressão psicológica paralisante à população civil”, notam ainda Jensen e Atalan. “Esta pressão cria uma realidade matemática cruel, na qual o volume massivo de munições supera as capacidades de interceção, moldando diretamente o cenário estratégico”. Para os mesmos analistas do CSIS, “o Kremlin calibra estes bombardeamentos numa tentativa de forçar a liderança ucraniana a concessões prematuras e garantir um acordo negociado que consolide os interesses russos, independentemente das realidades locais no campo de batalha”..Ataque mortal russo leva Zelensky a insistir que Kiev precisa de defesas aéreas.Zelensky quer “decisões firmes” da Aliança após ataque russo a Kiev.“As entregas de mísseis não podem parar”, pede Zelensky aos aliados