Em Kiev, foi atingido um posto de abastecimento de combustível. Oito pessoas ficaram feridas nos mais recentes ataques russos à capital ucraniana.
Em Kiev, foi atingido um posto de abastecimento de combustível. Oito pessoas ficaram feridas nos mais recentes ataques russos à capital ucraniana.EPA/SERGEY DOLZHENKO

Kiev atacou mais uma refinaria, Kremlin elogia proposta de trégua energética de Trump

Moscovo diz que os preços dos combustíveis só descem se as sanções forem levantadas. Lei que dá a Trump poder para aplicar tarifas de 100% aos países compradores de petróleo e gás russos vai a votos.
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As forças ucranianas confirmaram nesta terça-feira, 15 de setembro, que a refinaria de Syzran, na região russa de Samara, foi alvejada durante a noite, demonstrando que o anúncio da véspera de Donald Trump de que a Ucrânia e a Rússia tinham concordado em suspender ataques a infraestruturas energéticas não cola com a realidade. A mesma fonte disse também que uma fábrica de produção de drones de reconhecimento e de ataque, em Taganrog, em Rostov, foi atingida.

Segundo o Estado-Maior ucraniano, em resultado do ataque, um incêndio atingiu a refinaria da Rosneft, capaz de processar 8,9 milhões de toneladas de petróleo por ano. Este terá afetado a unidade de processamento primário de petróleo e o parque de tanques.

Devido aos ataques continuados de drones às infraestruturas energéticas russas, a produção caiu ao ponto de só conseguir suprir 70% da procura interna de gasolina e gasóleo, segundo dados citados pela Reuters. Quanto às exportações, as empresas russas terão perdido 45% das suas capacidades, de acordo com uma estimativa do Financial Times.

O estado da crise energética é tal que Vladimir Putin a admitiu, no início do mês, ainda que recusando classificá-la de "prejuízo crítico". À margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, disse: "Acho que nos causaram danos reais. O prejuízo total, segundo as nossas estimativas preliminares, é bastante significativo, cerca de 1% do PIB."

Daí que, nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, o porta-voz do Kremlin tenha comentado a iniciativa do presidente norte-americano no que respeita a um cessar-fogo mútuo às infraestruturas energéticas. "Consideramos que é uma boa ideia. Uma boa iniciativa", disse Dmitri Peskov. "Estamos sempre do lado das soluções pacíficas", acrescentou o porta-voz do homem que lançou uma guerra na Geórgia (2008), patrocinou a invasão e anexação da Crimeia, bem como da guerra no Donbass (2014), antes da invasão ao país vizinho (2022).

Esquecendo as consequências da guerra no Irão e do estrangulamento do estreito de Ormuz, ponto estratégico de passagem dos petroleiros, Trump acusou a Ucrânia de ser o país responsável pela alta de preços de combustíveis. Peskov, neste ponto, não foi ao ponto de concordar com o presidente dos EUA, ao dizer que a pausa de ataques às refinarias russas não iria resolver o problema. Segundo o russo, só o levantamento das sanções impostas aos fornecedores de energia é que faria cair o preço dos produtos petrolíferos.

Segundo o Financial Times, Moscovo e Kiev retomaram conversações através dos enviados dos EUA sobre a hipótese de uma trégua energética. Porém, Vladimir Putin não estará interessado nesse cenário antes do inverno. O líder russo acredita que os ataques às infraestruturas de energia da Ucrânia podem aumentar a pressão sobre Kiev e forçá-la a ceder.

Mais sanções à vista

Do lado norte-americano, desde março que as sanções ao comércio de petróleo russo foram aligeiradas, permitindo que outros países comprem o produto, desde que este esteja no mar. No entanto, a Câmara dos Representantes deverá votar e aprovar nesta quarta-feira, 16, legislação que irá impor sanções económicas mais duras à Rússia e em especial aos países que compram os seus hidrocarbonetos.

Segundo a lei Lindsey Graham (em homenagem ao senador falecido em julho, após uma viagem à Ucrânia), o presidente terá discricionariedade para aplicar taxas aduaneiras de até 100% aos países que mantenham importações de energia russa. A lei foi aprovada pelo Senado com um largo apoio (86-11) em agosto, mas muitos democratas estão contra dar mais poderes a um presidente recordista em ordens executivas.

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