Kiev atacou mais uma refinaria, Kremlin elogia proposta de trégua energética de Trump
As forças ucranianas confirmaram nesta terça-feira, 15 de setembro, que a refinaria de Syzran, na região russa de Samara, foi alvejada durante a noite, demonstrando que o anúncio da véspera de Donald Trump de que a Ucrânia e a Rússia tinham concordado em suspender ataques a infraestruturas energéticas não cola com a realidade. A mesma fonte disse também que uma fábrica de produção de drones de reconhecimento e de ataque, em Taganrog, em Rostov, foi atingida.
Segundo o Estado-Maior ucraniano, em resultado do ataque, um incêndio atingiu a refinaria da Rosneft, capaz de processar 8,9 milhões de toneladas de petróleo por ano. Este terá afetado a unidade de processamento primário de petróleo e o parque de tanques.
Devido aos ataques continuados de drones às infraestruturas energéticas russas, a produção caiu ao ponto de só conseguir suprir 70% da procura interna de gasolina e gasóleo, segundo dados citados pela Reuters. Quanto às exportações, as empresas russas terão perdido 45% das suas capacidades, de acordo com uma estimativa do Financial Times.
O estado da crise energética é tal que Vladimir Putin a admitiu, no início do mês, ainda que recusando classificá-la de "prejuízo crítico". À margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, disse: "Acho que nos causaram danos reais. O prejuízo total, segundo as nossas estimativas preliminares, é bastante significativo, cerca de 1% do PIB."
Daí que, nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, o porta-voz do Kremlin tenha comentado a iniciativa do presidente norte-americano no que respeita a um cessar-fogo mútuo às infraestruturas energéticas. "Consideramos que é uma boa ideia. Uma boa iniciativa", disse Dmitri Peskov. "Estamos sempre do lado das soluções pacíficas", acrescentou o porta-voz do homem que lançou uma guerra na Geórgia (2008), patrocinou a invasão e anexação da Crimeia, bem como da guerra no Donbass (2014), antes da invasão ao país vizinho (2022).
Esquecendo as consequências da guerra no Irão e do estrangulamento do estreito de Ormuz, ponto estratégico de passagem dos petroleiros, Trump acusou a Ucrânia de ser o país responsável pela alta de preços de combustíveis. Peskov, neste ponto, não foi ao ponto de concordar com o presidente dos EUA, ao dizer que a pausa de ataques às refinarias russas não iria resolver o problema. Segundo o russo, só o levantamento das sanções impostas aos fornecedores de energia é que faria cair o preço dos produtos petrolíferos.
Segundo o Financial Times, Moscovo e Kiev retomaram conversações através dos enviados dos EUA sobre a hipótese de uma trégua energética. Porém, Vladimir Putin não estará interessado nesse cenário antes do inverno. O líder russo acredita que os ataques às infraestruturas de energia da Ucrânia podem aumentar a pressão sobre Kiev e forçá-la a ceder.
Mais sanções à vista
Do lado norte-americano, desde março que as sanções ao comércio de petróleo russo foram aligeiradas, permitindo que outros países comprem o produto, desde que este esteja no mar. No entanto, a Câmara dos Representantes deverá votar e aprovar nesta quarta-feira, 16, legislação que irá impor sanções económicas mais duras à Rússia e em especial aos países que compram os seus hidrocarbonetos.
Segundo a lei Lindsey Graham (em homenagem ao senador falecido em julho, após uma viagem à Ucrânia), o presidente terá discricionariedade para aplicar taxas aduaneiras de até 100% aos países que mantenham importações de energia russa. A lei foi aprovada pelo Senado com um largo apoio (86-11) em agosto, mas muitos democratas estão contra dar mais poderes a um presidente recordista em ordens executivas.

