Ataques russos à capital ucraniana causaram pelo menos três mortos.
Ataques russos à capital ucraniana causaram pelo menos três mortos.Foto: EPA/MAXYM MARUSENKO

Kremlin afirma que a paz depende de Kiev. Putin propôs suspensão de ataques em setores estratégicos

Porta-voz da presidência russa repete ideia de que a Ucrânia tem de aceitar perda de territórios. Kiev voltou a ser alvo de mísseis e drones após fim da trégua de três dias. Refinaria russa atingida.
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O Kremlin reitera estar pronto para alcançar a paz com a Ucrânia, afirmou o seu porta-voz. Como sempre, com a nuance de que o acordo terá de ter em conta a realidade na linha da frente e os alegados avanços russos. "Todos os especialistas sabem como está a situação na frente — estamos a avançar. Mas a qualquer momento, estamos prontos para fazer as pazes. Depende de Kiev. É a realidade", afirmou Dmitri Peskov. Na véspera, Zelensky descodificou a proposta de Putin que os enviados dos EUA levaram a Kiev, e que passa por uma pausa nos ataques mútuos aos setores estratégicos.

Moscovo alega ter capturado uma localidade na região de Donetsk, Sviatohirsk, o que é desmentido pelo Institute for the Study of War, com sede em Washington. De acordo com este grupo de reflexão, no início do verão as tropas russas estavam a 13 quilómetros da localidade, mas agora estão ainda mais longe, após uma contraofensiva ucraniana.

Segundo o vice-chefe do gabinete da presidência da Ucrânia, Pavlo Palisa, o Kremlin definiu para o seu exército um novo prazo para a ocupação total de Donetsk: até ao final de 202. As chefias militares russas, afirma Palisa, estão a pedir para adiar o prazo para 31 de março de 2027.

Na segunda-feira, o Kremlin tinha anunciado que "não excluía" o regresso às negociações tripartidas, embora Peskov dissera ser "cedo demais para falar do local e das datas exatas". Nas negociações anteriores, Moscovo e Kiev mantiveram as suas posições, em especial sobre a questão dos territórios ocupados no leste ucraniano.

Do lado de Kiev, o presidente Zelensky afirmou nesta terça-feira que deverá reunir-se com o homólogo norte-americano no final de setembro, quando se deslocar a Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU. Na véspera, em entrevista ao site Axios, Zelensky revelou que o novo impulso dos Estados Unidos para uma solução negociada passa por retomar as conversações e, em paralelo, dar-se uma desescalada do conflito. Foi o próprio Vladimir Putin quem informou os emissários de que está disposto a iniciar negociações para uma desescalada para o inverno que se aproxima. Em concreto, significaria uma suspensão dos ataques em setores estratégicos. "Existem ideias sobre energia e sobre cereais, sobre eletricidade e sobre petróleo e gás. Temos interesses diferentes, a Rússia e nós", disse Zelensky.

Estas ideias foram apresentadas pelos enviados especiais norte-americanos a Zelensky, no domingo passado, depois de terem visitado Vladimir Putin em Moscovo, na véspera. Um deles, Steve Witkoff, estimou na segunda-feira que foram alcançados "progressos substanciais".

Ainda segundo Zelensky, Putin "precisa de Trump", razão pela qual não quer "provocá-lo", mais a mais num período pré-eleitoral, acrescentou na entrevista.

"Mísseis balísticos dizem mais do que diplomacia"

Passados os três dias de trégua acordados entre Moscovo e Kiev para não haver ataques durante as visitas dos enviados norte-americanos, a Rússia voltou a atacar Kiev durante a noite de segunda para terça-feira, usando mísseis balísticos, de cruzeiro e antinavio, além de 166 drones, mais de metade dos quais a jato. Em resultado, para cima de 50 locais foram atingidos só na capital, entre edifícios residenciais, uma escola, uma clínica, ou um supermercado, tendo causado três mortos e 19 feridos.

"Logo após a partida dos emissários de paz do presidente americano, Putin lançou um novo ataque maciço e horrível contra Kiev, danificando bairros residenciais e causando pelo menos duas mortes", escreveu no X o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha. "Os seus mísseis balísticos dizem mais do que os seus discursos sobre diplomacia."

Já no início da tarde desta terça-feira, um ataque a um edifício onde operam dois canais televisivos (We Are Ukraine e We Are Ukraine+) semeou a destruição e causou um número ainda indeterminado de vítimas. "Os Shaheds contra os meios de comunicação marcam um novo capítulo na degradação da Rússia, e a Europa e o mundo devem certamente responder a isto", afirmou Zelensky, referindo-se aos drones Geran, que começaram por ser uma cópia dos iranianos Shahed.

Do lado ucraniano, o ataque mais significativo das suas forças na noite de segunda para terça-feira deixou a refinaria de Saratov em chamas, agravando as dificuldades de abastecimento energético doméstico russo.

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