Jurista "Navi" Pillay vence o Nobel da Paz "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional"

Jurista "Navi" Pillay vence o Nobel da Paz "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional"

Sul-africana de 85 anos começou a carreira na luta contra o 'apartheid'. Como presidente da Comissão Independente da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado acusou Israel de "genocídio" em Gaza.
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A jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay é a vencedora do Nobel da Paz de 2026 "pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional", anunciou o Comité Nobel Norueguês.

"O Prémio Nobel da Paz de 2026 é atribuído a uma pessoa que, com uma coragem e integridade excecionais, liderou o caminho para uma ordem jurídica global mais abrangente", disse o presidente do comité Jørgen Watne Frydnes.

"A laureada deste ano, Navi Pillay, desempenhou um papel fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio são processados", acrescentou.

Jørgen Watne Frydnes, que revelou que ainda não conseguiu falar com Navi Pillay, explicou que o comité quis este ano "lembrar ao mundo que o Estado de Direito -- tanto nacional como internacional -- é a base do sistema que estabelecemos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta. A paz exige justiça".

A jurista sul-africana de 85 anos, de origem tamil indiana, que no início da sua carreira defendeu Nelson Mandela e outros prisioneiros durante o apartheid, tornou-se mais tarde juíza no Tribunal Superior da África do Sul, no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e no Tribunal Penal Internacional.

Foi ainda Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e, até recentemente, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado, que concluiu no ano passado que Israel cometeu "genocídio" na sua guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza.

Atualmente, Navi Pillay é juíza do Tribunal Internacional de Justiça no caso em que Myanmar é acusado de genocídio.

Este ano havia 287 candidaturas (menos do que no ano passado, quando houve 388 candidaturas), sendo que na lista dos favoritos encontrava-se o Tribunal Internacional de Justiça e ao Tribunal Penal Internacional. Mas o comité optou por distinguir uma jurista em particular.

"A sua independência, competência e firmeza fizeram dela uma das mais respeitadas juristas internacionais do nosso tempo", disse o Comité Nobel.

O prémio Nobel da Paz, no valor de 12 milhões de coroas suecas (quase 1,1 milhões de euros), será entregue numa cerimónia a 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.

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