Os Houthis, grupo rebelde do Iémen, aliado do Irão, reivindicaram, na última noite, ataques no Mar Vermelho contra "dois petroleiros sauditas", identificados como Encelia e Layla, abrindo uma potencial nova frente no conflito do Médio Oriente. Os ataques ocorreram após os Houthis anunciarem, no início desta semana, um bloqueio marítimo à Arábia Saudita. Os rebeldes do Iémen alegaram que as duas embarcações violaram o bloqueio, adiantando que atacaram os petroleiros com recurso a drones e "diversos mísseis balísticos e de cruzeiro", segundo anunciou o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree. A agência de notícias estatal da Arábia Saudita SPA confirmou que o navio Encelia, "pertencente a uma empresa saudita", foi alvo de um ataque "enquanto navegava no Mar Vermelho", o que provocou um incêndio na proa do navio, não tendo sido reportadas vítimas, de acordo com fonte oficial da Autoridade Geral de Transportes da Arábia Saudita.“Esses ataques constituem uma violação das leis e convenções internacionais que garantem a segurança dos navios comerciais e de suas tripulações”, noticiou a SPA. A agência britânica de segurança marítima, UKMTO, já tinha informado que um petroleiro tinha sido atingido por um projétil não identificado no Mar Vermelho, que resultou num incêndio a bordo, a cerca de 130 quilómetros do porto saudita de Al Shuqaiq. "O comandante de um petroleiro informou ter sido atingido por um projétil desconhecido, o que provocou um incêndio a bordo que a tripulação está neste momento a combater", alertou a UKMTO.O presidente dos Estados Unidos já reagiu, entretanto, aos ataques no Mar Vermelho ao ameaçar o Irão e o grupo rebelde do Iémen com uma "punição militar severa", caso a situação se repita. Numa mensagem divulgada na Truth Social, Donald Trump começou por recordar que, "há um ano", os EUA "atacaram, com grande intensidade, os Houthis, devido à sua interferência no comércio e nas trocas comerciais, ao dispararem contra navios". "Desde então, e durante o nosso conflito com o Irão, têm agido de forma muito responsável. Infelizmente, agora estão a recomeçar, tendo disparado contra dois navios da Arábia Saudita ontem à noite", lamentou."Se isto voltar a acontecer, os EUA responsabilizarão o Irão, uma vez que os Houthis são um substituto e/ou representante do Irão, e será infligida uma punição militar severa ao Irão e, claro, aos próprios Houthis, com quem estou muito desapontado, pois, até agora, tinham agido de forma muito profissional e inteligente", lê-se na mensagem. .A ameaça de mais ataques dos EUA no Irão levou o barril do Brent a disparar mais de 6% e a ultrapassar a fasquia dos 100 dólares, segundo dados da agência de informação financeira Bloomberg.O preço do Brent, petróleo que serve de referência às importações portuguesas, estava hoje, às 14:30, horas de Lisboa, a subir 6,6% para os 100,28 dólares..Preço do barril de petróleo ultrapassa os 100 dólares."Inaceitável", diz chefe da diplomacia europeia.Antes, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já tinha condenado os ataques no Mar Vermelho. "Os Houthis têm sido inteligentes no geral e mantiveram-se fora do conflito durante todo o período, mas agora parecem ter sido atraídos para o conflito ao atacarem a Arábia Saudita e os seus navios", disse Rubio, à margem de uma reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) que decorre em Manila.Rubio avisou que os EUA farão "o que for necessário" para proteger os seus interesses e os dos aliados.A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, defendeu que "a navegação deve decorrer sem impedimentos, tanto no estreito de Ormuz como no Mar Vermelho"."O ataque a um petroleiro no Mar Vermelho é inaceitável, ilegal e agrava ainda mais uma situação já volátil na região", condenou a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.Numa mensagem partilhada nas redes sociais, Kallas afirmou ainda que "as recentes ameaças dos Houthis do Iémen de impor um bloqueio marítimo ao Reino da Arábia Saudita representam uma ameaça direta à estabilidade regional e constituem uma escalada perigosa". .Petróleo aproxima-se dos 100 dólares por barril com tensão a escalar para o Canal do Suez.12.ª noite consecutiva de ataques dos EUA contra o Irão. Paralelamente aos ataques reivindicados pelos Houthis no Mar Vermelho, os EUA levaram a cabo pela 12.ª noite consecutiva uma nova onda de ataques contra o Irão. De acordo com o Comando Central das forças norte-americanas (CENTCOM, na sigla em inglês), foram atacados "alvos militares iranianos, incluindo capacidades marítimas, instalações de armazenamento de mísseis e drones, sites de vigilância costeira e recursos de defesa aérea". Uma ação militar que, segundo os EUA, fragilizou, ainda mais, a capacidade iraniana de atacar marinheiros civis e navios comerciais. O Irão terá retaliado contra posições norte-amerticanas nos países aliados de Washington na região, como Kuwait, Jordânia e o Barhein.Segundo os media estatais iranianos, os ataques norte-americanos contra o sul do país terão provocado dois mortos.A ofensiva norte-americana da última noite ocorreu depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar destruir uma ponte ou central elétrica iraniana sempre que as forças de Teerão atingissem um navio no estreito de Ormuz. .Houthis juntam-se ao Irão com bloqueio naval à Arábia Saudita.Irão pede a houthis para prepararem fecho de entrada do Mar Vermelho