Depois da ameaça, a concretização. Os houthis, apoiados pelo regime iraniano, declararam o bloqueio naval à Arábia Saudita, acrescentando um fator de stress a uma região a viver um condicionamento do estreito de Ormuz e à contínua troca de fogo entre Estados Unidos e Irão. Em 2023, em resposta à guerra iniciada por Israel, os rebeldes começaram uma campanha de ataque de navios no estreito de Bab al-Mandeb.Anunciado na televisão pelo porta-voz militar dos houthis, Yahya Sarea, o bloqueio é mais uma resposta ao ataque ao aeroporto da capital, realizado na semana passada, depois de terem lançado mísseis em direção à Arábia Saudita. O bombardeamento foi assumido pelo governo legítimo do Iémen, e não por Riade, tendo sido alegado que serviu para impedir a aterragem de um avião iraniano. Os houthis descreveram a sua decisão “baseada no princípio de ‘olho por olho’”, ou seja, de “responder ao bloqueio com um bloqueio” e a “toda escalada com escalada”. Depois de o grupo armado ter tomado Saná, capital do Iémen, em 2014, uma coligação liderada pela Arábia Saudita respondeu pela força militar e com a imposição de um bloqueio aos portos e aeroportos controlados pelos houthis. Um frágil cessar-fogo foi alcançado pelo enviado da ONU ao Iémen, Hans Grundberg, em 2022. Mas este está em risco. O porta-voz dos houthis acusou os sauditas de impor “um cerco injusto e opressivo” durante quase 12 anos. Advertiu o reino de Saud contra “qualquer ato tolo”, o qual teria uma “abrangente e decisiva” resposta. Por fim, os rebeldes fizeram uma chamada de mobilização geral. . Na frente principal do conflito, o presidente do Irão reconheceu que “a República Islâmica do Irão está envolvida numa guerra em grande escala”. Mahmoud Pezeshkian disse ainda que se deve “aceitar as consequências naturais desta resistência”. O presidente do Parlamento e negociador-chefe iraniano usou outro tom ao afirmar que os EUA não estão interessados em acabar com a recente escalada com Teerão. “Os norte-americanos continuam a trazer novo equipamento militar para a região e dizem que querem parar a guerra”, disse Bagher Ghalibaf. “Apostaram que a nossa inteligência seria tão baixa quanto o QI deles.” Os Estados Unidos prosseguiram a campanha de destruição de centros de comando, defesas aéreas, vigilância costeira e rampas de lançamento de mísseis, ao que o Irão retaliou alvejando estruturas militares norte-americanas no Bahrein (em dois locais) e no Koweit. As operações de bloqueio naval prosseguem de parte a parte. O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou ter impedido oito navios de sair ou entrar nos portos iranianos. Do lado iraniano, dois petroleiros de bandeira grega foram “parados pela força”.Quem prometeu o uso de força, e letal, foi Donald Trump, em resposta à notícia da morte de mais um soldado do seu país, desta feita no Iraque. É o 17.º desde o início da guerra. “Cada vez que o Irão matar um soldado americano, eles pagarão por esse assassínio muitas vezes”, afirmou o presidente dos EUA. As forças norte-americanas revelaram a identidade de dois soldados mortos na Jordânia na sexta-feira.França protestaDois diplomatas franceses a trabalhar na embaixada em Teerão foram “alvo de uma situação de intimidação muito grave por parte dos serviços de segurança iranianos, violando claramente a imunidade diplomática de que gozam”, acusou o ministro dos Negócios Estrangeiros Jean-Noël Barrot. Ao que explicou à AFP, ambos foram “detidos durante várias horas sem motivo, interrogados e, no caso de um deles, maltratado”. “Esta agressão é ainda mais chocante porque estes dois agentes apoiam os nossos programas de ajuda à sociedade civil, especialmente aos artistas e cientistas iranianos. Esta violação gravíssima e inadmissível à integridade dos nossos agentes não ficará sem consequências”, assegurou o ministro..Irão anuncia suspensão dos compromissos com EUA em dia de novos ataques