Há registo de 64 desaparecidos na colisão entre comboios. Áudios revelam ordem "inexplicável" para avançar
ANGELES VISDOMINE/EPA

Há registo de 64 desaparecidos na colisão entre comboios. Áudios revelam ordem "inexplicável" para avançar

Prosseguem os trabalhos de resgate nos destroços dos comboios que colidiram perto de Toledo. Os reis de Espanha deverão visitar feridos no hospital. Há 69 mortos.
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Logo na manhã de quarta-feira, poucas horas após a colisão de dois comboios de alta velocidade perto da estação de Urda, em Toledo, o governo espanhol admitiu que se tratava de erro humano. Depois, o ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente, referiu-se ao acidente como "verdadeiramente inverosímil" e explicou que este se deu após um dos comboios ter recebido uma ordem "inexplicável" para avançar, quando havia um sinal vermelho e outras composições paradas na mesma linha. O El País revelou, entretanto, três áudios que serão fundamentais para perceber a tragédia, cujo balanço foi atualizado, na manhã desta quinta-feira, para 69 mortos, havendo registo de 64 desaparecidos.

Tratam-se de duas comunicações entre a maquinista do comboio Iryo, que estava parado, e o controlador de Atocha; e uma entre o maquinista do comboio AVE, que vinha logo atrás, e este mesmo controlador.

O registo entre o centro de controlo de Atocha, em Madrid, e o comboio AVE é bastante confuso no início e tem uma duração superior a cinco minutos: nele é dada a ordem para que o comboio retome a marcha normal. Eram 8h36.

"Então, atenção, maquinista do comboio 2080: desligue e volte a ligar o sistema LZB. Retome a marcha. Siga viagem em regime BSL, em 'marcha normal'”, ouve-se o controlador dizer. "Em 'marcha normal'”?, pergunta o maquinista, que obtém resposta positiva.

Nesse momento, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nesse troço de 63 quilómetros, "tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha", havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir de avançar, explicou o ministro Oscar Puente.

Os dois outros registos áudio divulgados são entre a maquinista do comboio da Iryo e o controlador. No primeiro, das 8h41, a maquinista diz que sofreu uma falha e que está parada à entrada de Urda. Alerta ainda para o facto de um comboio estar previsto passar a mais de 200 km/h. Mas a ordem é para desligar e voltar a ligar ao sistema LZB, para retomar a circulação, a velocidade normal.

Às 8h48, há nova comunicação entre esta maquinista e Atocha, em que ela indica que não consegue reiniciar o sistema LZB e que continua parada. Nenhuma solução lhe foi apresentada e, cinco minutos depois, deu-se a colisão.

"Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil" e a indicação dada pelo centro de controlo é "inexplicável", considerou o ministro.

A juíza instrutora do processo de investigação do acidente proibiu o acesso à zona e a remoção de elementos para "preservar as evidências, provas e indícios". Apenas as forças e corpos de segurança do Estado, equipas de salvamento e saúde e pessoal judicial estão autorizados a permanecer naquela área.

Durante a noite, a Guardia Civil continuou a trabalhar com vista a localizar e resgatar vítimas que possam continuar dentro dos vagões, utilizando drones do Instituto Armado com sensores térmicos. Assim que haja condições de segurança, entrarão em ação os guias caninos com os cães especializados em localização de pessoas e restos biológicos.

Na manhã desta quinta-feira, os trabalhos de resgate prosseguem, havendo 64 registos de informação sobre familiares desaparecidos após o acidente ferroviário. Prevê-se assim que o número de vítimas mortais venha a aumentar nas próximas horas, sendo que o balanço mais recente, anterior às 10h00 da manhã, dá conta de 69 mortos.

O Instituto de Medicina Legal mobilizou 25 médicos legistas para dar início à identificação de 52 mortos.

Dos 110 feridos que deram entrada nos hospitais da região, 60 já tiveram alta, mas 50 permanecem internados, com situações diferentes em termos de gravidade. Entre os feridos internados há pelo menos 15 em estado considerado grave, segundo o presidente de Castela-La Mancha.

Os reis de Espanha deverão visitar feridos no hospital de Universitario de Toledo. O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez está em Urda - onde também deverá ir o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo -, tendo dito ao início da manhã que o o Estado está mobilizado na resposta à emergência, com o resgate e identificação das vítimas, com o no esclarecimento das causas do acidente, e na reparação "pleo menos do ponto de vista material" aos familiares das vítimas.

Pedro Sánches agradeceu ainda às equipas e emergência.

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