Erro humano "duplo" e uma falha na sinalização: o que pode estar na origem do acidente em Toledo
No quilómetro 118 da linha que liga Sevilha à capital Madrid, um comboio da empresa privada Iryo com 147 passageiros estava parado quando outro, um AVE da companhia pública Renfe que levava 393 pessoas, chocou contra ele a mais de 100 quilómetros por hora, num acidente por volta das 8h30 e que já tem mais de 64 mortos. Na origem, segundo a imprensa espanhola, terá estado uma avaria na sinalização, seguida de um erro humano.
O comboio tinha parado entre as localidades de Mora, Orgaz e Urda, na província de Toledo devido a uma avaria no sistema de sinalização LZB, algo que o ministro dos Transportes, Óscar Puente, confirmou em conferência de imprensa, explicando que ocorreu uma "avaria informática".
"Por volta das 8h30 [7h30 em Lisboa], o sistema de controlo LZB da estação de Urda, cai como consequência de uma falha de comunicação entre três computadores da rede", explicou, referindo que o sistema falhou num troço de 63 quilómetros.
Isto foi algo que os maquinistas do Iryo terão comunicado à central da Adif, empresa pública que gere a ferrovia, segundo o jornal El Mundo. Mesmo com esta avaria, explica o jornal espanhol El País, os investigadores citados pelo jornal falam na possibilidade de um “erro humano duplo” na base do incidente.
Segundo este jornal, o controlador da ADIF naquela linha terá ordenado ao comboio da Renfe para arrancar apesar de ter o da Iryo parado apenas 25 quilómetros depois e, para além disso, terá permitido que este arrancasse a toda a velocidade e não na estipulada quando há este tipo de avarias, que seria, no máximo, a 40 km/h – uma velocidade que o permitia parar com mais tempo para travar.
Porém, segundo a televisão, esse não foi o caso do Iryo, que não conseguiu arrancar, algo que ativou o sinal vermelho na via. Porém, o funcionário da Adif terá mesmo ignorado este sinal e dito ao Renfe para arrancar, explica o órgão La Sexta.
Na conferência de imprensa, Óscar Puente recusou atribuir "responsabilidades" e falar num erro humano. Ainda assim, o facto de ter sido comunicado ao comboio da Renfe que podia arrancar é, para ele, "uma circunstância inexplicável".
Este é o segundo grande acidente ferroviário em Espanha a ocorrer este ano, com o país ainda a lembrar o descarrilamento de janeiro, quando dois comboios colidiram na mesma linha Madrid-Sevilha, na localidade de Adamuz, província de Córdoba.
Nesse descarrilamento, que acabou com 46 mortos, o sistema de controlo ferroviário LZB (sigla alemã para Linienzugbeeinflussung, ou seja, controlo contínuo de comboios) não teve tempo para atuar nos 20 segundos entre o alarme e o choque. A subsequente colisão acabou com 48 mortos confirmados.

