"É como se tivessem colocado uma bomba". Os testemunhos de quem viveu nova tragédia ferroviária em Espanha
ISMAEL HERRERO/EPA

"É como se tivessem colocado uma bomba". Os testemunhos de quem viveu nova tragédia ferroviária em Espanha

O número de mortos deverá aumentar nas próximas horas uma vez que os serviços de emergência ainda não conseguiram aceder a interior das carruagens. Passageiros descrevem cenário "apocalíptico".
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Nove meses depois de um acidente ferroviário em Adamus, Córdoba, que vitimou 46 pessoas, Espanha lida com nova tragédia ferroviária, agora perto da estação de Urda, em Toledo. Dois comboios de passageiros de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro, deixando um rasto de destruição, dezenas de vítimas mortais e cerca de 80 feridos, dos quais 50 em estado grave. “Pode ser pior que Adamuz”, admite o Governo espanhol.

“Não sabíamos por onde começar”, admitiu ao jornal ABC um dos elementos dos serviços de emergência, descrevendo um cenário com cadáveres entre os ferros retorcidos e os destroços das composições. “Nunca vivi nada igual. Havia gente a gritar e a chorar”, acrescentou.

ISMAEL HERRERO/EPA

A colisão dos comboios terá ocorrido por erro humano: um funcionário da Renfe que trabalhava na reparação de uma falha do sitema de sinalização não terá alertado para a aproximação de um comboio da Iryo, no qual seguiam 147 passageiros.

Nesse mesmo comboio, que partiu às 7h54 de Madrid, seguia Sebastián Herrero, um sevilhano de 46 anos, e que descreve ao El Mundo aquilo que viu como "apocalíptico". É muito difícil imaginar que ainda haja alguém vivo nesses três vagões. É um amontoado de ferragens. É como se tivessem colocado uma bomba", disse.

No outro comboio, da Renfe, seguiam 397 pessoas, entre as quais Miguel Ángel Pérez, que descreve ao El País um cenário “inenarrável” em que os passageiros tiveram de partir os vidros para conseguir sair para o exterior, depois do susto e solavancos do impacto. “Houve pessoas que foram projetadas para fora. Pensámos que tínhamos descarrilado. Depois, aos poucos, conseguimos sair e vimos que o nosso comboio estava tombado. Havia muitos feridos e pessoas nervosas”, descreveu a este jornal um outro passageiro, Jesús Jerónimo.

A caminho de Sevilha em turismo, Ana Maria, de 60 anos, conta que foi projetada em direção às malas e que está a caminho do hospital com o marido, que sofreu um ferimento na cabeça.

Juan Casares, presidente da Confederação de Cooperativas de Habitação de Espanha, seguia para uma reunião em Sevilha na primeira composição, e lembra que, pelo que se apercebeu, o maquinista tentou travar e, depois, “a cada impacto, o comboio deslocava-se dois ou três metros”. O receio era que viesse outro comboio e não houvesse tempo para retirar todos os passageiros.

O presidente do governo de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, admite que, numa altura em que há 50 mortos confirmados, esse número deverá aumentar. “Damos como certo que haverá mais vítimas, pois ainda não foi possível aceder ao interior dos vagões”, disse.

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