Após o ultimato do presidente dos EUA para que o Irão reabra totalmente o estreito de Ormuz no prazo de 48 horas, a Rússia apelou a uma "solução política e diplomática" na guerra do Médio Oriente. “Acreditamos que a situação deveria ter evoluído para uma solução política e diplomática”, disse esta segunda-feira o porta-voz do Kremlin numa conferência de imprensa, citada pela AFP.Para Dmitry Peskov, “esta é a única coisa que pode contribuir eficazmente para desarmar a situação catastrófica e tensa que se desenvolveu na região” do Médio Oriente..O Irão ameaçou hoje minar todas as rotas de acesso e vias de comunicação no golfo Pérsico, caso as ilhas iranianas sejam atacadas pelos Estados Unidos, que ameaçou invadir a ilha de Kharg."Qualquer tentativa do inimigo de atacar a costa ou as ilhas iranianas levará, naturalmente, de acordo com a prática militar padrão, à instalação de minas em todas as rotas de acesso e vias de comunicação no golfo Pérsico e ao longo da costa com diversos tipos de minas navais (…)", alertou o Conselho de Defesa do Irão num comunicado divulgado pela imprensa local.O Conselho afirmou que, se tal situação extrema ocorresse, "todo o golfo Pérsico ia sofrer períodos prolongados de encerramento, semelhantes aos do estreito de Ormuz; ou seja, todo o golfo ficaria praticamente bloqueado".Nestas circunstâncias, a passagem pelo estreito de Ormuz para "países não hostis" seria coordenada pelo Irão.O órgão iraniano acrescentou que toda a responsabilidade ia recair sobre "o agressor", referindo-se aos Estados Unidos e a Israel.O alerta surgiu depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter declarado, no domingo, que todas as opções estão em cima da mesa, incluindo o envio de tropas para garantir a segurança da ilha de Kharg, onde se encontra o maior terminal de exportação de petróleo da República Islâmica.No sábado à noite, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou que “se o Irão não abrir totalmente o estreito em 48 horas, então, a partir desse momento, os Estados Unidos vão atacar e destruir as várias centrais elétricas” iranianas.A República Islâmica respondeu a Trump, com a ameaça de atacar instalações energéticas no golfo Pérsico e bloquear completamente o estreito de Ormuz.Esta via navegável estratégica transporta 20% das exportações globais de petróleo bruto, que diminuíram drasticamente desde o início da guerra, elevando os preços do petróleo.Lusa.As principais bolsas europeias abriram hoje em forte baixa, perante a nova ameaça do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irão de destruir as centrais de energia se não abrir o estreito de Ormuz.Cerca das 08:35 em Lisboa, o EuroStoxx 600 estava a cair 1,68% para 563,64 pontos.Com o euro a depreciar-se 0,27% para 1,1537 dólares, a bolsa que mais cedia era a de Madrid, 2,18%, seguida das de Milão e Frankfurt, que caíam 1,97% e 1,94%, enquanto as de Paris e Londres recuavam 1,43% e 1,35%.A bolsa de Lisboa mantinha a tendência da abertura e o principal índice, o PSI, também descia, 1,55% para 8.620,68 pontos.O índice Euro Stoxx600 descia 1,68% para 563,64 pontos.Arrastadas pelo conflito no Oriente Médio, o principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, fechou hoje com uma queda de 3,48%, o principal índice da bolsa de Seul, o Kospi, desceu 6,49%, o da bolsa de Xangai caiu 3,63% e o da de Shenzhen perdeu 3,76%.O Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, recuava 3,42% quando faltava pouco para o encerramento da sessão.Os futuros dos índices norte-americanos apontam para quedas de 0,90% para o Nasdaq e de 0,61% para o Dow Jones, depois de os mesmos terem terminado na sexta-feira a cair 2,01% e 0,96%, respetivamente.Lusa.BCE prevê que guerra arrase cenário macro do OE 2026 .O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, falou com o presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz para garantir a estabilidade do mercado energético mundial, indicou um porta-voz da Downing Street..Irão: Starmer discute com Trump necessidade de reabrir Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo .O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou hoje ter atacado uma fábrica iraniana de produção de motores utilizados em drones de ataque e aeronaves da Guarda da Revolução Islâmica.A fábrica, situada na província de Qom (centro-norte do Irão), "fabricava motores de turbina a gás para drones de ataque e componentes de aeronaves utilizados pela Guarda da Revolução Islâmica do Irão", afirmou o CENTCOM na rede social X.O comando norte-americano partilhou imagens da fábrica antes e depois do ataque, nomeadamente uma fotografia datada de 06 de março de 2026, que mostra as instalações aparentemente intactas, e outra tirada "três dias depois, após um ataque devastador". .O Irão reiterou hoje que atacará centrais de energia e "infraestruturas económicas", nomeadamente centrais de dessalinização nos países da região, se as suas centrais de energia forem atacadas por Israel e Estados Unidos.A declaração da Guarda da Revolução Islâmica foi lida hoje em direto na televisão pública iraniana: "O que fizemos foi anunciar a nossa decisão de que, se as centrais de energia forem atacadas, o Irão retaliará visando as centrais de energia do regime ocupante e as dos países da região que fornecem eletricidade às bases dos Estados Unidos, bem como as infraestruturas económicas, industriais e energéticas nas quais os americanos têm participações", afirmou a estrutura militar do poder religioso iraniano, referindo-se a Israel como um "regime ocupante"."Não duvidem de que o faremos", acrescentou a declaração.O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na madrugada de domingo "obliterar" as centrais de energia do Irão, se a República Islâmica "não abrir totalmente" o estreito de Ormuz no prazo de 48 horas. Metade do prazo foi entretanto ultrapassado.Lusa.Guerra entra numa nova fase com ultimato de Trump e ameaça do Irão aos países do Golfo.O diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Fatih Birol, alertou hoje que o conflito no Irão poderá causar a "pior crise energética das últimas décadas".Segundo Birol, pelo menos 40 infraestruturas energéticas foram “gravemente ou muito gravemente” danificadas devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.“O mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência da guerra no Médio Oriente, uma ameaça maior para a economia mundial”, advertiu Birol em declarações no National Press Club em Camberra.“Até ao momento, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises petrolíferas juntas”, de acordo com o responsável, que recordou que nos anos 1970, cada uma dessas crises representou uma perda de cerca de cinco milhões de barris diários, ou seja, “10 milhões no total”.Birol acrescentou que esta crise equivale “a duas crises petrolíferas e a um colapso do mercado do gás reunidos”, evocando também os efeitos da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.O responsável sublinhou ainda que “nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar neste rumo” e apelou a uma ação coordenada à escala global.“A economia mundial enfrenta uma ameaça maior, e espero vivamente que este problema seja resolvido o mais rapidamente possível”, disse.O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, encontra-se bloqueado de facto devido à guerra, desencadeada a 28 de fevereiro por ataques israelo-americanos contra o Irão.Caso Teerão não reabra a passagem, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou “atingir e aniquilar” centrais elétricas iranianas, “começando pela maior”.Lusa.Acompanhe aqui toda a informação sobre o cnflito no Médio Oriente, num dia em que a região de Riade, na Arábia Saudita, foi alvo de dois mísseis balísticos, segundo anunciou o Ministério da Defesa saudita, à semelhança de outros países do Golfo, que também relataram ataques iranianos contra os respetivos territórios.Um dos mísseis foi intercetado e o outro caiu numa zona desabitada, precisou o Ministério saudita.Nos Emirados Árabes Unidos, outro país que tem sido alvo frequente de Teerão desde o início da guerra no passado dia 28 de fevereiro, o Ministério da Defesa anunciou hoje que está "a reagir a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão", explicando que "as explosões ouvidas são o resultado da interceção de mísseis e drones pelos sistemas de defesa aérea".No Bahrein, o Ministério do Interior emitiu um alerta nas redes sociais em que pediu aos "cidadãos e residentes" para "manterem a calma" e se dirigirem "ao local seguro mais próximo".Lusa