Navio-cisterna no depósito de combustível de Aral, nas refinarias de petróleo Ruhr Oel, da BP, em Gelsenkirchen, Alemanha. 17 de março de 2026.
Navio-cisterna no depósito de combustível de Aral, nas refinarias de petróleo Ruhr Oel, da BP, em Gelsenkirchen, Alemanha. 17 de março de 2026.FOTO: CHRISTOPHER NEUNDORF / EPA

Confiança das famílias regista o maior colapso desde o início da guerra da Ucrânia

Se a confiança e as expectativas de inflação se deterioram, o BCE ganha argumentos de peso para subir taxas de juro, eventualmente já em abril, avisam analistas e economistas.
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A confiança das famílias da Zona Euro acaba de registar a maior descida desde início da guerra da Ucrânia, mostra um primeiro inquérito feito pela Comissão Europeia (CE) entre os dias 1 e 22 de março, ou seja, o período que se segue ao início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, que descambou para uma guerra no Golfo Pérsico e para a interrupção nos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz, uma crise que ainda dura.

Com esta quebra, a maior dos últimos quatro anos, o nível de confiança dos consumidores da Zona Euro e da União Europeia (UE) afundou para o pior registo dos últimos dois anos e meio.

Mau sinal para as famílias, empresas e governo, mas também para o Banco Central Europeu (BCE) que vai estar a controlar esta estatística para perceber se o pessimismo dos consumidores está a alastrar-se às expectativas de inflação.

Se assim for, o banco central presidido por Christine Lagarde ganha mais argumentos de peso para subir as taxas de juro da Zona Euro, eventualmente já em abril, avisam alguns analistas e economistas.

Em comunicado, a CE refere que "em março de 2026, a estimativa preliminar da Direção-Geral de Assuntos Económicos e Financeiros (DG ECFIN) para o indicador de confiança dos consumidores caiu a pique tanto na UE (-3,4 pontos percentuais em comparação com fevereiro) como na zona euro (-4 pontos percentuais)".

Os dois indicadores afundaram assim para -15,2 pontos (UE) e -16,3 pontos (zona euro), ou seja, "a confiança dos consumidores está consideravelmente abaixo da sua média de longo prazo, atingindo o nível mais baixo em dois anos e meio", diz a CE.

Na quinta-feira, 19 de março, a presidente do BCE, Christine Lagarde, explicou que "estamos dependentes de dados, pelo que analisaremos tudo o que normalmente analisamos, mas estaremos particularmente atentos a alguns pontos" para decidir aumentar (ou não) taxas de juro por forma de deter a inflação.

O objetivo do BCE é manter o ritmo de subida dos preços na Zona Euro nos 2%, a médio prazo. Até à nova guerra do Irão, parecia que estava a conseguir, mantendo a taxa de juro diretora principal (de depósito) em 2%.

Ora, esses meses de estabilidade acabaram e Lagarde avisa que "estaremos particularmente atentos aos desenvolvimentos em todos os mercados de matérias-primas".

"Estaremos particularmente atentos aos estrangulamentos da oferta. Estaremos particularmente atentos às expectativas de preços de venda das empresas, através do inquérito telefónico empresarial [que ainda vão fazer], em particular, e de outras pesquisas que consideramos valiosas, podemos avaliar com que frequência ocorrerão revisões de preços".

A líder do BCE sublinhou que isso "será importante", "estaremos particularmente atentos a todos os indicadores de procura, sejam eles PMI, confiança do consumidor, estaremos particularmente atentos aos indicadores salariais".

"Tudo o que está a acontecer neste momento, que é um choque severo, dependerá da duração, da intensidade e da propagação. E por propagação, refiro-me aos efeitos indiretos e aos efeitos de segunda ordem na inflação", acrescentou Lagarde.

Fonte: Comissão Europeia
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